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25 de set. de 2016

Dave Mustaine fala de Lobão em Sua Passagem Pelo Brasil



Na recente passagem do Megadeth pelo Brasil, Dave Mustaine líder da banda e ex-integrante do Metallica, relata quais foram suas impressões da primeira vez que tocou no Brasil no inicio dos anos 90 no festival Rock In Rio. Abaixo o vídeo onde o guitarrista fala desse show e de uma passagem curiosa citando o nome do cantor Lobão que também tocou na mesma edição do festival que teve ainda Sepultura, assista.

                      

11 de mar. de 2016

LOBÃO - O Rigor e a Misericórdia



Por Natan Castro

Lobão é reconhecidamente um talentosíssimo multi-instrumentista, de todos os instrumentos de corda somente o baixo o músico ainda não havia se aprofundado nos estudos, algo que aconteceu em o Rigor e a Misericórdia. A concepção desse disco é um sonho antigo de criar um álbum seguindo o estilo One-Man, que nada mais é que realizar todo o processo de produção de um disco completamente sozinho. O disco está calcado na sonoridade do rock setentista período que Lobão conhece com propriedade, suas principais referências vem de lá com nomes como Grand Funk Railroad e Led Zeppelin, logo nos primeiros instantes de Overture o tema de abertura do álbum, podemos sentir algo de épico no ar, algo que se faz perceber durante todo o disco, o acetato sonoramente está entre o hard rock setentista e o Arena Rock do inicio dos anos 80, tudo isso se constata quando Lobão abre um baú de acordes in virtuose, com nossos elogios aos interessantes solos de guitarras, sempre muito bem imaginados em timbres muito bem encaixados por sinal, exímio baterista, ele em algumas passagens chega a exagerar nas viradas, saturando o papel da bateria no andamento de algumas músicas. Não há dúvidas que o Rigor e a Misericórdia é um grande disco, o amadurecimento de Lobão referente às letras com o passar dos anos ficou visível, aos poucos Lobão deixou de lado as parcerias do passado com letristas e passou a forjar a partir de suas leituras um letrista dentro de si. Saber traduzir e transpor todo o arcabouço literário que ele nunca escondeu de ninguém como parte integrante de suas músicas, é algo que o diferencia de muitos no meio, foram poucos os letristas de um Brasil recente que transformaram reflexões criticas do cotidiano em grandes canções como A marcha dos infames, A posse dos Impostores, Os vulneráveis e O rigor e a Misericórdia, essas quatro músicas conseguem ter uma profundidade político-social que em contrapartida não encontramos num “Nhengattu” do Titãs, outro grande disco de rock de teor político do Brasil contemporâneo. 


O Rigor e a Misericórdia num campo estético traduz o momento apocalíptico e crucial que a democracia brasileira passa, não fosse somente isso ele é um dos pontos altos da carreira de um artista que vem com o passar dos anos realizando uma espécie de passagem para um estágio visceralmente oposto ao anterior. Lobão conseguiu transmutar uma imagem de roqueiro tresloucado sem papas na língua, para uma espécie de “gurú” de uma leva cada vez maior de artistas independentes, junte-se a isso sua luta por direitos autorais e sua persona on-line recheada de apontamentos críticos aos negros anos do PT a frente da direção da nação. Esse novo momento inclusive é muito parecido, mas claro guardadas as devidas proporções, com a fase de John Lennon de Nova York.  Lobão nesse disco só peca quando suaviza o discurso, em canções de teor idílico, recheadas de imagens poéticas que constratam totalmente com o restante das músicas, ao que nos parece apesar desse profundo amadurecimento o artista ainda não consegue dosar as duas coisas, algo que era marca de outros grandes nomes que surgiram nos anos 80. No mais o disco representa os primeiros instantes da chegada da fênix a um Brasil quase brilhante de luz, mas ainda repleto do fogo negro das ideologias retrógradas.


7 de set. de 2015

TOP 07 – MELHORES DISCOS INDEPENDENTES DO ROCK NACIONAL




07ᵃ POSIÇÃO - MOPHO

Mopho banda de rock’n’roll de Alagoas, a banda tem suas referencias fincadas em tudo que de bom produziu a década de sessenta e setenta. A fase lisérgica de Beatles, Pink Floyd, Mutantes, Rolling Stones e outras grandes bandas ajudaram a turma do Mopho a arquitetar seu som. Nada mais apropriado que o nome da banda para definir a revisitação sonora proposta pelo Mopho, o lançamento desse primeiro disco representa uma espécie de marco no cenário do rock independente nacional, por conta da sua qualidade, na audição temos a sensação da banda ser de outros tempos. As referencias desfilam pelo disco, técnicas de gravação, os arranjos, o visual da banda, as letras bicho-grilo e a surpresa muito agradável de que existia vida inteligente no rock nordestino, fora de Recife.



06ᵃ POSIÇÃO - WADO (O MANIFESTO DA PERIFÉRICA)

Wado é um artista Curitibano radicado em Alagoas, surgido no cenário independente no final dos anos 90 com o disco Manifesto da Arte Periférica, o primeiro disco do artista foi muito bem aceito pela critica e pelo público independente engajado. Junto da banda Mopho o artista ajudou a colocar Alagoas no mapa da música independente do país. O disco é uma espécie de manifesto sonoro que propunha uma diáspora às avessas, ou seja, o centro deveria em certo momento se voltar para o interior no descobrimento de suas raízes estéticas, artísticas, visando através desse mergulho uma deflagração de novos caminhos na música produzida no território nacional. O disco possui uma sonoridade genial, como um verdadeiro alquimista do som Wado realiza de forma bastante interessante o encontro do samba e do rock independente com as raízes sonoras regionais nordestinas.  



05ᵃ  POSIÇÃO - CORDEL DO FOGO ENCANTADO

Quando todos os olhos estavam voltados para o Mangue Beat de Chico Science em Recife no final dos anos 90, lá no sertão de Pernambuco na cidade de Arco Verde um grupo de teatro transformava um espetáculo teatral em registro sonoro. O primeiro disco do grupo Cordel do Fogo Encantado foi produzido por Naná de Vasconcelos, talvez pelo fato do grupo não possuir uma formação clássica de banda de rock, dos instrumentos comumente vistos numa banda normal, somente um violão era usado pelo grupo, o restante era formado por uma parede de tambores, o grupo quase que totalmente era um grupo percussivo. Nos vocais Lirinha um ator que usava e abusava das técnicas de interpretação circense nas apresentações. Em um determinado momento o show grupo chegou a ser a mais visceral nos palcos do Brasil, não deixando a desejar a nenhuma banda de rock pesado. A banda não propunha nenhuma nova estética, tal qual Wado e o pessoal do Mangue-Beat, mas ópera-circense-percurssiva proposta pelo grupo, mais uma vez deixou boquiaberto público e critica demonstrando o quanto o nordeste do pais ainda tem muito a nos mostrar de verdade artística.



04ᵃ  POSIÇÃO - JUPITER MAÇA (A SÉTIMA EFERVESCÊNCIA)

Júpiter Maça é o alter ego artístico de Flavio Basso, o músico gaúcho advindo da cena roqueira dos anos 80, tem esse disco citado comumente em diversas listas de melhores discos do rock nacional. Lançado em 1997 o disco é um passeio no que de melhor produziu a jovem guarda, movimento mod, rock de garagem e psicodelia. Canções como Miss Lexotan 6mg e Querida Superhist viraram verdadeiros clássicos do rock independente nacional. Esse disco é essencial para deseja entender o rock independente tupiniquim dos anos noventa até dos dias atuais.



03ᵃ  POSIÇÃO - AUTORAMAS (STRESS, DEPRESSÃO E SÍNDROME  DE PÂNICO)

Autoramas banda liderada pelo guitarrista Gabriel (ex-Litle Quail), se apresenta em formato trio, teve nesse disco sua estreia, discaço que merece todas nossas reverencias não só pela verdade musical por detrás dele, mas também por representar um ponta pé numa carreira toda voltada a uma trajetória independente. O titulo do disco não poderia ter sido mais bem escolhido, pois no período do seu lançamento os temas citados estavam todos em voga, típicos sintomas dessa nossa realidade social moderna. Canções como fale mal de mim e carinha triste viraram verdadeiros clássicos da banda, a temática escrachada das letras é uma marca da banda, que também bebe na sonoridade da jovem guarda, surf music e nas bandas de garagem do final dos anos sessenta.



02ᵃ  POSIÇÃO - RENATO GODÁ (MÚSICA PARA EMBALAR MARUJOS)

Renato Godá, Musica Para Embalar Marujos apesar de um disco recente entrou na lista por conta da sua ousadia sonora. É bem verdade que somente nos meandros da independência artística um artista conseguiria produzir um disco nesses moldes. No disco Renato mergulha no imaginário dos bordéis, pubs, esquinas e coisas afins, como o titulo já diz as letras destilam relatos desses amores incompletos, típicos dos ambientes frequentados por marinheiros, prostitutas, poetas e toda a sorte de seres que perambulam a margem da sociedade civilmente organizada. Um dos melhores álbuns que tive a oportunidade de ouvir nos últimos anos, Renato Godá como bom trovador que é acertou na mosca na escolha do repertório, quando resolveu mergulhar em referencias que vão de Tom Waits a música árabe, passando pela musicalidade do leste europeu. As canções possuem letras fáceis e de pronta assimilação bem aos moldes do artista, que já há algum tempo transita na cena independente como um dos mais prolíficos da cena atual.



01ᵃ  POSIÇÃO – DR. CASCADURA #1

Pouquíssimas vezes seja no mainstream ou no território independente podemos ver uma banda tão verdadeira, quando o assunto é uma sonoridade própria. O Dr. Cascadura banda proveniente da cena do rock da Bahia, e a nosso ver é a melhor banda independente surgida no cenário nacional até os dias atuais. A estética sonora nos remete ao rock anos setenta, de uma pegada roqueira mais largada, essa banda é unanimidade dentre todos os críticos musicais como uma das melhores bandas de rock do Brasil. Esse é apenas o primeiro disco, a banda possui outros, eles são comumente citados por gente como Caetano Veloso, Lobão, Nando Reis, como uma banda que deveria estar obrigatoriamente tocando em todas as rádios do país, o que não acontece por conta dessas estratégias de marketing deturpadas tomadas pelas grandes gravadoras que detém a hegemonia musical no país. Após a audição do primeiro disco, fica a impressão muito forte, de uma identidade sonora própria, talvez por conta do vocal marcante de Fábio Cascadura e dos arranjos básicos que ajudam as canções a ficarem guardadas em nossa memória. A banda já possui mais de vinte anos de estrada e possui o titulo unânime de uma das, senão a melhor banda de rock independente do Brasil.




26 de ago. de 2015

Três Malditos Contemporâneos do Brasil

Lobão

Por Natan Castro

 João Luiz Woerdenbag Filho é um artista, multi-instrumentista, escritor, editor de revista, apresentador de TV, uma das figuras mais polémicas do rock brasileiro. Lobão iniciou sua carreira como baterista da banda de rock progressivo carioca dos anos 70 chamada Vímana. Depois no inicio dos anos 80 montou a Blitz e depois saiu em carreira solo que dura até os dias atuais.

Lobão como precursor de todo um movimento independente de música


A importância do artista Lobão no cenário da música brasileira desde o final dos anos setenta para cá, é seminal. A figura do roqueiro foi extremamente importante no final dos anos noventa por ser uma espécie de profeta de muita coisa que acontece hoje na dita musica independente do Brasil. Depois de muito discutir e ter verdadeiras guerras com os empresários de algumas gravadoras, Lobão surgiu como um precursor por ter tido a ideia de lançar discos de forma independente, chegando a lançar alguns discos em bancas de revistas, e quando muita gente pensou que não ia dar certo, o resultado foi o inverso, o álbum denominado A vida é Doce lançado no ano de 1999, foi todo produzido e lançado de forma independente com recursos próprios do artista, o disco foi lançado através da revista Universo Paralelo e obteve uma vendagem acima da média. Essa revista foi importantíssima num ainda antes do boom da troca de músicas de forma livre por meio digital. Diversos artistas do Brasil inteiro foram lançados pela revista que também era um Selo, podemos citar como exemplos o artista carioca B Negão, a banda Paraibana Cidadão Instigado, Cachorro Grande e outras.

Lobão como um dos malditos contemporâneos mais importantes da atualidade

Atualmente Lobão está na frente da luta da verdadeira arte cultural brasileira. São várias as agendas que o artista milita, além de encabeçar a propagação da musica independente no país, ele também é um dos artífices da briga sobre direitos autorais tanto em voga nos últimos anos do Brasil. Ainda na trincheira do debate cultural Lobão hoje representa um dos poucos artistas engajados na luta contra a corrupção e os escandalosos crimes cometidos pelo PT em sua terceira gestão junto a presidência da republica. Diversas vezes o roqueiro pode ser visto na atualidade em meio as passeatas contra o atual governo da presidenta Dilma Roussef. Além de escritor de dois livros de grandes repercussão um deles biográfico e outro de analise critica e estética sobre a musica brasileira. Por esses e alguns outros motivos Lobão é um desses artistas que ainda impunham a bandeira do Malditismo na dita musica nacional, por representar uma continuação de grandes nomes antigos dessa estética como Walter Franco, Jards Macalé, Raul Seixas e outros.



Marcelo Nova


O roqueiro baiano Marcelo Nova, iniciou sua trajetória como homem de frente da banda de rock Camisa de Vênus no inicio dos anos 80. A banda era identificada como uma banda punk, a banda desde seu nome é polemica, dizem que o nome da banda foi preponderante para que ela terminasse ainda nos anos 80. A analogia do nome ao preservativo não foi bem vista pela gravadora quando a mesma teve dificuldade de conseguir apresentações do grupo na TV. A irreverencia e as letras mordazes sempre foram uma marca do compositor Marcelo Nova. No final dos anos 80 a roqueiro foi o ultimo dos parceiros de Raul Seixas, com o Maluco Beleza ele lançou o disco Panela de Diabo, sucesso no pais inteiro.
Essa parceria é tida pelo próprio artista como uma das maiores felicidades de sua carreira, pois desde criança ele era fã de Raul Seixas. A experiência de ter gravado um disco com seu ídolo maior trouxe marcas indeléveis para sua alma artística.

Marcelo Nova e sua eterna luta contra mediocridade musical


Marcelo Nova apesar de não ser um artista da mídia, possui assim como Lobão diversos seguidores em todo o território nacional. Ainda hoje em seus shows varias clássicos do período do Camisa de Vênus são tocados a pedidos de fás fervorosos da banda, canções como Silva, Sinca chambord, Eu não matei Joana Darc, ficaram eternizadas nas cabeças da turma que começou a ouvir rock no inicio dos anos oitenta.

Marcelo Nova é um dos poucos artistas que sobrevivem à margem da grande mídia, sempre adepto da verdade musical a todo custo, o artista vem lançando desde o final da sua primeira banda discos importantes, onde o que mais nos chama a atenção é o cuidado com a qualidade das letras. Marcelo Nova sempre que tem oportunidade não deixa para trás a oportunidade de tecer comentários mordazes e pra lá de verdadeiros quando o assunto é o atual estado do rock nacional e da dita música brasileira. Certa vez declarou nos anos noventa que teria voltado com a sua primeira banda Camisa de Vênus após ter ouvido de um apresentador de TV que a banda Skank era o maior nome do rock nacional daquele período, são famosas as discussões entre o roqueiro e o líder do Skank, o vocalista teria dito após essa declaração de Marcelo Nova que o mesmo teria sido uma má companhia a Raul Seixas no final dos anos 80, sobre essa declaração Marcelo Nova discorre em um programa da extinta MTV.


Outra declaração bastante inspirada de Marcelo Nova foi quando alguém perguntou o que ele achava da banda Restart quando a mesma começou a fazer sucesso na mídia, Marcelo disparou o seguinte comentário “O rock nacional não morreu, ele foi apenas para o salão de beleza”. Outra declaração polemica do roqueiro foi que quando perguntado sobre a atual indústria fonográfica ele respondeu “Antigamente agente chutava o pau da barraca, hoje a turma que chupar o pau da barraca”. Por esses e outros motivos Marcelo Nova faz parte da nossa lista de Malditos contemporâneos do nosso rock brasileiro.

Ciro Pessoa


Líder fundador da banda Titãs, muitos gente acredita que a primeira banda dentro dos Titãs foi Arnaldo Antunes, na verdade o primeiro a sair da banda que na época possuía nove integrantes foi Ciro Pessoa. São deles sucessos como Sonífera Ilha, Homem Primata, Toda Cor, Babi Índio, a saída de Ciro Pessoa da banda se deu seis meses antes do lançamento do primeiro disco dos Titãs, o motivo foi desavenças estéticas no som da banda. Quando saiu Ciro Pessoa montou o Cabine C, uma banda hoje bastante cultuada por certa fama de banda Cult, o disco lançado em 1986 denominado Fósforos em Oxford ficou bastante conhecido entre a turma gótica e dark da cena paulista. Ciro Pessoa montou outras bandas nos anos noventa, mas o uso abusivo de drogas acabou por fazer o artista acabar com todas elas. Durante vários anos escreveu para revistas da editora Abril. Ciro Pessoa lançou alguns livros e em 2001 lançou seu primeiro disco solo chamado No meio da Chuva eu Grito Help produzido pelo produtor Apollo 9, o disco foi lançado pelo selo Inglês Voice Print. Livre das drogas a alguns anos o artista hoje é adepto do Budismo.

Ciro Pessoa seu engajamento contra as controversas politicas culturais do governo Dilma Roussef

Ciro Pessoa atualmente é um dos maiores entusiastas de uma renovação na música brasileira, em todos os sentidos, desde sua divulgação como propagação nas mídias e em formas de apresentações. O artista desde os anos oitenta apresenta  um trabalho conceitual em vários sentidos, sua música assim como de muitos malditos de tradição de nossa música, pede um grau de assimilação bastante acentuado a quem se atreve a escutá-la. O artista diz ser um artista totalmente inclinado para a estética surrealista, o sonho é desde sempre é a matéria prima de sua música. Ciro Pessoa hoje encabeça junto de Lobão a dianteira da briga conceito-politica-cultural contra os atuais meios de se fazer arte no Brasil. Por sempre se apresentar na trincheira do debate cultural Ciro Pessoa faz parte de nossa lista de malditos contemporâneos de nossa música.