O
ano de 2016 foi um ano de despedida no mundo da música, alguns grandes nomes da
música pop se foram em 2016, David Bowie,
Leonard Cohen, Lemmy Kilminster só para citar alguns. A critica especializada
já arrisca falar no fim de uma era do rock, sem dúvidas grandes artistas que
foram responsáveis por grandes momentos no rock e da música pop deram adeus a
suas trajetórias artísticas deixando saudade em todos nós. Alguns desses nomes
estão na lista de dez grandes discos lançados na gringa em 2016. Atualmente as
listas são de extrema importância para entendermos como e porque artistas
consagrados ainda continuam lançando materiais relevantes, bem como verificar
as grandes apostas de sucesso num período vindouro.
Boa noite a todo mundo. Eu estendo minhas mais calorosas saudações aos membros da Academia Sueca e a todos os outros convidados e convidadas de distinção presentes na noite de hoje.
Sinto muito não poder estar pessoalmente com vocês, mas, por favor, saibam que absolutamente estou com vocês em espírito, e que fico honrado de receber um prêmio de tamanho prestígio. Receber o Prêmio Nobel de Literatura é algo que eu nunca teria podido imaginar, nem prever. Desde muito jovem me é familiar a experiência de ler e absorver as obras daqueles que foram considerados à altura desta distinção: Kipling, Shaw, Thomas Mann, Pearl Buck, Albert Camus, Hemingway. Sempre me causaram profunda impressão esses gigantes da literatura cuja obra é tema de aulas, fica abrigada em bibliotecas de todo o mundo e é mencionada com palavras de reverência. O fato de eu agora me juntar aos nomes dessa lista me deixa definitivamente sem palavras.
Não sei se esses homens e mulheres um dia pensaram na honra do Nobel como algo que pudesse lhes caber, mas imagino que qualquer um que escreva um livro, ou um poema, ou uma peça de teatro em qualquer lugar do mundo pode acalantar esse sonho secreto, bem no fundo. Provavelmente enterrado tão fundo que eles nem sabem que está ali.
Se um dia alguém me dissesse que eu tinha a mais remota chance de ganhar o Prêmio Nobel, eu seria obrigado a pensar que teria mais ou menos a mesma chance de pisar na lua. A bem da verdade, durante o ano em que eu nasci e por alguns anos ainda não houve ninguém no mundo que fosse considerado digno de receber este Prêmio Nobel. Então, reconheço que estou de fato na mais rara das companhias, para dizer o mínimo.
Eu estava em turnê quando recebi essa notícia surpreendente, e levei mais do que uns poucos minutos para assimilar adequadamente a ideia. Comecei a pensar em William Shakespeare, a grande figura literária. Imagino que ele se considerasse um dramaturgo. A ideia de que estivesse escrevendo literatura não podia ter lhe passado pela cabeça. Suas palavras eram escritas para o palco. Destinadas a ser pronunciadas, e não lidas. Quando estava escrevendo Hamlet, tenho certeza que ele estava pensando em muitas coisas diferentes: “Quem são os atores certos para esses papéis?” “Como isso aqui deveria ser encenado?” “Será que é a melhor ideia ambientar a peça na Dinamarca?” Sua visão criativa e suas ambições sem sombra de dúvida estavam no primeiro plano em sua mente, mas havia também questões mais prosaicas que ele devia considerar e resolver. “O financiamento está encaminhado?” “Vai haver poltronas boas para todos os mecenas?” “Onde é que eu vou arranjar uma caveira humana?” Eu seria capaz de apostar que a questão mais afastada da mente de Shakespeare era “Isso é literatura?”.
Quando comecei a escrever canções, na minha adolescência, e mesmo quando comecei a ter algum renome por causa da minha capacidade, minhas aspirações para essas canções só iam até aí. Eu achava que elas podiam ser ouvidas em cafés ou em bares, talvez em lugares como o Carnegie Hall, o London Palladium. Se estivesse sonhando bem alto, talvez pudesse imaginar que ia conseguir gravar um disco e aí ouvir minhas músicas no rádio. Era esse o grande prêmio que eu tinha mente. Gravar discos e ouvir suas próprias músicas no rádio queria dizer que você estava chegando a um grande público e que não precisava parar de fazer o que tinha decidido fazer.
Bom, eu venho fazendo o que decidi fazer já há bastante tempo. Gravei dezenas de discos e fiz milhares de shows no mundo todo. Mas as minhas canções é que são o centro vital de quase tudo que eu faço. Parece que elas encontraram um lugar na vida de muita gente de muitas culturas diferentes e sou grato por isso.
Mas tem uma coisa que eu preciso dizer. Como artista eu já toquei para 50.000 pessoas e já toquei para 50 pessoas e posso dizer a vocês que é mais difícil tocar para 50. Cinquenta mil pessoas têm uma só persona, o que não acontece com 50. Cada pessoa tem uma identidade separada, individual, um mundo todo seu. Elas podem perceber tudo com mais clareza. Sua honestidade e como ela se relaciona com a extensão do seu talento entram em julgamento. O fato de que o comitê do Nobel é tão pequeno não é algo que tenha passado despercebido para mim.
Mas, como Shakespeare, eu normalmente estou ocupado demais lidando com meus projetos criativos e tratando de todos os aspectos das questões prosaicas da vida. “Quem são os melhores músicos para essas canções?” “Será que estou gravando no estúdio certo?” “Será que essa música está no tom certo?” Certas coisas não mudam nunca, nem em 400 anos.
Nem uma única vez eu tive tempo de me perguntar, “Será que as minhas canções são literatura?”.
Então, agradeço realmente à Academia Sueca, tanto por ter parado para considerar precisamente essa questão quanto por oferecer, afinal, uma resposta tão maravilhosa.
01.Axl Rose é um anagrama para o sexo
oral, e seu nome verdadeiro é William Bailey.
02.O Clash "Rock The Casbah"
foi escrito após a proibição da música rock no Irã.
03.Bono Vox ganhou seu apelido de uma
loja de aparelhos auditivos.
04.Design de logotipo da língua dos
Rolling Stones foi inspirado pela deusa Hindu indiana Kali o contratorpedeiro .
05.A banda Lynyrd Skynyrd tem esse nome
por causa de um professor do ensino médio, Leonard Skinner, que suspendia os
estudantes por ter cabelos longos.
06.O título da música "Black
Dog" do Led Zeppelin, surgiu por causa de um labrador preto que entrou no
estúdio durante a gravação.
07.The Doors foi a primeira banda a
anunciar um novo álbum em um outdoors.
08. "Purple Rain" do Prince, na verdade
é uma analogia à música Purple Haze do Jimi Hendrix.
09.Depois de cometer um erro durante a
gravação de "Hey Jude" Paul McCartney diz: "Oh, porra" em
02:58.
10. Primeiro esboço de "Like a Rolling
Stone" de Bob Dylan continha seis páginas.
Mito do jazz entre as décadas de 1930 e 1950, Billie Holiday foi criadora de um modo peculiar de viver e de cantar que marcou a carreira de uma série de cantoras estadunidenses, como Sarah Vaughan e Ella Fitzgerald. Infelizmente, a grande dama morreu pobre, viciada em heroína e já praticamente sem voz. Somente depois de morta foi reconhecido seu papel de vanguarda na criação e popularização de um estilo musical que veio a conquistar adeptos no mundo todo. Esta obra conta de maneira pungente e dramática a história de sua vida conturbada, da infância até o início da década de 1950. Expõe cruamente seus percalços com a polícia, a perseguição que sofreu por parte da imprensa, os dissabores amorosos e os meandros do submundo das drogas e do showbiz.
Em sua biografia à três, Weller ilumina a arte e a vida interior dos ícones que ela examina, mostrando como seus caminhos se cruzaram dentro de uma cultura que ajudou a criar. Segundo a publicação, Girls atinge um raro equilíbrio high-low, servindo-se de fofoca, enquanto analisa o complexo papel de estralas como mulheres e criadoras.
Como Guralnick escreve, “são as pessoas cujas histórias muitas vezes não tem sido contadas.” Apesar de ter sido publicado no final dos anos 1970, os retratos de Elvis, Bobby “Blue” Bland e outros tem uma qualidade atemporal que irá continuar a ser significativa para qualquer fã de música.
Mingus foi um dos verdadeiros esquisitões do jazz, um baixista talentoso e compositor, que mudou para um ritmo todo seu, tanto musicalmente e figurativamente. Não é nenhuma surpresa que sua autobiografia está longe de ser tradicional: este é um livro expressionista, poético, divertido e estranho, inflamado pela iconoclastia intelectual e musical de Mingus, bem como sua ira.
Combinando visão em primeira mão de um participante com diligência e objetividade de um historiador, Savage baseia-se em centenas de horas de entrevistas, não só cronologicamente a ascensão vertiginosa The Sex Pistols e a queda, mas também para oferecer um retrato vívido do conturbado país, exausto que gerou um grupo historicamente explosiva de descontentes.
Contando, ninguém acredita, mas Pamela desfilou com Jim Morrison a tiracolo, foi namorada de Jimmy Page e, depois de resistir a muitas cantadas, acabou cedendo ao ardente desejo de Mick Jagger – para citar apenas três dos mais famosos -; cuidou dos filhos de Gail e Frank Zappa; formou o grupo GTO, Girls Together Only, e se tornou grande amiga de Robert Plant. E ela sabe contar como ninguém uma história muito peculiar da cena rock and roll numa época em que até o showbiz era ingênuo, mas nem por isso menos alucinante. Misturando sua narrativa com trechos dos diários que mantinha com afinco, letras de canções e transcrições de bilhetes, Pamela conduz os leitores com leveza e autenticidade pelos bastidores dos palcos onde se criaram grandes fenômenos do rock. E, ao mesmo tempo, abre o coração da garota que acreditou e viveu o amor livre acima de todas as coisas. A história de Pamela Des Barres inspirou Kate Hudson e Goldie Hawn em seus papéis de groupies nos filmes Quase Famosos e Doidas Demais.
Um namoro terminado, uma loja de discos prestes a falir e um amor incondicional por boa música: eis a vida de Rob, o herói deste romance que se tornou um clássico da melhor literatura pop. Rob é um sujeito perdido. Aos 35 anos, o rompimento com a namorada o leva a repensar todas as esferas da vida: relacionamento amoroso, profissão, amizades. Sua loja de discos está à beira da falência, seus únicos amigos são dois fanáticos por música que fogem de qualquer conversa adulta e, quanto ao amor, bem, Rob está no fundo do poço. Para encarar as dificuldades, ele vai se deixar guiar pelas músicas que deram sentido à sua vida e descobrir que a estagnação não o tornou um homem sem ambições. Seu interesse pela cultura pop é real, sua loja ainda é o trabalho dos sonhos e Laura talvez seja a única ex-namorada pela qual vale a pena lutar. Um romance sobre música e relacionamento, sobre as muitas caras que o sucesso pode ter e sobre o que é, afinal, viver nos anos 1990. Com rajadas de humor sardônico e escrita leve, a juventude marinada em cultura pop ganhou aqui seu espaço na literatura.
“Tem gente que nasce rebelde. Lendo a história de Zelda Fitzgerald, identifiquei-me com seu espírito insubordinado. Lembro de passear com minha mãe olhando vitrines e perguntar por que as pessoas não chutavam e quebravam aquilo.” É com esse tom franco e irreverente — e ao mesmo tempo doce e poético — que Patti Smith revive sua história ao lado do fotógrafo Robert Mapplethorpe, enquanto os dois tentavam ser artistas e transformar seus impulsos destrutivos em trabalhos criativos. Só garotos é uma autobiografia cativante e nada convencional. Tendo como pano de fundo a história de amor entre Patti e Mapplethorpe, o livro é também um retrato apaixonado, lírico e confessional da contracultura americana dos anos 1970, desfiado por uma de suas maiores expoentes vivas.
Existem quase tantas razões pelas quais Vida se tornou uma grande referência para as autobiografias do rock, como há páginas no livro. O que o mito do rock Keith Richards revela em livro surpreende até quem conviveu com ele, verdades até hoje não ditas. Imagina para os fãs do Rolling Stones?
Concentrando-se em seus anos de fome, em meio a cena popular, no início dos anos 60 na rica Nova York, Dylan empresta um brilho romântico para os clubes enfumaçados da cidade e seus habitantes coloridos, como Dave Von Ronk, Richie Havens e Tiny Tim, saudando os poetas que primeiro acenderam seu desejo pelas palavras – Byron, Shelley, Poe – ao longo do caminho.
Mais tarde, ele destaca dois álbuns menos conhecidos, mas cruciais: New Morning, que capturou a necessidade de Dylan pela família e privacidade, e Oh Mercy, possivelmente, o seu trabalho mais interessante. Aqueles que procuram anedotas sobre suas mais conhecidas canções vão ficar enlouquecidos querendo as duas memórias seguintes prometidas por Dylan no futuro. Nesse meio tempo, ele oferece preces às inspirações musicais mais óbvias (Robert Johnson) e algumas nem tanto (Brecht e Weill). Contada em prosa e fiel à imagem astuta de Dylan, o livro é por vezes sincero, perspicaz e evasivo. Dada a natureza distante do artista, a narrativa é extremamente reveladora.
Em
2016 está fazendo vinte anos da morte de Renato Russo, o líder da Legião Urbana
figura com outros grandes nomes da geração do rock anos 80 como um dos principais
letristas. Como tal Renato Russo descende de uma tradição de grandes letristas
do rock, que vem desde Bob Dylan, passando por David Bowie, Jim Morrison, Neil
Young, Ian Curtis chegando até Morrissey ex-lider do The Smiths mítica banda de
rock inglês dos anos 80.
Abaixo
uma lista dos cinco melhores discos da Legião Urbana, traçando um paralelo com
o momento político-social do Brasil, as análises focam nas composições de Renato
Russo e sua devida importância para uma geração fãs e admiradores.
Legião Urbana – Dois
1986
a banda lançou o segundo disco da carreira, é visível a evolução da banda no
que diz respeito a produção e desenvolvimento das músicas em estúdio. Produzido
por Mayrton Bahia o disco é recheado de hits a maioria deles de alcance
nacional, o Brasil havia passado pela expectativa de grandes mudanças nos rumos
do país por conta eleições de 1985, o anúncio da morte de Tancredo Neves que
era visto como um verdadeiro salvador da pátria havia jogado um balde de água
fria nas esperanças do povo brasileiro.
Nas
letras Renato Russo começava a delinear o estilo característico de relatar experiências
pessoais de forma poética em suas canções. “Dois” da Legião Urbana é um
discaço. Em Daniel na Cova dos Leões ele cita a bíblia poetizando
acontecimentos pessoais, Eduardo e Mônica ele cita a influência de Dylan com as
canções que contam pequenas histórias, em Tempo Perdido ele inicia cantando os
versos “Todos os dias quando acordo, não tenho
mais o tempo que passou”. A canção é uma bela referência ao escritor
francês Marcel Proust e o seu Em Busca do Tempo Perdido. Com esse
disco o Brasil começava a conhecer a maior banda de rock daquela geração e porque
não dizer o poeta maior daquela geração que ele mesmo denominou Geração Coca-Cola.
Legião Urbana – As Quatro
Estações
Em
1989 o Brasil vivia as lamúrias dos planos econômicos da era Sarney, inflação
altíssima e todo tipo de desesperanças político-sociais. Uma nova eleição trazia
mais uma vez a possibilidade de grandes mudanças, pela primeira vez em muitos
anos o Brasil iria escolher seu presidente da república através do voto direto. A banda Legião Urbana nesse período já
carregava o titulo de uma mega banda de rock nacional, com milhões de discos
vendidos, shows lotados alguns deles em estádios. Nas letras Renato Russo
destilava os dissabores de alguns relacionamentos que não deram certo, era visível
esse acerto de contas com o lado sentimental do poeta através de suas canções.
O
disco já inicia com essa que é uma das melhores letras do rock nacional, em Há
Tempos ele trata das vicissitudes que espreitam os confusos anos da
juventude, uma grande canção da banda, que impressiona por não conter refrão,
recheada de grandes versos e belíssimas metáforas, a impressão que passa que a
cada novo verso um novo refrão, uma canção genial. Nesse disco Renato Russo
começa abordar o tema da homossexualidade de forma mais definida, canções como Feedback
Song For a Dying Friend, Meninos e Meninas demonstra
claramente sua opção sexual que em determinados momentos se mostrava ambígua também.
Em Pais
e Filhos ele insiste no perigo da autodestruição que sempre paira sobre a fase
adolescente, a música era cantada em uníssono nos shows no Brasil a fora. O nome
do disco cita também um problema de saúde mental que ficaria mais claro anos
depois, a dependência química, com tendências a drogas e álcool, tudo por conta
da bipolaridade um tema que somente anos depois passava a ser encarado de forma
mais atenciosa no país e no mundo, Renato Russo foi um dos primeiros artistas a
começar a tocar no assunto.
Legião
Urbana – V
Em
1991 o Brasil vivia o período Collor de Melo, o mais jovem presidente da
história do país, alçado ao cargo por uma massa de jovens, a grande maioria da
classe feminina que se sentiu atraída a nomear um jovem politico para o cargo. Um
ano depois esses mesmos jovens pintaram as caras e foram as ruas gritar pelo
impeachment do presidente. A legião Urbana lança o álbum V, esse é sem dúvidas
o disco mais tétrico no alto sentido da palavra, a banda retorna ao post-punk
movimento ao qual se enquadrava no inicio de carreira. A banda cita o disco
Pornography do The Cure como influência para os temas arrastados que é a tônica
sonora do disco.
Nas
letras Renato Russo passa a limpo uma das fases mais difíceis de sua vida, um
ano antes havia descoberto ser portador do vírus HIV. A fase pesada fica
bastante clara em canções como Metal Contra as Nuvens, de alguma
forma um acerto de contas pelos erros, o poeta descia ao inferno e subia aos
céus pedindo clemência a um deus que até então nem parecia existir. Em A Montanha
Mágica ele cita mais uma vez um grande escritor dessa vez o alemão
Thomas Mann, “Minha papoula da índia, minha
flor da Tailândia, és o que me fazes tão mal”. A temática das drogas é
recorrente nessa fase. L'Âge D'Or ele canta “Já tentei muitas coisas, de heroína a Jesus,
tudo que já fiz foi por vaidade”. É bastante claro um catálogo de
arrependimentos e ele canta isso de peito aberto, as canções da Legião urbana
representavam para Renato uma espécie de divã. O disco tem ainda a belíssima Vento
no Litoral e O Mundo Anda Tão Complicado era
quando ele se dava ao luxo de dar trégua a essa batalha existencial que travava
consigo mesmo.
Legião Urbana - O
Descobrimento do Brasil
Em
1993 o Brasil vivia um período mais sossegado, os anos de crise haviam deixado
marcas indeléveis no povo brasileiro, após da saída de Collor de Mello, o vice
Itamar Franco havia assumido e realizado o importante trabalho de começar a
colocar a economia nos trilhos, logo depois entregaria a presidência a Fernando
Henrique Cardoso que fora seu ministro da fazenda, logo teríamos uma nova moeda
e inflação controlada.
O
disco novo da Legião vinha com um titulo inusitado, O Descobrimento do Brasil,
o titulo era na verdade uma homenagem a uma nova geração que recebia o legado
da banda de braços abertos eram os filhos dos primeiros legionários. As letras
nesse disco parecem mais maduras no que diz respeito a vida pessoal do
letrista. Renato Russo citava nas entrevistas o seu filho, o filho seria fruto
de uma noite com uma modelo que teria morrido em um acidente de carro logo
depois do nascimento da criança. Mais tarde descobriu-se que Renato Russo havia
adotado uma criança e tinha dado a ela o nome de santo com cantou em Pais
e Filhos. O disco possui belas baladas, como Vamos Fazer Um Filme, Vinte
e Nove, Anjos.
No
campo da consciência politica Renato Russo compôs uma das suas melhores canções
de cunho politico, A Perfeição é uma grande letra, nela o poeta descarrega sua metralhadora
de versos mordazes citando todas as mazelas de uma sociedade desigual e joga a
conta na cara de uma classe politica inepta aos anseios de um país que não parava
de crescer em desigualdades. Em Só Por Hoje o letrista canta seus
problemas com dependência química poetizando o problema em forma de canção, a
genialidade de Renato Russo como compositor deve também ser explicitada por
essa capacidade de poetizar suas dores nas canções. Em suma mais um grande
disco de uma grande banda de rock.
Legião Urbana – A Tempestade
Em
1996 o país vivia a estabilidade econômica trazida por uma moeda forte, os
mecanismos de sufocação da inflação se demonstravam acertados, os tempos de
preços altos nas mercadorias haviam ficado para trás. A banda havia abandonado
uma turnê nacional, os problemas depressivos de Renato Russo causados pela
bipolaridade, levavam o poeta ao uso abusivo de álcool e drogas, além é claro
da AIDS. O disco todo foi produzido e gravado em meio a tensões enormes, os
ataques de personalidade de Renato Russo causaram grandes estragos na gravação
do disco, tudo isso fica visível na voz do cantor durante a interpretação das canções do disco.
O disco foi produzido por Carlos Trilha e mostrava uma banda madura flertando
com novas vertentes do rock pop, os arranjos são os mais elaborados de toda a
discografia. As letras representam a fase mais pesada e podemos dizer
destrutiva de toda a trajetória de Renato Russo como compositor. Quem ouviu o
disco na época do lançamento percebeu que algo muito desesperador estava
prestes a acontecer, era um disco da Legião Urbana, mas de uma Legião
estranhamente diferente de anos atrás. Os versos mais mordazes e tristonhos
estão nesse disco, pode-se perceber isso nas músicas Mil Pedaços, A Via Láctea e O
Livro dos Dias. O canto do cisne da banda mesmo em meio a tanta
tristeza ainda possui sim tentativas de reação por parte de Renato Russo, é visível
isso em Dezesseis, Leila e 1⁰ de Julho.
Logo
depois do lançamento a noticia fatídica do falecimento precoce de Renato Russo
deixou atônita toda uma legião de fãs no país inteiro. Acabava ali com a morte
do líder da Legião Urbana o fim de um ciclo brilhante de uma geração que nos
trouxe talentosíssimos músicos e compositores. Seis anos atrás havíamos perdido Cazuza e no rock de fora
o impressionante Freddie Mercury, todos para o vírus HIV. Se Cazuza havia cantado “Meus heróis morreram de overdose”. Os
nossos heróis da geração dos anos 80 estavam desaparecendo por conta dessa doença
injusta e mortal. A lacuna deixada pela Legião Urbana em termos sonoros e
poéticos no rock e na música brasileira é sentido até hoje, o tempo serviu para
mostrar a todos que a Legião Urbana de Renato, Dado e Marcelo Bonfá é e sempre
será a maior banda de rock desse país.
Bob Dylan, cantor e compositor norte-americano de clássicos como "Blowin' in the Wind" e "Like a Rolling Stone", é o vencedor do prêmio Nobel de Literatura de 2016. A notícia foi recebida com surpresa: no ambiente geralmente formal, ouviram-se gritos e aplausos na sala onde a porta-voz da Academia Sueca, Sara Danius, fez o anúncio nesta quinta-feira (13), em Estocolmo, às 8h (horário de Brasília).
Danius disse que Dylan foi agraciado por ter "criado novas expressões poéticas dentro da grande tradicional canção americana". Ela ainda traçou paralelos entre a obra dele e a dos poetas gregos Homero e Safo. "Eles faziam poesia para ser ouvida e para ser apresentada com instrumentos. Nós lemos Homero e Safo e gostamos até hoje. É o mesmo com Dylan. Ele pode ser lido, deve ser lido, e é um grande poeta da língua inglesa. E ele faz isso se reinventando constantemente".
Dylan --que já tem 12 prêmios Grammy, um Oscar, um Globo de Ouro, um prêmio Pulitzer e o Príncipe das Astúrias das Artes em 2007-- é o primeiro compositor de canções a ganhar o prêmio máximo da literatura. Mas, além de ser músico e um pintor amador, Dylan tem também 30 livros publicados. É autor, entre eles, do livro "Tarântula", uma coletânea de poesias que ele lançou em 1966 e que foi publicada no Brasil em 1986 pela Editora Brasiliense. Também já lançou sua autobiografia, "Crônicas Vol. I", que chegou no Brasil em 2005.
"Se uma pessoa quer começar a escutar ou ler [Dylan] deveria começar com 'Blonde on Blonde', o disco de 1966, que tem vários clássicos e é um exemplo extraordinário de seu jeito brilhante de fazer rimas, posicionar os refrãos e seu pensamento em imagens", aconselhou Sara Danius, admitindo que não era muito fã do trabalho de Dylan e que preferia David Bowie. "Talvez fosse uma questão de geração. Hoje eu adoro Bob Dylan."
Embora o nome de Dylan tenha sido cotado para o prêmio há vários anos, ele não estava entre os favoritos nas atuais bolsas de apostas --a liderança era do japonês Haruki Murakami junto ao sírio Adonis e o romancista queniano Ngugi wa Thiong'o. Os norte-americanos Don DeLillo, Philip Roth e Joyce Carol Oates também estavam entre as apostas.
Junto com o prêmio, o autor ganha também 8 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 2,9 milhões) e uma medalha, que serão entregues em uma cerimônia no dia 10 de dezembro. Dylan, que completou 75 anos em maio, é o primeiro americano a ganhar o prêmio desde 1993, quando Toni Morrison levou o título.
Trajetória
Batizado de Robert Allen Zimmerman, Dylan nasceu em Duluth, Minessota, em 24 de maio de 1941. Na adolescência, tocou em diversas bandas e, com o tempo, seu interesse pela música se aprofundou, com paixão especial pela música folk e pelo blues. Um de seus ídolos é o cantor folk Woody Guthrie. Ele também foi influenciado pelos autores da Geração Beat, assim como pelos poetas modernistas.
Criado em uma família judaica, Dylan largou a faculdade e se mudou para Nova York, onde se tornou famoso no início dos anos 1960. Em 1962, lançou seu primeiro álbum, "Bob Dylan". Mas foi com o segundo, "The Freewheelin' Bob Bylan", de 1963, que ele revelou seu talento como compositor (é deste trabalho a música "Blowin' in the Wind"). O disco mais recente é "Fallen Angels", lançado em maio deste ano.
Dylan foi eleito em 2004 pela revista norte-americana "Rolling Stone" o segundo melhor artista de todos os tempos, atrás apenas dos Beatles.
Dylan --que tem quase 40 discos lançados-- segue em plena atividade e tem feito, desde 1988, uma média anual de cem apresentações --o maior intervalo foi de apenas três meses.
A revolução tecnológica
ocorrida nos últimos trinta anos em muito se deve a contribuição trazida por
jovens estudantes que na virada dos anos 60 para os 70, amavam computação na
mesma medida que amavam seus heróis da música. Steve Jobs e Steve Wozniack as
duas cabeças pensantes por detrás da revolução do computador pessoal, eram ambos
amantes de ídolos do rock, fãs assumidos de Beatles e Bob Dylan. Ambos
piratearam ainda nos anos 70 diversos áudios de concertos de Bob Dylan, tudo
isso muito antes do boom da troca livre de música pela internet nos anos 90.
No final dos anos
90 e inicio dos anos 2000, a indústria fonográfica se encontrava encurralada em
âmbito mundial. O motivo era o crescimento substancial de downloads de músicas causados
pelo surgimento de programas como o Kazaa, Napster e
outros. Em contra partida a queda na venda de cd`s só aumentava. Por volta de
2002 diretores de grandes gravadoras como Sony Music, Warner e Universal foram
pedir o auxilio da Apple para evitar o que seria a possível pulverização da própria indústria
fonográfica. A princípio Steve Jobs desejou saber como eles imaginavam travar
uma batalha capaz de reduzir ou acabar com os downloads ilegais de música. Após
ouvi-los alertou a todos que caso continuassem com aqueles planos a indústria sucumbiria
fatalmente em poucos meses.
Depois de uns
dias pensando sobre o assunto, Jobs percebeu que a saída estava na tradição que
ajudara a criar no âmbito da sua própria empresa a Apple. Desde os inicio dos
trabalhos da Apple na indústria de computadores, o mago da tecnologia sempre
teve certeza que o futuro de sua empreitada estava ligada a certeza de nunca
ter a patente de seus produtos plageados por nenhuma outra empresa de
tecnologia. Essa cultura de proteção imposta por Jobs desde o nascimento da
Apple seria a saída para a indústria fonográfica. Em suma a sua ideia era
vender as músicas dos artistas de forma unitária dentro de uma plataforma na
internet, até ai todos concordavam, mas algo causou o estranhamento das
gravadoras e dos artistas em geral, na visão de Jobs as músicas seriam vendidas
cada uma por 99 centavos de dólar. A ideia de Jobs era oposta a uma tradição da
indústria de vender álbuns, que possuíam muito mais de uma música. A verdade
que o pai do iMac já tinha todo plano definido em sua cabeça, a música vendida
por 99 centavos de dólar na iTunes Store, estaria protegida de downloads
indevidos pelo motivo de somente poder ser copiada para dentro de IPods
(tocador de música da Apple) e iMacs (Versão moderna do primeiro computador
pessoal criado por Jobs no inicio dos anos 80). Ou seja, desta forma ele
ficaria com 5% das vendas das músicas, 70% iria para as gravadoras e o restante
para os artistas. No lançamento do iTunes Store em 2003 Steve Jobs chamava a
atenção que na verdade nenhum fã de música desejava roubar músicas em formato
digital, mas até aquele momento eles não tinham outra opção, com a chegada da
plataforma da Apple as coisas mudariam e de fato mudaram. Após seis dias do lançamento
do iTunes Store a plataforma já havia vendido 1 milhão de músicas, no seu
primeiro ano de existência alcançou a marca de 70 milhões de musicas vendidas. Ajudando
a salvar a indústria da música Jobs ajudou também a alavancar também a venda de
iPods e iMacs ganhando talvez bem mais que as gravadoras, uma verdadeira jogada
de mestre. Além é claro criar o cerne daquilo que seria o retorno da
rentabilidade das grandes gravadoras depois de muito tempo, o atual fenômeno do
streaming.