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16 de nov. de 2016

RAUL SEIXAS - DOCUMENTOS INÉDITOS DA SOCIEDADE ALTERNATIVA

Agora tanto os fãs de Raul Seixas como os de Paulo Coelho podem acessar documentos até então inéditos do período em que ambos sonhavam juntos o sonho da Sociedade Alternativa. Paulo Coelho resolveu disponibilizar para download em seu site oficial um material precioso para pesquisadores, estudiosos, fãs e colecionadores. Lembro-me de ter visto parte desse material no apartamento de Paulo na Rua Raimundo Correia, em Copacabana, em 1982, quando Raulzito nos apresentou. Nessa minha primeira visita Paulo inclusive me presenteou com algumas peças repetidas que guardada numas caixas de papelão tipo arquivo morto, tudo muito bem organizado em estantes num quartinho em seu apartamento.


Os fãs mais radicais de Raulzito Rock Seixas que, por motivos escusos, detestam Paulo Coelho, irão se surpreender com o rico material disponibilizado no site do mago.



Fonte: https://raulsseixas.wordpress.com

18 de ago. de 2016

Raul Seixas – Como Ele Burlou O Sistema Em Rede Nacional



Raul Seixas escreveu um dos capítulos mais singulares da música brasileira. Sempre foi visível a aversão do artista contra quase tudo no sistema estabelecido, talvez o mais genuíno anarquista da classe artística parida na safra da virada dos 60 para os 70, o roqueiro baiano deve ser encarado dessa forma, anarquista e revolucionário em vertentes diversas. Nunca se enquadrar nos ditos parâmetros impostos pelo status quo era talvez sua principal característica. É um engano pensar toda a trajetória de Raul Seixas parecida com outros pares de seu tempo no Brasil. Insistir e chamar a atenção para o caráter multifacetado de sua persona é o mais apropriado a se fazer. Raul sabia desde sempre o quanto era ousada a mensagem por detrás de suas letras, sua imagem que oscilava entre o rock star nacional, o filósofo dos temas universais e por fim o messias das massas. O que o difere em muito de diversos outros grandes artistas do seu tempo é exatamente a incrível capacidade de se comunicar, interagir e dessa forma se fazer entender em todas as camadas da sociedade organizada. Pouquíssimos artistas alcançaram tal façanha. A música de Raul Seixas é consumida por antigas e novas gerações de todas as classes sociais do país, em contrapartida nunca existiu de sua parte uma tentativa de simplificar seu texto, detalhe esse que demonstra o tamanho respeito pelo seu público em geral. Ao cantar sobre filosofia, politicas e lutas o faz magistralmente se fazendo entender por todos, além de um genuíno artista de musica popular, um grande comunicador de massas.


No inicio dos anos 80 Raul Seixas passou por um dos períodos mais difíceis de sua carreira, o artista se viu esquecido por cerca de dois, três anos. Gravadoras, empresários visivelmente evitavam o artista. Parte desse desinteresse por culpa própria devido ao uso abusivo de álcool e drogas. No ano de 1983 algo inusitado aconteceu, e tal acontecimento aparece na trajetória do artista como um dos mais curiosos. Nesse ano Raul Seixas foi convidado pela Rede Globo para participar de um especial de televisão voltado para o público infantil. O especial Plunct, Plact, Zuum foi um dos maiores sucessos de audiência da Rede Globo naquele ano, chegando a ganhar medalha de prata no International TV Film of New York. O nome do especial foi retirado de um trecho de uma música composta por Raul Seixas para o especial, a canção era o Carimbador Maluco. O que poucos perceberam foi a magistral jogada de mestre do grande Raul Seixas, depois de um bom tempo sendo evitado pelo sistema (gravadoras, empresários, o showbizz em si) Raulzito retorna num especial infantil da Globo. Diversos fãs, amigos e admiradores da trajetória artística de Raul Seixas o taxaram de entreguista, em suma de ter se rebaixado as mãos malignas do sistema.

A verdade de fato era totalmente outra, a letra da música Carimbador Maluco não passa de uma critica feroz e bastante contundente a esse próprio sistema que o artista tanto rebateu e criticou em vida, baseada em suas leituras sobre o anarquismo, Raul imprimiu na letra fortes pitadas de seu sarcasmo característico, a parte da letra que diz: Plunct, Plact, Zuum se refere ao barulho feito por um carimbo ao fixar num documento normas e deveres, a critica a burocracia desacerbada do sistema, o carimbo aparece na letra como um dos símbolos da supremacia do sistema capitalista e todas suas trágicas consequências no âmbito econômico e social de nossa sociedade. O trecho que diz: tem que ser selado, carimbado, avaliado, rotulado se quiser voar. Confirma a mordacidade nas entrelinhas da letra, algo que passou despercebido por conta de sua incrível capacidade de composição. Raul Seixas como um dos mestres da música de protesto, se apropria dessa incrível capacidade para burlar o sistema, com a ajuda do público infantil o artista celebrou seu retorno aos braços do sucesso, porém sem esquecer-se de deixar sua marca de inconformismo num programa de imensa audiência nacional da Rede Globo a maior rede de comunicação do país, o mestre voltava para trincheira dos debates na vida e na arte empunhando sua guitarra mais vivo e genial que nunca. 


17 de ago. de 2016

QUIZ DO MALUCO BELEZA - TESTE SEUS CONHECIMENTOS



Você se considera um fã fervoroso do maluco beleza? Iremos testar você, criamos um quiz com perguntas que somente os fãs mais informados sabem responder. Clique na imagem acima e teste seus conhecimentos sobre o grande Raul Seixas.

8 de ago. de 2016

RAUL SEIXAS - DISCOGRAFIA ANALISADA (PARTE 01)





No seu retorno ao Rio de Janeiro depois de uma primeira excursão de total fracasso, Raul Seixas agora era um produtor da gravadora CBS, inclusive tendo composições como Doce, Doce Amor sendo sucesso nacional na voz de Jerry Adrianni.

   Nessa segunda passagem pela cidade maravilhosa, Raul Seixas vivia na vida pessoal os efeitos do famigerado “milagre econômico” que no período era bradado aos quatro ventos pelo regime militar. Mas no fundo Raulzito sentia que algo estava errado, como diria na letra de Ouro de Tolo, tempos depois, “Eu é que não me sento no trono do apartamento com a boca escancarada cheia de dentes, esperando a morte chegar”.

As coisas começariam a mudar quando Raulzito aproveitou a viagem aos Estados Unidos do presidente da gravadora, e resolveu gravar um disco em surdina. O disco em questão era o mitológico Sociedade da Grã Ordem Kavernista Apresenta Sessão das Dez. O disco surfava na onda dos discos conceituais muito em voga no período, alguns de imenso sucesso como o Sargent Peppers e por aqui o disco oficial do movimento da Tropicália. O disco em formato de projeto musical tinha além do próprio Raul Seixas, a sambista Miriam Batucada, o menestrel capixaba Sérgio Sampaio e o cronner baiano Edy Star.

O disco possui uma miscelânea de canções distribuídas em vertentes sonoras do pop. Eram sambas, canções no estilo soft rock, tango e outros estilos, tudo intercalado por vinhetas recheadas de sarcasmo e boas tiradas em cima de temas bastantes em voga à época. No disco podemos verificar pitadas sonoras do inicio de uma carreira musical que Raul iria consumar logo em seguida.


Em 1973 agora como contratado da gravadora Phillips, Raul Seixas deu vazão a um desejo de homenagear a era de ouro do rock’n’roll. Com receio do disco atrapalhar na divulgação de outro disco de Raul, a gravadora não autorizou que fosse colocado o nome do artista no álbum, por isso foi criado uma banda fictícia a Rock Generation como a responsável pelos covers. Somente em 1975 depois de um relançamento o nome de Raul Seixas começou a ser creditado. No disco o artista interpreta clássicos imortais dos primeiros anos do rock como "Rock Around the Clock", "Blue Suede Shoes", "Tutti Frutti", "Long Tall Sally" dentre outros.



Esse disco pode ser considerado o primeiro disco de verdade do personagem, espécie de alter ego do cidadão Raul Santos Seixas, o nosso grande Raul Seixas. O nome do disco se refere ao grito do Tarzan, que significa "Cuidado, aí vem o inimigo". Apesar de ter lançado outros discos anteriormente Krig-há, Bandolo! É considerado por muitos como o primeiro disco de verdade do artista, o primeiro a alcançar ótimas vendagens. O disco inicia com uma gravação antiga de Raul na garagem dos pais na Bahia interpretando "Good Rockin' Tonight", logo depois temos um verdadeiro desfile de clássicos, em "Mosca na Sopa" Raul ironiza a ditadura com uma das letras mais sarcásticas do seu cancioneiro, tudo regado a percussão de capoeira, triangulo de forró, tambores de candomblé e compassos rock’n’roll.

"Metamorfose Ambulante" um verdadeiro hino raulseixista, uma das grandes canções do inconsciente coletivo brasileiro, na letra Raul indica caminhos para a compreensão de sua personalidade, mais que uma canção uma marca. "Dentadura Postiça" um country-folk, na letra bastante visível a parceria com Paulo Coelho os temas universais. “As Minas do Rei Salomão” outro country-folk dessa vez a dupla mergulha nas referencias bíblicas e da literatura universal, dando seu recado, todo cuidado era pouco nas composições a sombra do censor da ditadura sempre esteve a espreita. “A Hora do Trem Passar” nessa Raul mergulha na sua formação como homem, os trens sempre causaram fascínio desde a infância, filho de engenheiro de estradas de ferro, na cabeça de Raul os trens representavam um símbolo, algo transcendental rumo a chegada de novas noticias, novos tempos.


 "Al Capone" é um rockão dos bons, um hit nacional daquele período e capaz de esquentar qualquer festa até hoje, na letra a dupla destila deboche e sarcasmo, um lembrete para o gangster Al Capone, haja vista o que havia acontecido com o messias. "How Could I Know" uma das mais belas canções de Raul Seixas, composta em homenagem a Elvis Presley, a lenda diz que o artista recebeu, porém nunca se pronunciou sobre. "Rockixe" mais um rock, recheado de naipes de metais, no refrão Raul esbraveja um dos maiores slogans da fase de escritor de Paulo Coelho anos mais tarde. "Cachorro Urubu" mais outro petardo no formato folk, dessa vez Raulzito encarna Bob Dylan para tratar de assuntos do cotidiano, como um verdadeiro cronista ele mistura seu dia a dia com fatos históricos. "Ouro de Tolo" encerra o disco de forma magistral, na letra Raul da pista de como e porque resolveu largar uma vida bastante confortável de produtor bem remunerado de uma grande gravadora internacional, para jogar tudo para o alto empunhar sua guitarra e adentrar o caminho agridoce da carreira musical, se tornando um dos maiores nomes da música do rock nacional.


4 de ago. de 2016

Raul Seixas – Cinco Canções Mais Polêmicas da Carreira






No inicio dos anos 70 Raul era produtor da CBS e certo dia um artigo sobre discos voadores lhe chamou a atenção ao lê-lo numa revista, Raul foi até a redação da tal revista no intuito de conhecer o autor do artigo, chegando lá conheceu quem havia escrito o artigo, era ninguém menos que Paulo Coelho a época metido com produção de teatro e a edição de uma revista sobre assuntos místicos. A amizade se consumou e logo depois os dois passaram a participar de uma sociedade esotérica. Essa sociedade esotérica tinha seus princípios baseados nas obras do bruxo e místico inglês Aleisteir Crowley, lá para as tantas a direção da sociedade resolveu presentear os dois com um grande terreno em Minas Gerais, onde supostamente seria construída a “Cidade das Estrelas” no local os dois iniciariam a disseminação dos preceitos de algo que ficou conhecido como a Sociedade Alternativa, uma sociedade onde todos os valores seriam invertidos, o advogado seria o não-advogado, o delegado o não-delegado e por vai. Uma canção foi composta pela dupla para sintetizar os ideais dessa nova ideologia, nos shows Raul Seixas tinha o papel de divulgar para seus fãs do país inteiro aqueles preceitos, a ditadura militar investigou sobre o assunto e resolveu prender e deportar os dois para fora do Brasil. A letra é bastante significativa, pois cita abertamente o nome do bruxo inglês que é conhecido como uma das personalidades mais execráveis da história de todo o Reino Unido, ainda assim influenciou e influência até hoje artistas e intelectuais de renome ao redor do mundo.



Ainda na Bahia Raul Seixas estudou e se formou em filosofia, durante toda a sua carreira ficou bastante visível a influência da filosofia em diversos sucessos de sua carreira. A música Rock do Diabo é tida como uma das músicas mais polêmicas do artista, por dentre outras coisas afirmar que o diabo é o pai do rock. A letra fala que enquanto Freud explica o diabo fica dando os toques, na verdade Raul havia se apropriado de ideias de filósofos como Platão que dizia que os seres humanos possuem em suma duas fortes influências em sua natureza, uma boa que representaria o bem e uma má que representava o lado mal de nossa natureza. Rock do Diabo é sem dúvidas uma das canções mais controversas do Maluco Beleza.



Por volta de 1978 Raul Seixas passou uma temporada no interior da Bahia com o intuito de se curar de uma pancreatite adquirida por conta de anos de abuso de álcool. Nesse período Raul conheceu sua terceira mulher Tania Mena Barreto, o disco Mata Virgem foi lançado nessa época e representa um momento atípico na discografia do cantor, com canções voltadas às raízes sonoras do sertão, como baião e o forró. A canção Mata Virgem é de uma beleza poética ímpar, nela Raul Seixas trata dela Tania Mena Barreto, diz a lenda que quando a conheceu ela era virgem, a letra trata do encontro através de um viés poético, a canção é tida como polêmica por conta dessa informação, segundo outra letra desse período chamada Baby a musa inspiradora tinha apenas 13 anos quando conheceu e passou a viver com Raulzito Seixas.



Um dos maiores sucessos da carreira do baiano Rock das Aranhas faz parte das canções polêmicas com certo teor de sarcasmo. Na letra Raul trata do assunto do homossexualismo, mais precisamente o lesbianismo, sempre oferecia a música nos shows para as cantoras brasileiras declaradamente homossexuais. Das varias vertentes musicais existentes no seu trabalho Rock das Aranhas aparece como uma das mais emblemáticas e polêmicas.



A Maçã é de longe a música mais instigante de todo o cancioneiro do Maluco Beleza. Apesar de passar despercebida por muitos a junção de poesia e melodia de nuance barroca, serve de estrutura para um formato que esconde um sentido muito mais amplo nas entrelinhas de seus versos. O titulo faz alusão aos relatos bíblicos do livro do Gênesis, a fruta da perdição do Jardim do Éden. Raul faz uma analogia a genitália feminina e todos os desejos, desejos esses diversas vezes incontroláveis da natureza humana. No trecho “Quando jurei meu amor eu traí a mim mesmo, hoje eu sei, que ninguém nesse mundo é feliz tendo amado uma vez”, o compositor se despe de todo e qualquer tradição machista ou similar para afirmar que o amor entre homem e mulher só é pleno, quando exercido de forma aberta pelos dois lados. Trazendo essa informação para a vida pessoal de Raul Seixas, fica bastante visível o quanto ele levava a sério. A Maçã ainda que a grande maioria não perceba é o texto mais instigante e polêmico da carreira desse grandessíssimo artista. 



3 de ago. de 2016

RAUL SEIXAS - 03 MELHORES DOCUMENTÁRIOS




Com a chegada da internet bastante material de imensa relevância sobre Raul Seixas começou a aparecer para livre apreciação do grande público, coisas que anteriormente somente os colecionadores mais dedicados possuíam. Na tentativa de sintetizar bastante nuances sobre o artista, registros que melhor exprimissem a personagem multifacetada que segundo ele mesmo em dado momento ficou bem maior que o Raul Santos Seixas o homem, colocamos abaixo três registros imprescindíveis para qualquer estudioso da obra do artista.  

Não é exagero nenhum dizer que as informações contidas nos registros abaixo dão pistas, sinais fortíssimos para aqueles que desejam embarcar nesse trem musical, brilhante, inconformista e metafisico rumo a uma maior e melhor assimilação do mestre Raul Seixas. 


Duas muito boas entrevistas de Raul Seixas, a primeira dada a Radio Cultura de São Paulo em 1976 e a segunda na Rádio Eldorado no inicio dos anos 80. Nela Raul responde a perguntas com uma lucidez típica de sua personalidade, em alguns momentos Raul tenta explicar muito sobre o surgimento de sua geração e detalhes interessantíssimos sobre sua formação que influenciaram nos textos de algumas de suas grandes canções. 

             

             



O inicio O meio e o Fim é um documentário recheado de imagens raras, com depoimentos de pessoas importantes na carreira do artista, dentre elas as mulheres, na parte que fala do sonho da sociedade alternativa, depoimento do mentor espiritual de Raul e Paulo Coelho no período que os dois participavam de uma sociedade esotérica baseada nos ensinamentos do bruxo inglês Aleisteir Crowley. Sem dúvidas um registro bastante relevante, ainda que não seja definitivo sobre o legado do mito.

             


O caminho que eu mesmo escolhi, na verdade é uma reportagem do programa Caminhos da Reportagem da TV Brasil. É sem dúvidas um dos mais completos registros sobre a trajetória do nosso Maluco Beleza. Depoimentos de figuras seminais na carreira de Raul como Kika Seixas, Carleba, Plinio Seixas, Jerry Adriani, Claudio Roberto e outros ilustram os diversos momentos do registro. Não bastasse isso a reportagem se mostra como uma das mais emocionantes por sintetizar o quanto a perda do ídolo, amigo, mestre, messias fez e ainda faz na vida de todos nós que admiramos o artista. Se existe uma reportagem que mais chega próximo daquilo que representa o mito, a reportagem é O caminho que eu escolhi.

             

30 de jul. de 2016

RAUL SEIXAS - COMO E POR QUÊ? ELE FAZ TANTA FALTA




Desde muito cedo o rock’n’roll teve que se acostumar com perdas irreparáveis, não foi nenhum pouco fácil quando o estilo musical ainda dava seus primeiros passos e foi surpreendido com a morte precoce de Ritchie Valens, Buddy Holly e Big Bopper num trágico acidente de avião em 1959, logo depois mais uma perda assustadora, Gene Vincent morria em outro trágico acidente automobilístico no inicio da década de 60. Dai pra frente se formaram diversas lápides no panteão do rock, todos verdadeiros mártires musicais com seu devido grau de colaboração na evolução do estilo.

Traçando um paralelo com o rock nacional, não é difícil perceber que a lógica é a mesma. Raul Seixas talvez tenha sido um dos primeiros grandes nomes do rock brasileiro a nos deixar, e ainda assim depois de quase vinte sete anos sua ausência ainda é bastante dolorida em diversos sentidos. Artista do mesmo quilate dos grandes nomes do inicio, uma mesma linhagem que nos trouxe Little Richard, Ed Cochran, Jerry Lee Lewys e o próprio Elvis Presley, o gene da rebeldia que desencadeou toda a mudança de comportamento trazida pelo rock’n’roll, esse mesmo gene corria igualmente nas entranhas do baiano de Salvador, que em pouco mais de vinte anos de carreira deixou uma marca irretocável não só no rock brasileiro como também em toda a música brasileira. Alguém lembra algum outro artista que teve que lidar com tantos momentos de sucesso e ostracismo numa mesma trajetória? Existe algum outro artista que tenha batido de frente tantas vezes com as grandes gravadoras? Que tenha sido deportado do país e tenha sido trazido pelos mesmos que o levaram por conta de seu inusitado sucesso no Brasil inteiro? Que segundo ele mesmo transou com deus e o diabo? Tais facetas são exclusivas de Raul Santos Seixas.

Nenhum outro artista foi capaz de perceber e comprovar as similaridades do rebolado de Elvis com o suingue de Luís Gonzaga, nenhum outro passou fome no Rio de Janeiro e anos depois sustentava o status de cidadão de bem, com todas as benesses que o poder aquisitivo pode proporcionar. Raul Seixas foi isso e tudo o mais, um dos mais lúcidos artistas parido pela mesma geração que nos deu Lennon & McCartney, Jim Morrison, Rita Lee, Arnaldo Baptista, Janis Joplin e por ai vai.

A qualidade do discurso impresso nas suas letras é algo indiscutível e nunca comparável a ninguém de sua geração e talvez de nenhuma outra, a junção de sarcasmo, poesia, filosofia, politica e apontamentos sobre nosso dia a dia, ficaram gravados em sua discografia bem como no inconsciente coletivo do povo brasileiro, há quem diga que Raul Seixas possua uma genialidade análoga a de Bob Dylan, afirmam ainda que caso nascesse nos Estados Unidos o sucesso de suas canções extrapolariam as fronteiras da América.

A sua ausência é visível em postura, atitude, qualidade textual, representatividade combativa em relação a quase tudo no status quo, pouquíssimos artistas de nossa música ousaram meter o dedo na ferida como ele o fazia sem nenhum pudor ou receio. De sua morte para frente o rock nacional pareceu estar e de fato ficou órfão de uns dos seus maiores mentores. O que aconteceu depois todos sabemos, a virada de costas do mainstream para tudo que possuísse qualquer nesga de qualidade, bandas e artistas em sua maioria fabricados em fôrmas destituídas de verdade artística, o aumento cada vez gradual de uma produção musical duvidosa sem nenhuma qualidade sonora e textual, antigos baluartes de nossa música estacionados, mais parecendo verdadeiros karaokês de suas melhores produções. E é bem verdade que toda vez que o negócio descer muito o nível escutaremos alguém gritar “CANTA RAUL”. Por essas e tantas outras razões ele é e sempre será insubstituível no país, na nossa música e em nossas vidas. 


27 de jul. de 2016

RAUL SEIXAS - COISAS QUE TALVEZ VOCÊ NÃO SAIBA



Agosto no blog tempodemusica tudo é sinônimo dele ou o próprio Raul Seixas, esse que sempre foi o manda chuva não só da música brasileira como também do famigerado rock nacional para esse que vos escreve. Como ponto de partida estaremos revelando algumas curiosidades que só fãs de verdade sabem contar, agosto é o mês da passagem de Raul desse plano para os demais.

Raul Seixas sempre demonstrou uma fluência na língua inglesa, o artista já demonstrava desenvoltura com a língua muito antes de ser exilado nos Estados Unidos. A facilidade se deve ao fato de Raul ter sido vizinho na infância do Consolado Americano na capital baiana. Nessa época Raul possuía amizades com filhos de funcionários do Consulado, essa amizade o fez se interessar pela língua e logo em seguida com a chegada dos discos de rock’n’roll trazidos pelos pais de seus amigos, isso o ajudou bastante no aprendizado da língua, é bem verdade Raulzito falava inglês fluentemente.

Sim é verdade Raul Santos Seixas, nosso querido Raul Seixas era parente por parte da mãe do grande poeta do romantismo brasileiro Fagundes Varela. Não era por nada, mas o cara possuía em seu gene sangue artístico e dos bons, Fagundes Varela foi um dos mais destacados poetas românticos de sua geração.

São diversos os relatos em entrevistas de Raul Seixas sobre o possível encontro com John Lennon no período que ficou exilado nos Estados Unidos. Sobre o encontro Raul falava de uma conversa com ex-Beatle, a conversa teria se desenrolado sobre assuntos como os grandes nomes da história, figuras como Caligula, Nero e outros. Porém a grande verdade é que o encontro nunca chegou a acontecer, o mago Paulo Coelho que estava nos states com Raulzito no mesmo período, disse anos depois que no dia do encontro Lennon estaria muito gripado, ao que parece eles apenas viram a silhueta de John passando por um cômodo do Dakota Hotel, trocaram na verdade poucas palavras com Yoko Ono.

Na década de 80 Raul Seixas foi contratado para fazer um show na cidade Caieiras no interior de São Paulo, antes do show teve inicio um boato de que os empresários haviam colocado um sósia para se apresentar, ao chegar para a apresentação Raul foi abordado e levado pela policia, na delegacia teria apanhado do delegado que o acusou de se passar por ele mesmo. A agressão teria acontecido depois de não saber responder a pergunta sobre o país de nascimento do apresentador Chacrinha.

Certa vez Raul foi contratado para se apresentar na Serra Pelada, no meio do show uma dor de barriga fora de hora atacou o artista, Raulzito foi obrigado a se retirar do palco e procurar um lugar para resolver o desconforto estomacal, porém o local não tinha banheiro, o local achado foi um descampado no mesmo terreno onde se realizava o show, enquanto Raulzito se encontrava agachado se livrando das cólicas no meio do mato, o público surgiu aos montes solicitando autógrafos do roqueiro e não deu outra. Raulzito o único artista que autografou para seus fãs no meio de uma necessidade biológica.




22 de ago. de 2015

RAUL SEIXAS – 26 ANOS SEM O MAIOR ARTISTA DA MÚSICA BRASILEIRA - PARTE 02


RAUL SEIXAS E AS GRANDES PARCERIAS DE PAULO COELHO A MARCELO NOVA


Desde o lançamento de Krig-há bandolo até o disco derradeiro lançado dias antes da sua morte Panela do Diabo, Raul Seixas sempre teve como forte característica em sua trajetória grandes parcerias, dentre as quais as principais foram com o mago e escritor Paulo Coelho, o compositor Claudio Roberto e por fim o roqueiro e ex-lider da banda de rock Camisa de Vênus.


A discografia de Raul Seixas é contida de grandes álbuns, a fase áurea se deu na década de setenta, todos como sem exceção são recheados de canções atemporais. Mesmo depois de 26 anos da morte do artista é impressionante a força que essas canções possuem no imaginário do povo brasileiro em geral. Talvez nenhum outro artista em solo nacional tenha conseguido a façanha de agradar todas as classes sociais, num período onde ainda vivíamos o apogeu da industria fonográfica, Raul Seixas em diversos momentos da carreira esteve no topo da lista dos mais vendidos.


HISTÓRIA E FILOSOFIA AO ENTENDIMENTO DAS CLASSES MAIS BAIXAS

Diz a lenda que Raul Seixas no período de ostracismo quando retornou a Bahia no final dos anos sessenta passava dias lendo filosofia, história, ontologia, literatura, segundo ele mesmo isso causou nele uma miopia acentuada. É perceptível a influencia dessas leituras em canções como Ouro de Tolo, Eu nasci há dez mil anos atrás, Al Capone, Gitã e outras. O que impressiona é a capacidade de composição que Raul possuía por saber como um verdadeiro alquimista incutir essas informações em letras de fácil compreensão, letras essas que chamavam a atenção de empregadas domesticas a intelectuais acadêmicos. Um verdadeiro mestre na arte de propagar informações com alto alcance popular, talvez tenha sido esse o receio da ditadura militar quando após o lançamento da Sociedade Alternativa se sentiu obrigada a deportar Raul Seixas para fora do Brasil.

CANÇÕES DE CUNHO ECOLÓGICO, POLITICO E EXISTENCIAL


Nesse mix de informações propagadas por ele em grandes canções, Raul Seixas condensou influencias de Beatles, Bob Dylan, Elvis Presley, Luiz Gonzaga, bolero e musica latina. Talvez tenho sido esse o segredo do grande alquimista sonoro quando o seu intuito era se tornar o mais popular possível, mas sempre com qualidade nas temáticas das canções. Um dos primeiros a chamar atenção aos problemas climáticos tão em voga na atualidade, podemos perceber isso na canção Peixuxa uma parceria dele com Paulo Coelho.


A pegada política é bastante visível em canções como Aluga-se, Cowboy Fora da Lei e Mamãe eu não queria.





Um traço marcante no Raul Seixas compositor são as canções com temáticas existenciais, canções como O homem, E sou egoísta e Metamorfose Ambulante.







A LACUNA DEIXADA PELO MALUCO BELEZA NA MPB EM GERAL



Com a morte prematura no ano de 1989 de dois grandes nomes do rock nacional, Cazuza e Raul Seixas ao que nos parece fecharam um período áureo da musica brasileira que durava desde o inicio da bossa nova. Logo depois da morte dos dois ídolos teve inicio os anos noventa onde o apuro nas letras e as grandes referências pouco importavam, as rádios e TV começam a ficarem infestadas de ritmos como pagode e axé, onde a temática das canções eram recheadas de informações esdrúxulas e rompantes românticos de quinta categoria. Foi visível a queda na qualidade poética das letras, de lá pra cá o rock nacional em si nunca mais foi mesmo com exceção do Mangue-Beat que revolucionou na estética e na junção dos sons regionais com rock em geral, mas se formos analisar a coisa por esse viés o próprio Raul Seixas já havia aliado rock com baião com bastante propriedade anos atrás. 

                                              Documentário o Inicio, o Meio e o Fim

21 de ago. de 2015

RAUL SEIXAS – 26 ANOS SEM O MAIOR ARTISTA DA MÚSICA BRASILEIRA - PARTE 01



Por Natan Castro

Há exatamente 26 anos morria o maior artista desse país, Raul Santos Seixas foi encontrado morto em seu apartamento no centro de São Paulo no dia 21 de Agosto de 1989 por sua empregada, diz à lenda que Raul Seixas teria morrido abraçado com a foto de Elvis Presley. A lacuna deixada no rock brasileiro pelo seu desparecimento é abissal, dificilmente outro artista de rock ou da própria MPB conseguirá suprir a falta que o maluco beleza faz em nossa música. Durante todo o fim de semana o Blog tempodemúsica estará homenageando Raul Seixas, com matérias sobre sua brilhante trajetória no mundo do rock e em nossas vidas em geral.

RAUL SEIXAS E A INFLUÊNCIA AMERICANA EM SUA FORMAÇÃO.



A adolescência de Raul Seixas foi em Salvador sua cidade natal. Por volta dos 12, 13 anos Raul passou a ter contato com filhos de americanos que trabalhavam na Embaixada dos E.U.A na Bahia. Esse contato foi imprescindível na formação musical de Raul, pois naqueles anos o mundo começava a viver os primeiros anos do pós-guerra e toda a juventude em geral havia abraçado o rock’n’roll como ritmo predileto, além de todas as outras mudanças de atitude que o mesmo propunha, ouvir rock naqueles anos era sinônimo de ser jovem. Por conta dessa aproximação Raul Seixas passou a se familiarizar com a língua Inglesa e conseguintemente com o rock, pois foram esses amigos que lhe apresentaram ao gênero e lhe emprestaram os álbuns recém-lançados de Elvis Presley, Fats Domino, Chuck Berry, Jerry Lee Lewys e outros. Logo depois Raul junto de seu amigo Waldir Serrão montaram o Elvis Rock Club que foi talvez o primeiro fã clube de Elvis Presley no Brasil.

RAUL SEIXAS E OS THE PHANTERS


Mais tarde já sabendo tocar alguns acordes, Raul Seixas se junta a outros amigos que curtiam rock’n’roll na cidade e monta o grupo que ficou conhecido pelo nome de Raulzito e os Panteras, esse conjunto rodava o interior da Bahia realizando diversas apresentações sempre com bastante sucesso. Em meados dos anos sessenta o astro da Jovem Guarda Jerry Adriani em passagem pela capital bahiana teve problemas com sua banda de apoio, por conta disso foi apresentado ao grupo de Raulzito para realizarem uma audição na possibilidade de participarem como banda de apoio nos shows do cantor na Bahia. A banda de Raul se saiu super bem, pois conforme disse Jerry Adriani anos depois, “eles sabiam todo o repertório de rock’n’roll da época, por isso ficou bastante fácil o acompanhamento deles nos meus shows.” Por conta do ótimo desempenho Jerry convidou a banda a irem para o Rio de Janeiro com o intuito de divulgarem eles e ajudar os baianos a gravarem seu primeiro e único disco. E foi isso que aconteceu, mas infelizmente o disco não vingou e anos depois por volta de 1968 o conjunto foi obrigada a retornar a Salvador.

O RETORNO COMO PRODUTOR DA GRAVADORA CBS



Após esse retorno Raul Seixas passou um período em profunda depressão, dizem os relatos que passava dias trancado dentro de um quarto e recebia a comida pela janela. Certo dia bate na porta de sua casa na Bahia um amigo dos tempos do Rio de Janeiro que trabalhava na gravadora CBS, e o convida para trabalhar no Rio de Janeiro como produtor da gravadora, produzindo e compondo canções para alguns artistas, alguns inclusive da Jovem Guarda. É desse período sucessos como Doce Doce Amor sucesso na voz de Jerry Adriani.

A MORTE DO PRODUTOR RAUL SANTOS SEIXAS E O NASCIMENTO DO ARTISTA RAUL SEIXAS.


Diz a lenda que por volta de 1972 Raul aproveita a viagem do presidente da gravadora para os E.U.A e realiza a gravação do álbum conceitual chamado Sociedade da Grã Ordem Kavernista Apresenta Sessão das Dez nesse disco o roqueiro além de cantar ele também é produtor, outros artistas participaram do disco eram eles Sergio Sampaio, Miriam Batucada e Edy Star, o álbum é considerado um dos melhores discos dos anos setenta na música brasileira. Mas apesar de ser considerado pela critica como acima da média o presidente ao saber da façanha realizada por Raul sem sua autorização o manda embora da gravadora. Logo depois Raul apresenta algumas de suas composições próprias ao diretor artístico e musico Roberto Menescal que de pronto aprovou o que ouviu, essas canções fazem parte do primeiro disco de Raul Seixas denominado Krig-Há Bandolo o álbum inteiro é recheado de canções clássicas. Esse disco marca o inicio da carreira de Raul Seixas o artista solo e o desaparecimento do produtor de sucesso que foi desde seu retorno ao Rio de Janeiro.

Raul Seixas no festival Phono 73 (o inicio)


11 de mar. de 2015

ANDRÉ MIDANI - A LENDA DA PRODUÇÃO MUSICAL NO BRASIL EM SÉRIE TELEVISA



Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Tim Maia, Raul Seixas, Chico Buarque, Lulu Santos, Roger, do Ultraje a Rigor, Gilberto Gil, Erasmo Carlos, Roberto Menescal, Carlos Lyra, Marcos Valle, Ney Matogrosso, Baby do Brasil, Marisa Monte, Arnaldo Antunes, Caetano Veloso, Frejat e Jorge Ben têm algo em comum: todos trabalharam com André Midani.

Alguns deles se reuniram recentemente na casa do histórico produtor musical nascido na Síria, criado na França e apaixonado pelo Brasil, em descontraídos bate-papos que serão mostrados a partir desta terça-feira, 10, às 23h, pelo canal GNT, na série André Midani – do vinil ao download.

“Foram nove jantares ou almoços e não tinha uma pauta fixa. Essa ideia foi maravilhosa, tanto do Andrucha como da Mini [Andrucha Waddington e Mini Kerti, diretores da série] e sou extremamente grato a eles, que souberam criar junto com os artistas e comigo um ambiente muito relaxado, tinha vinho, tinha cachaça, uísque e pudemos revisitar determinados momentos do nosso convívio, como a época da bossa nova”, conta à Rolling Stone Midani, personagem determinante para o surgimento do movimento musical que aproximou samba e jazz, na década de 1950.

“Infelizmente não tivemos a participação de todo mundo que gostaríamos. Combinar as agendas de artistas não é muito fácil. Chico Buarque, Lulu Santos e Roger não puderam vir. Lamento por eles, que são artistas muito importantes, mas lamento ainda mais pelos que já morreram, como Tom Jobim, Vinícius, Tim Maia e Raul Seixas”, acrescenta ele.
Ainda assim, os principais momentos da história moderna da fonografia nacional estão retratados no material, dividido em cinco épocas das quais Midani fez parte, Vinil, Anos de Chumbo, Era de Ouro, BrRock e Download. Os episódios vão ar sempre nas terças-feiras, às 23h.
“Ficou obsoleto, deveria ser do vinil ao streaming. Mas o nome é por conta dos anos em que trabalhei. Parei em 2002 e, na época, era o download”, brinca a atração principal do programa.
Midani confessa que certas coisas mudaram para pior ao longo dessa linha do tempo, “Na companhia na qual eu trabalhava o propósito era profano e sagrado, queríamos ganhar dinheiro, mas tinha que ganhar dinheiro com música de qualidade. Acho que hoje, sim [o profano fala mais alto]. De alguns anos para cá, por circunstâncias da internet entrando na vida musical, a música foi a primeira arte que sofreu o assalto da internet por um lado e da pirataria física pelo outro.”

Mas ele segue otimista e acredita que Do vinil ao download mostrará como empresas e artistas podem ter uma convivência culturalmente saudável.

“A gente vê que é possível ter um relacionamento produtivo entre os negócios e a criatividade sempre que o patrão está muito atento ao sagrado e ao profano. Foi importante ter feito esse trabalho porque eu vi que através dos anos, os artistas com os quais eu trabalhei têm uma visão e uma capacidade de intimidade comigo como eu tenho com eles. Há uma possibilidade de diálogo franco, criativo e às vezes, até conflitante.”
Baseado em livro homônimo, de 2008, a série André Midani – Do Vinil ao Download ainda será divulgada como documentário, a ser exibido também no exterior.


Fonte: Rolling Stone Brasil