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1 de ago. de 2015

JOHNNY HOOKER - A POESIA HOMOERÓTICA DE UM FILHO DA GERAÇÃO MTV BRASIL


Por Natan Castro

Johnny Hooker é o alter ego artístico do diretor, ator, musico e compositor pernambucano John Donovan. O artista lançou recentemente o disco Eu Vou Fazer Uma Macumba pra Te Amarrar, Maldito!  Aclamadissimo pela critica e por um público que começa a entender que existe uma renovação contemporânea na MPB. Com 27 anos Johnny Hooker a primeira vista pelo visual lembra bastante dois grandes nomes do Glam Rock David Bowie e Marc Bolan, mas é indubitável a semelhança visual-estética com Ney Matogrosso apesar do artista não citar o cantor como referência. Sua voz em alguns momentos lembra bastante o timbre de voz da Sandra de Sá e todavia lembra sempre, sempre mesmo Cazuza da fase solo.

Johnny faz parte de uma leva de artistas contemporâneos que lançam álbuns de forma independente com qualidade acima da média e que com o passar do tempo rapidamente assinam com uma gravadora. As letras todas carregadas de temas homoeróticos respingadas num batente sonoro que ora troca passos com o samba, ora com o pop-rock e por último no remete as músicas de bordel. Todo o burburinho sobre sua aparição no meio musical Recifense e agora nacional se deve pelo peso de suas interpretações em cima do palco, a temática das canções é permeada de estórias de amores despedaçados, enredos dramáticos, que segundo o artista não necessariamente são todas baseadas em relacionamentos pessoais, mas também em relatos de amigos e pessoas próximas. Johnny Hooker diz ser filho da geração MTV que assistiu o surgimento do Mangue-Beat e do renascimento do cinema de Pernambuco, além de músico o artista já dirigiu curtas metragens e participou de alguns como ator, além de novelas atuando e tendo suas canções como trilha sonora, atualmente sua canção Amor Marginal é trilha da novela das nove da Globo Babilônia.

Recentemente ganhou o prêmio Multishow de Música Brasileira como revelação, Johnny Hooker junto de Felipe Catto, Alice Caymmi, Tulipa Ruiz são as caras novas da atual música brasileira, essa turma esta ai segurando o estandarte da tradição, mas sempre dialogando com as tendências musicais da atualidade. 




30 de nov. de 2014

ROCK ANOS 70 NO BRASIL, APRESENTA - SECOS & MOLHADOS


Por Natan Castro

Certa vez o filósofo Luis Carlos Maciel disse “Surgiram e acabaram logo (...) como se tivessem sido um brilho súbito de um quasar, uma suave explosão, um sonho irrepetível”, e foi exatamente isso que aconteceu com a banda brasileira de maior sucesso nos anos 70 no Brasil, o Secos & Molhados. Durante muitos anos eles detiveram o primeiro lugar de banda que vendeu mais discos no país, só sendo desbancado pelo grupo de rock RPM na década de 80. Tendo sua formação como um trio, com o português João Ricardo tocando violão de 12 cordas, Gerson Conrad violão e Ney Matogrosso fazendo os vocais que, diga-se de passagem, marcaram os dois únicos álbuns da banda.

Secos e Molhados é antes de tudo uma criação de João Ricardo, um português filho de um poeta, que logo quando chegou ao Brasil em 1964 teve a ideia de musicar poemas famosos de poetas brasileiros e portugueses usando como pano de fundo um instrumental acústico, eram oficialmente era um trio, porém usavam nas gravações e nas apresentações músicos convidados. O sucesso logo após o lançamento do primeiro disco denominado apenas Secos & Molhados foi espetacular, não só pela qualidade das canções, mas também pela postura de palco e pelo visual andrógino usado pelos integrantes da banda. Vivíamos o inicio dos anos setenta e a banda em sua musicalidade tinha belas canções misturando as levadas do rock’n’rool com alguns ritmos latinos, eram os tempos do gliter rock nos E.U.A e na Europa e a estética da androginia rolava solta no cenário do rock tendo como mentores David Bowie, Lou Reed e Marc Bolan. Esses ingredientes influenciaram os integrantes do Secos & molhados, realizando uma espécie de androginia à brasileira que deu sem duvidas muito certo.


Com sucesso estrondoso alcançando todas as classes sociais do país. Inclusive o público infantil, o grupo encerrou suas atividades logo depois do lançamento do segundo disco em 1974. Marcando de vez seu nome na musica popular brasileira, sendo eles reverenciados até hoje como fenômenos de massa naqueles anos. Logo depois os integrantes iniciaram carreira solo, mas somente Ney Matogrosso conseguiu obter êxito, estando até hoje no meio musical lançando discos de relativa qualidade.