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6 de fev. de 2017

Quase dois meses depois, corpo de George Michael ainda não foi enterrado



A polícia britânica segue investigando a causa da morte de George Michael um mês e meio depois do ocorrido. O cantor foi encontrado morto pelo namorado no dia 25 de dezembro, em sua casa. 
Fadi Fawaz, que estava em um relacionamento com o cantor há quatro anos, já foi interrogado pelos investigadores, que voltaram a afirmar que a morte não é suspeita, apesar de ainda não ter sido esclarecida. Por isso, o corpo ainda não pode ser enterrado e novos testes toxicológicos devem ser feitos.
Fadi foi questionado se George temia morrer de overdose e as últimas horas do casal. Ele contou aos policiais ter dormido no carro na noite em que o cantor morreu.
O próximo passo da polícia será questionar vizinhos para esclarecer como foram os últimos sete dias de vida de George Michael e quem entrou e saiu da casa dele. As informações são do tabloide britânico "The Sun".
Divulgado no dia 30 de dezembro, o primeiro laudo sobre a causa da morte de George Michael teve resultado inconclusivo. O relatório da autópsia apontava que a morte é "inexplicável, mas não suspeita".
Fonte: Site Uol

17 de jan. de 2017

David Bowie (Low) - 40 anos de um Mito da Música Pop



Existiram no passado alguns eventos que de uma forma ou de outra foram responsáveis por mudanças e indicadores de novos rumos na música pop.  Foi assim com a explosão do rock'n'roll trazida por Elvis e os outros astros do rockabilly, foi assim quando os Beatles desembarcaram no aeroporto J.F. Kennedy em Washington D.C dando inicio a Invasão Britânica. Depois com o desbunde californiano o que desencadeou tempo depois no festival Woodstock. Na virada dos 60 para o 70 influenciados pela chegada do homem a lua, músicos da Alemanha e outros países da Europa deram inicio ao movimento do Rock Progressivo. Esses pontos de inferência representaram com o passar dos anos esse vetor de mudanças, algumas delas não só sonoras, como estéticas.

Em meados da década de setenta David Bowie já havia colocada sua impressão digital no mundo do rock, com uma série de discos que com o passar dos anos foram se sustentando como uns dos mais importantes do inicio dos anos 70. Sua imagem como artista iconoclasta já havia se espalhado por todo showbizz, as personas interpretadas por ele nesse período como o famoso alienígena Ziggy Stardust que ao chegar no planeta terra havia se tornado um astro do rock é um dos mais conhecidos e festejados pela critica e pelos fãs até os dias atuais.

Por volta de 1976 o artista morava em Los Angeles, vivenciando toda sua fama como mega astro do rock, como era de praxe todos os astros da música daquele período também tiveram que lidar com os problemas envolvendo substâncias químicas ilícitas, festas regadas a muita cocaína, produções de discos, shows lotados, imprensa aos seus pés. Tudo isso levaria o artista a um colapso nervoso-depressivo factual, ao perceber a chegada dessa situação limite, David resolveu mudar de ares, algo que o fez tomar a decisão de passar uma temporada em Berlim na Alemanha. Algo que ficou conhecido como a fase Berlim de David Bowie.


O músico se absteve das drogas e trouxe para fazer parte dessa nova fase de sua carreira, o velho amigo e produtor Tony Visconti e o grande tecladista Brian Eno ex-integrante da banda Roxy Music, há quem diga que Iggy Pop também esteve passando uma temporada com David em Berlim nessa época, depois do lançamento do genial "The Idiot" que fora produzido por David Bowie. Em 14 de Janeiro de 1977 foi lançado um dos discos mais emblemáticos da carreira do músico, Low possui em sua sonoridade muito do que o espírito do artista conseguiu absorver da cidade de Berlim. O disco representa um mergulho no underground, num mundo alternativo que era inversamente proporcional ao sucesso almejado pelo jovem David Bowie na virada da década. Como disse algum critico no período do lançamento "Um mar petrificado por sons de sintetizadores" se referindo as camadas sonoras imprimidas por Brian Eno durante todo o disco, o pulsar de um baixo elétrico que em diversas músicas profetizavam algo que viria ser uma tônica poucos anos depois, talvez o artista nem tenha se dado conta, mas com o lançamento desse disco seminal, jogou luz em caminhos que seriam trilhados por uma nova leva de músicos no inicio dos anos 80, mostrando que a música pop é bem verdade sempre de tempos em tempos consegue se movimentar e mostrar estéticas sonoras inéditas. Bandas como Joy Division, The Cure, Echoo And The Bunnymen e outras que fizeram parte do post-punk e da New Wave citam Low como momento preponderante para o inicio de seus projetos sonoros.

Por Natan Castro


29 de dez. de 2016

2016 - O ANO QUE MÚSICA A QUER ESQUECER



Por Natan Castro

2016 chega ao fim como um dos anos mais atípicos na história da música pop. A quantidade de grandes nomes da música que se foram em 2016 chama a atenção, se foram David Bowie, Leonard Cohen, Billy Paul, Prince, George Michael e no Brasil perdemos um intérprete lendário Cauby Peixoto e um dos mais talentosos compositores da nova geração o mineiro Vander Lee.


By Bernard Avishai
O adeus de nomes como David Bowie e Leonard Cohen acabam por nos chamar a atenção para um reflexão, seria o fim de uma era na música pop? Com certeza estamos vivenciando esse período de transição, a importância de um artista completo como Bowie para a música é gigantesca. Ele pode ser tranquilamente considerado a própria personificação do artista pop, grande compositor, front man impressionante, alguém que sobrepôs a imagem do artista sendo considerado como poucos um ícone, uma estrela de grande brilho, artista que ultrapassou as fronteiras da música chegando a influenciar moda e cinema.

Em outro patamar temos Leonard Cohen um poeta na acepção da palavra, que aos trinta se encantou pelo showbizz e enveredou pelo mundo da música com a propriedade de poucos. No ano que Bob Dylan ganhou o Nobel de literatura pelos seus serviços poéticos incutidos nas letras de suas músicas, Leonard Cohen era do outro lado alguém que fez o caminho inverso, escritor de sucesso no Canadá o poeta encantou gerações de fãs e construiu um leque de grandes nomes da música que surgiram tendo como influência certa seus versos, suas canções.


2016 é um ano que a música vai desejar arrancar de sua história. É visível o fim de um ciclo, quem surgirá talvez não consiga ocupar o lugar desses avatares da música, o que nos resta é aguardar e pedir que 2017 seja bem diferente, mas muito diferente que o ano que passou. 












20 de dez. de 2016

10 Grandes Discos Lançados em 2016



Por Natan Castro

O ano de 2016 foi um ano de despedida no mundo da música, alguns grandes nomes da música pop se foram em 2016, David Bowie, Leonard Cohen, Lemmy Kilminster só para citar alguns. A critica especializada já arrisca falar no fim de uma era do rock, sem dúvidas grandes artistas que foram responsáveis por grandes momentos no rock e da música pop deram adeus a suas trajetórias artísticas deixando saudade em todos nós. Alguns desses nomes estão na lista de dez grandes discos lançados na gringa em 2016. Atualmente as listas são de extrema importância para entendermos como e porque artistas consagrados ainda continuam lançando materiais relevantes, bem como verificar as grandes apostas de sucesso num período vindouro. 


BOD BYLAN - FALLEN ANGELS

THE MONKEES - GOOD TIMES

IGGY POP - POST POP DEPRESSION

MUDCRUTCH - "2"

GREEN DAY - REVOLUTION RADIO


METALLICA - HARDWAIRE.. TO SELF-DESTRUCT

LEONARD COHEN - YOU WANT IT DARKER

ROLLING STONES - BLUE & LONESOME

PAUL SIMON - STRANGER TO STRANGER

DAVID BOWIE - BLACKSTAR


13 de dez. de 2016

Bob Dylan - Discurso de agradecimento ao prêmio Nobel


Bob Dylan

Boa noite a todo mundo. Eu estendo minhas mais calorosas saudações aos membros da Academia Sueca e a todos os outros convidados e convidadas de distinção presentes na noite de hoje.
Sinto muito não poder estar pessoalmente com vocês, mas, por favor, saibam que absolutamente estou com vocês em espírito, e que fico honrado de receber um prêmio de tamanho prestígio. Receber o Prêmio Nobel de Literatura é algo que eu nunca teria podido imaginar, nem prever. Desde muito jovem me é familiar a experiência de ler e absorver as obras daqueles que foram considerados à altura desta distinção: Kipling, Shaw, Thomas Mann, Pearl Buck, Albert Camus, Hemingway. Sempre me causaram profunda impressão esses gigantes da literatura cuja obra é tema de aulas, fica abrigada em bibliotecas de todo o mundo e é mencionada com palavras de reverência. O fato de eu agora me juntar aos nomes dessa lista me deixa definitivamente sem palavras.
Não sei se esses homens e mulheres um dia pensaram na honra do Nobel como algo que pudesse lhes caber, mas imagino que qualquer um que escreva um livro, ou um poema, ou uma peça de teatro em qualquer lugar do mundo pode acalantar esse sonho secreto, bem no fundo. Provavelmente enterrado tão fundo que eles nem sabem que está ali.
Se um dia alguém me dissesse que eu tinha a mais remota chance de ganhar o Prêmio Nobel, eu seria obrigado a pensar que teria mais ou menos a mesma chance de pisar na lua. A bem da verdade, durante o ano em que eu nasci e por alguns anos ainda não houve ninguém no mundo que fosse considerado digno de receber este Prêmio Nobel. Então, reconheço que estou de fato na mais rara das companhias, para dizer o mínimo.
Eu estava em turnê quando recebi essa notícia surpreendente, e levei mais do que uns poucos minutos para assimilar adequadamente a ideia. Comecei a pensar em William Shakespeare, a grande figura literária. Imagino que ele se considerasse um dramaturgo. A ideia de que estivesse escrevendo literatura não podia ter lhe passado pela cabeça. Suas palavras eram escritas para o palco. Destinadas a ser pronunciadas, e não lidas. Quando estava escrevendo Hamlet, tenho certeza que ele estava pensando em muitas coisas diferentes: “Quem são os atores certos para esses papéis?” “Como isso aqui deveria ser encenado?” “Será que é a melhor ideia ambientar a peça na Dinamarca?” Sua visão criativa e suas ambições sem sombra de dúvida estavam no primeiro plano em sua mente, mas havia também questões mais prosaicas que ele devia considerar e resolver. “O financiamento está encaminhado?” “Vai haver poltronas boas para todos os mecenas?” “Onde é que eu vou arranjar uma caveira humana?” Eu seria capaz de apostar que a questão mais afastada da mente de Shakespeare era “Isso é literatura?”.
Quando comecei a escrever canções, na minha adolescência, e mesmo quando comecei a ter algum renome por causa da minha capacidade, minhas aspirações para essas canções só iam até aí. Eu achava que elas podiam ser ouvidas em cafés ou em bares, talvez em lugares como o Carnegie Hall, o London Palladium. Se estivesse sonhando bem alto, talvez pudesse imaginar que ia conseguir gravar um disco e aí ouvir minhas músicas no rádio. Era esse o grande prêmio que eu tinha mente. Gravar discos e ouvir suas próprias músicas no rádio queria dizer que você estava chegando a um grande público e que não precisava parar de fazer o que tinha decidido fazer.
Bom, eu venho fazendo o que decidi fazer já há bastante tempo. Gravei dezenas de discos e fiz milhares de shows no mundo todo. Mas as minhas canções é que são o centro vital de quase tudo que eu faço. Parece que elas encontraram um lugar na vida de muita gente de muitas culturas diferentes e sou grato por isso.
Mas tem uma coisa que eu preciso dizer. Como artista eu já toquei para 50.000 pessoas e já toquei para 50 pessoas e posso dizer a vocês que é mais difícil tocar para 50. Cinquenta mil pessoas têm uma só persona, o que não acontece com 50. Cada pessoa tem uma identidade separada, individual, um mundo todo seu. Elas podem perceber tudo com mais clareza. Sua honestidade e como ela se relaciona com a extensão do seu talento entram em julgamento. O fato de que o comitê do Nobel é tão pequeno não é algo que tenha passado despercebido para mim.
Mas, como Shakespeare, eu normalmente estou ocupado demais lidando com meus projetos criativos e tratando de todos os aspectos das questões prosaicas da vida. “Quem são os melhores músicos para essas canções?” “Será que estou gravando no estúdio certo?” “Será que essa música está no tom certo?” Certas coisas não mudam nunca, nem em 400 anos.
Nem uma única vez eu tive tempo de me perguntar, “Será que as minhas canções são literatura?”.
Então, agradeço realmente à Academia Sueca, tanto por ter parado para considerar precisamente essa questão quanto por oferecer, afinal, uma resposta tão maravilhosa.
Tudo de bom a cada um de vocês
Bob Dylan

17 de out. de 2016

Dez Grandes Livros Sobre a Música Pop




Mito do jazz entre as décadas de 1930 e 1950, Billie Holiday foi criadora de um modo peculiar de viver e de cantar que marcou a carreira de uma série de cantoras estadunidenses, como Sarah Vaughan e Ella Fitzgerald. Infelizmente, a grande dama morreu pobre, viciada em heroína e já praticamente sem voz. Somente depois de morta foi reconhecido seu papel de vanguarda na criação e popularização de um estilo musical que veio a conquistar adeptos no mundo todo. Esta obra conta de maneira pungente e dramática a história de sua vida conturbada, da infância até o início da década de 1950. Expõe cruamente seus percalços com a polícia, a perseguição que sofreu por parte da imprensa, os dissabores amorosos e os meandros do submundo das drogas e do showbiz.

Em sua biografia à três, Weller ilumina a arte e a vida interior dos ícones que ela examina, mostrando como seus caminhos se cruzaram dentro de uma cultura que ajudou a criar. Segundo a publicação, Girls atinge um raro equilíbrio high-low, servindo-se de fofoca, enquanto analisa o complexo papel de estralas como mulheres e criadoras.
Como Guralnick escreve, “são as pessoas cujas histórias muitas vezes não tem sido contadas.” Apesar de ter sido publicado no final dos anos 1970, os retratos de Elvis, Bobby “Blue” Bland e outros tem uma qualidade atemporal que irá continuar a ser significativa para qualquer fã de música.

7. Abaixo de cão: Autobiografia – Charles Mingus, 1971
Mingus foi um dos verdadeiros esquisitões do jazz, um baixista talentoso e compositor, que mudou para um ritmo todo seu, tanto musicalmente e figurativamente. Não é nenhuma surpresa que sua autobiografia está longe de ser tradicional: este é um livro expressionista, poético, divertido e estranho, inflamado pela iconoclastia intelectual e musical de Mingus, bem como sua ira.

6. A criação da juventude – Jon Savage, 1991
Combinando visão em primeira mão de um participante com diligência e objetividade de um historiador, Savage baseia-se em centenas de horas de entrevistas, não só cronologicamente a ascensão vertiginosa The Sex Pistols e a queda, mas também para oferecer um retrato vívido do conturbado país, exausto que gerou um grupo historicamente explosiva de descontentes.

5. Confissões de uma Groupie – Pamela Des Barres, 1987
Contando, ninguém acredita, mas Pamela desfilou com Jim Morrison a tiracolo, foi namorada de Jimmy Page e, depois de resistir a muitas cantadas, acabou cedendo ao ardente desejo de Mick Jagger – para citar apenas três dos mais famosos -; cuidou dos filhos de Gail e Frank Zappa; formou o grupo GTO, Girls Together Only, e se tornou grande amiga de Robert Plant. E ela sabe contar como ninguém uma história muito peculiar da cena rock and roll numa época em que até o showbiz era ingênuo, mas nem por isso menos alucinante. Misturando sua narrativa com trechos dos diários que mantinha com afinco, letras de canções e transcrições de bilhetes, Pamela conduz os leitores com leveza e autenticidade pelos bastidores dos palcos onde se criaram grandes fenômenos do rock. E, ao mesmo tempo, abre o coração da garota que acreditou e viveu o amor livre acima de todas as coisas. A história de Pamela Des Barres inspirou Kate Hudson e Goldie Hawn em seus papéis de groupies nos filmes Quase Famosos e Doidas Demais.

4. Alta Fidelidade – Nick Hornby, 1995
Um namoro terminado, uma loja de discos prestes a falir e um amor incondicional por boa música: eis a vida de Rob, o herói deste romance que se tornou um clássico da melhor literatura pop. Rob é um sujeito perdido. Aos 35 anos, o rompimento com a namorada o leva a repensar todas as esferas da vida: relacionamento amoroso, profissão, amizades. Sua loja de discos está à beira da falência, seus únicos amigos são dois fanáticos por música que fogem de qualquer conversa adulta e, quanto ao amor, bem, Rob está no fundo do poço. Para encarar as dificuldades, ele vai se deixar guiar pelas músicas que deram sentido à sua vida e descobrir que a estagnação não o tornou um homem sem ambições. Seu interesse pela cultura pop é real, sua loja ainda é o trabalho dos sonhos e Laura talvez seja a única ex-namorada pela qual vale a pena lutar. Um romance sobre música e relacionamento, sobre as muitas caras que o sucesso pode ter e sobre o que é, afinal, viver nos anos 1990. Com rajadas de humor sardônico e escrita leve, a juventude marinada em cultura pop ganhou aqui seu espaço na literatura.

3. Só garotos – Patti Smith, 2010
“Tem gente que nasce rebelde. Lendo a história de Zelda Fitzgerald, identifiquei-me com seu espírito insubordinado. Lembro de passear com minha mãe olhando vitrines e perguntar por que as pessoas não chutavam e quebravam aquilo.” É com esse tom franco e irreverente — e ao mesmo tempo doce e poético — que Patti Smith revive sua história ao lado do fotógrafo Robert Mapplethorpe, enquanto os dois tentavam ser artistas e transformar seus impulsos destrutivos em trabalhos criativos. Só garotos é uma autobiografia cativante e nada convencional. Tendo como pano de fundo a história de amor entre Patti e Mapplethorpe, o livro é também um retrato apaixonado, lírico e confessional da contracultura americana dos anos 1970, desfiado por uma de suas maiores expoentes vivas.

2. Vida – Keith Richards, 2010
Existem quase tantas razões pelas quais Vida se tornou uma grande referência para as autobiografias do rock, como há páginas no livro. O que o mito do rock Keith Richards revela em livro surpreende até quem conviveu com ele, verdades até hoje não ditas. Imagina para os fãs do Rolling Stones?

1. Crônicas – Volume One – Bob Dylan, 2004
Concentrando-se em seus anos de fome, em meio a cena popular, no início dos anos 60 na rica Nova York, Dylan empresta um brilho romântico para os clubes enfumaçados da cidade e seus habitantes coloridos, como Dave Von Ronk, Richie Havens e Tiny Tim, saudando os poetas que primeiro acenderam seu desejo pelas palavras – Byron, Shelley, Poe – ao longo do caminho.
Mais tarde, ele destaca dois álbuns menos conhecidos, mas cruciais: New Morning, que capturou a necessidade de Dylan pela família e privacidade, e Oh Mercy, possivelmente, o seu trabalho mais interessante. Aqueles que procuram anedotas sobre suas mais conhecidas canções vão ficar enlouquecidos querendo as duas memórias seguintes prometidas por Dylan no futuro. Nesse meio tempo, ele oferece preces às inspirações musicais mais óbvias (Robert Johnson) e algumas nem tanto (Brecht e Weill). Contada em prosa e fiel à imagem astuta de Dylan, o livro é por vezes sincero, perspicaz e evasivo. Dada a natureza distante do artista, a narrativa é extremamente reveladora.

Fonte: http://blog.estantevirtual.com.br/

13 de out. de 2016

Bob Dylan é o primeiro músico a vencer o Nobel de Literatura


Bob Dylan, cantor e compositor norte-americano de clássicos como "Blowin' in the Wind" e "Like a Rolling Stone", é o vencedor do prêmio Nobel de Literatura de 2016. A notícia foi recebida com surpresa: no ambiente geralmente formal, ouviram-se gritos e aplausos na sala onde a porta-voz da Academia Sueca, Sara Danius, fez o anúncio nesta quinta-feira (13), em Estocolmo, às 8h (horário de Brasília).
Danius disse que Dylan foi agraciado por ter "criado novas expressões poéticas dentro da grande tradicional canção americana". Ela ainda traçou paralelos entre a obra dele e a dos poetas gregos Homero e Safo. "Eles faziam poesia para ser ouvida e para ser apresentada com instrumentos. Nós lemos Homero e Safo e gostamos até hoje. É o mesmo com Dylan. Ele pode ser lido, deve ser lido, e é um grande poeta da língua inglesa. E ele faz isso se reinventando constantemente". 
Dylan --que já tem 12 prêmios Grammy, um Oscar, um Globo de Ouro, um prêmio Pulitzer e o Príncipe das Astúrias das Artes em 2007-- é o primeiro compositor de canções a ganhar o prêmio máximo da literatura. Mas, além de ser músico e um pintor amador, Dylan tem também 30 livros publicados. É autor, entre eles, do livro "Tarântula", uma coletânea de poesias que ele lançou em 1966 e que foi publicada no Brasil em 1986 pela Editora Brasiliense. Também já lançou sua autobiografia, "Crônicas Vol. I", que chegou no Brasil em 2005. 
"Se uma pessoa quer começar a escutar ou ler [Dylan] deveria começar com 'Blonde on Blonde', o disco de 1966, que tem vários clássicos e é um exemplo extraordinário de seu jeito brilhante de fazer rimas, posicionar os refrãos e seu pensamento em imagens", aconselhou Sara Danius, admitindo que não era muito fã do trabalho de Dylan e que preferia David Bowie. "Talvez fosse uma questão de geração. Hoje eu adoro Bob Dylan."
Embora o nome de Dylan tenha sido cotado para o prêmio há vários anos, ele não estava entre os favoritos nas atuais bolsas de apostas --a liderança era do japonês Haruki Murakami junto ao sírio Adonis e o romancista queniano Ngugi wa Thiong'o. Os norte-americanos Don DeLillo, Philip Roth e Joyce Carol Oates também estavam entre as apostas.
Junto com o prêmio, o autor ganha também 8 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 2,9 milhões) e uma medalha, que serão entregues em uma cerimônia no dia 10 de dezembro. Dylan, que completou 75 anos em maio, é o primeiro americano a ganhar o prêmio desde 1993, quando Toni Morrison levou o título. 

Trajetória

Batizado de Robert Allen Zimmerman, Dylan nasceu em Duluth, Minessota, em 24 de maio de 1941. Na adolescência, tocou em diversas bandas e, com o tempo, seu interesse pela música se aprofundou, com paixão especial pela música folk e pelo blues. Um de seus ídolos é o cantor folk Woody Guthrie. Ele também foi influenciado pelos autores da Geração Beat, assim como pelos poetas modernistas. 
Criado em uma família judaica, Dylan largou a faculdade e se mudou para Nova York, onde se tornou famoso no início dos anos 1960. Em 1962, lançou seu primeiro álbum, "Bob Dylan". Mas foi com o segundo, "The Freewheelin' Bob Bylan", de 1963, que ele revelou seu talento como compositor (é deste trabalho a música "Blowin' in the Wind"). O disco mais recente é "Fallen Angels", lançado em maio deste ano.
Dylan foi eleito em 2004 pela revista norte-americana "Rolling Stone" o segundo melhor artista de todos os tempos, atrás apenas dos Beatles.
Dylan --que tem quase 40 discos lançados-- segue em plena atividade e tem feito, desde 1988, uma média anual de cem apresentações --o maior intervalo foi de apenas três meses.

Fonte: Site Uol
              

7 de out. de 2016

Enigmática propriedade de Prince é aberta ao público



O mistério sobre Paisley Park, a propriedade onde vivia e trabalhava o falecido cantor Prince em Minnesota, chegou ao fim para alguns fãs sortudos, nesta quinta-feira (6), que conseguiram comprar passes para entrar no santuário do ícone do pop.

A abertura aconteceu em meio a um respeitoso silêncio. Os organizadores pediram aos donos de uma entrada que se reunissem em um ponto afastado da propriedade, para levá-los de ônibus até o complexo, de 5.000 m2 e situado em Chanhassen, na periferia de Minneapolis (Minnesota, norte).
Às portas do complexo, havia mais caminhões de televisão do que seguidores do criador de "Purple Rain" quando chegou o primeiro ônibus, às 8h30 locais (10h30, horário de Brasília).
Sonja Fagan, uma fã de Dublin de 37 anos que se apresentou diretamente às portas do complexo com um buquê de rosas, disse que Paisley Park se transformou em um lugar de luto para ela.
"Seu legado sobreviverá, e isso é o que ele teria querido", disse Sonja. Prince faleceu aos 57 anos, no dia 21 de abril, por uma overdose de medicamentos.

Amantes da música e historiadores esperam encontrar o baú do tesouro na câmara do complexo, com gravações não publicadas do artista.

Mobeen Azhar, autor do livro "Prince: Stories from the Purple Underground", disse que o lugar é como o "pátio do recreio" da lenda do pop e que, por isso, tem um enorme significado cultural.

"Paisley Park é o lugar onde ele tocava, experimentava e, o mais importante, criava (...). Por isso, no que me diz respeito, Paisley Park é terra santa", acrescentou.

Algumas partes do complexo foram preparadas para a exposição de lembranças, enquanto que outras, como seu estúdio de trabalho, foram deixadas intactas desde a morte do artista, de acordo com o programa Today da emissora de televisão NBC.

O acesso público a Paisley Park vai durar apenas três dias, já que foram concedidas apenas permissões temporárias para as visitas do complexo. A propriedade estará aberta hoje, sábado (8) e em 14 de outubro.

As entradas com venda antecipada custaram US$ 38,50, além da taxa de serviço de US$ 7,50. Já as entradas VIP, que incluem uma visita guiada, foram US$ 100.

Fonte: Site Uol

28 de set. de 2016

Há 25 anos, Miles Davis colocou o jazz de luto



O dia 28 de setembro de 1991 foi de luto para os apreciadores do jazz moderno. Naquele sábado, aos 65 anos, saia de cena o compositor e trompetista Miles Davis, que ao lado de grandes nomes como, Louis Armstrong (1901-1971), Duke Ellington (1899-1974), Charlie Parker (1920-1955) e Dizzy Gillespie (1917-1993), figurou como um dos jazzistas mais influentes e inovadores do século passado. Davis estava internado havia pouco mais de um mês no Saint John’s Hospital, em Santa Monica, na Califórnia (EUA), e não resistiu a um misto de infarto, crises respiratórias e pneumonia.
Criador do reverenciado álbum “Kind of Blue” (1959), que redefiniu o jazz naquela virada de década, Miles Davis foi fundamental ao instituir uma nova forma de construção do gênero. Com uma trajetória de quase meio século de música, Davis soube moldar o estilo às novas demandas do mercado da música ao longo da carreira.
Filho de um dentista e de uma professora de música, Miles Dewey Davis Jr. nasceu em 25 de maio de 1926, em Alton, no Estado de Illinois (EUA). Aos 13 anos, teve seu primeiro contato com o trompete, quando ganhou o instrumento de presente do pai.
Capa do Disco
Miles Davis começou a se apresentar no início dos anos 40 em East St. Louis, cidade para onde sua família havia se mudado quando criança. Anos mais tarde, foi estudar na renomada Juilliard School of Music, em Nova York. Mas sua experiência musical naqueles anos foi adquirida dos encontros com os já consagrados Charlie Parker e Dizzy Gillespie, quando protagonizaram em meados dos anos 40 a chegada do bebop, um jeito mais sofisticado e complexo de fazer jazz. Esse período coincidiu com o sepultamento do swing, uma vertente dançante do gênero.
Entre 1949 e 1950, com o pianista e arranjador Gil Evans (1912-1988), Davis lidera as gravações de Birth of the Cool, álbum que deu origem ao cool jazz, uma variante lírica e introspectiva do gênero, e principal influência para a criação da Bossa Nova.
Durante os anos 50, além de “Kind of Blue”, tido pela crítica como uma das produções mais relevantes da história do jazz, Miles Davis lançou ainda álbuns como “Conception” (1951) e “Walkin’”(1954), ambos com a participação de Stan Getz (1927-1991). Em 1956, concebeu “Round About Midnight“, que contou com o então principiante e desconhecido John Coltrane.
No final dos anos 60, a trajetória de Miles Davis foi marcada pelo surgimento do que ficou conhecido como jazz fusion, com o lançamento do polêmico Bitches Brew (1970), disco duplo gravado em 1969, ano em que o músico radicalizou ao fundir o jazz com outros estilos musicais como o rock, o soul e o funk. Essa nova vertente eletrificada do jazz, com guitarra, baixo elétrico e percussão, já era sinalizada nos três álbuns anteriores: “Miles in the Sky”, “Filles de Kilimanjaro” (ambos de 1968) e “In a Silent Way” (1969). Criticado pelos ouvintes mais puritanos, o álbum serviu de referência para as bandas de rock progressivo, que começavam a surgir naqueles anos. Outro destaque da década foi a descoberta do jovem pianista Herbie Hancock, que em 1963, a convite de Davis, passou a integrar o seu quinteto.
Miles Davis desembarca em Congonhas, em São Paulo, para shows no Teatro Municipal (28.mai.1974/Acervo UH/Folhapres)
NO BRASIL
Miles Davis esteve pela primeira vez no Brasil em 1974, quando se apresentou no Teatro Municipal do Rio e de São Paulo. Foram cinco shows entre os meses de maio e junho. Dois anos depois, debilitado pelo uso excessivo de heroína, ficou durante cinco anos sem pisar nos palcos, retornando apenas em 1981 com o disco “The Man with de Horn”.
Em 1985, a inquietude o leva ao lançamento de “You’re Under Arrest”, onde, em mais um momento de experimentações, interpreta as canções “Human Nature” –sucesso na voz de Michael Jackson– e “Time After Time”, de Cyndi Lauper.
Miles Davis se apresenta no Palácio das Convenções do Anhembi, em São Paulo (Crédito: Vidal Cavalcante - 15.set.1986/Folhapress)
Miles Davis se apresenta no Palácio das Convenções do Anhembi, em São Paulo (Crédito: Vidal Cavalcante – 15.set.1986/Folhapress)
No ano seguinte, após 12 anos, Davis retorna ao Brasil pela segunda e última vez para uma apresentação no Palácio das Convenções do Anhembi. Uma terceira vinda ao país, para a edição de 1988 do Free Jazz Festival, foi cancelada por razão de uma pneumonia.
Em entrevista cedida ao jornal francês “Le Monde”, em junho de 1991, Miles Davis declarou que pretendia se aposentar no ano seguinte, mas o destino não permitiu. Entretanto o músico ainda teve tempo de fundir o jazz ao hip hop, com o lançamento póstumo do álbum “Doo-Bop” (1992),  em parceria com o produtor Easy Mo Bee, abrindo assim mais um caminho no cenário musical daqueles anos.
Nos 20 anos de sua morte, em 2011, o CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) trouxe para o Rio a exposição “We Want Miles”, onde, além de expor instrumentos, fotografias e objetos pessoais do músico, também mostrou o lado pintor do Picasso do Jazz, como também era chamado. A mostra também foi realizada em São Paulo, no Sesc Pinheiros.
Outro presente para os fãs foi o lançamento em abril deste ano do filme “Miles Ahead“, protagonizado e dirigido pelo ator americano Don Cheadle. O filme é ambientado na segunda metade dos anos 70, período em que o músico passava por sérios problemas de saúde, e tentava derrotar a sua maior inimiga, a heroína.
Fonte: blogfolha.uol.com.br

4 de set. de 2016

FITAS K7 - O RETORNO




Depois do vinil, agora é a vez de voltar a ouvir música com chiado de fundo com a volta das fitas cassetes.

Em São Paulo, o produtor musical e sócio do estúdio FlapC4 Fernando Lauletta aposta nesse mercado. O estúdio adquiriu em março uma máquina copiadora de cassetes, com investimento de R$ 50 mil. Ela tem capacidade de gravar até cem fitas por hora.

“Se não fosse por complicações de importação, já estaríamos produzindo essas primeiras 5.000 fitas que compramos”, disse Lauletta.

Há meses, o produtor tenta importar as fitas virgens, mas esbarra em burocracias locais, dos EUA e do Canadá. Desde 2000, as fitas não são mais fabricadas no Brasil.

Nos próximos meses, porém, elas já poderão ser, em parte, feitas por aqui. “Nós conseguimos um fornecedor que tem os moldes antigos e que fará a moldura plástica. A fita magnética será importada em rolos”, diz Lauletta.

As primeiras matrizes que chegarem serão para gravação de músicas de artistas independentes. “Essa procura é mais da galera do rock, do metal e do rap. São artistas que estão fora do mainstream [mercado comercial da música]. Eles vendem as fitas como suvenires em shows”, afirmou o produtor. O custo para a banda que for gravar suas músicas no cassete ficará entre R$ 11 e R$ 15.

A Livraria Cultura, a primeira livraria a colocar discos de vinil importados nas prateleiras, tem interesse em trazer os cassetes importados dos artistas que lançam seus produtos na velha mídia, mas ainda não há data para isso.
No Rio de Janeiro, um grupo de músicos da cena de rock independente carioca criou o Cassete Club, um projeto de gravações de singles em fita cassete, comandado por Lê Almeida e João Casaes.

Os artistas criaram um selo e têm lançado vários discos de bandas independentes em cassetes. “Sempre tive envolvimento grande com essa mídia. Existe uma textura de som que só se alcança com a fita”, afirma Almeida.

Eles gravam as matrizes e mandam para uma fábrica na Argentina com tiragem de até cem unidades. O custo de uma fita produzida no país vizinho é de R$ 8. As bandas costumam vendê-las por R$ 20. O preço é inferior ao praticado no lançamento de um CD, em torno de R$ 35. Já um vinil nacional custa cerca de R$ 90.

Segundo Almeida, ter um fabricante de cassete no Brasil seria muito bom, já que a demanda está crescendo e o limite de tiragem para produzir na Argentina impede o aumento da produção.

Ele associa o aumento da procura à crise econômica, pois os custos das fitas são bem menores do que prensar o vinil e até mesmo o CD.
Os fãs da fita são unânimes em afirmar que quem procura a música na sua forma mais crua, como nos formatos analógicos, sabe apreciar o momento de ouvir um disco por completo.

Se você tem de 20 anos de idade ou menos, pode estar pensando: “Tá, mas do que estamos falando mesmo?”. Houve um tempo pré-internet, anterior até mesmo ao CD, em que as pessoas saíam pelas ruas com um aparelho chamado walkman.

Perto dos 130 gramas do iPhone 6, parecia uma bigorna de quase meio quilo. Mas dava para escutar a música que desse na telha, sem ficar refém do rádio, nessa novidade portátil introduzida em 1979 pela japonesa Sony.

Dentro ia um dos últimos hits da mídia analógica: a fita magnética, que vinha enrolada dentro de um retângulo plástico e onde dava para capturar novos sons e reproduzir áudios pré-gravados.

Quem curtiria uma tecnologia tão obsoleta hoje? Jed Shepherd, dono da gravadora independente Post/Pop, de Londres, questiona a ideia de que, no universo das vendas físicas, CD é a melhor pedida.

À Folha ele repete a frase que mais ouviu ao abrir o selo: “Que isso, Jed? Não vai funcionar nem em 1 milhão de anos”. Em 24 meses, lançou fitas de 50 bandas, de veteranas (The Prodigy) a calouras, como a Gunship.

Em geral, são lotes pequenos, de 50 exemplares, alguns customizados —no lado B da Gunship, por exemplo, o britânico gravou a trilha de “Ataque dos Camelos Mutantes”, jogo do videogame Commodore 64 (1982-1994).

Vinis, legais de novo? Talvez na semana passada. Descolada mesmo (até agora) é a fita cassete. Abreviada para K7 no Brasil, a mídia magnética embarcou na mesma onda retrô que deu status cult aos LPs anos atrás.

Kanye West e Eminem estão entre os artistas que vêm lançando suas músicas na relíquia. As lojas da Urban Outfitters, satélites da geração milênio para as últimas tendências, vendem a preço médio de US$ 13 (R$ 41) essas e outras novidades não tão contemporâneas assim.

Uma delas é a trilha do filme “De Volta para o Futuro”, de 1985. Justin Bieber, outro que aderiu à mídia anciã, nasceu nove anos depois.

Lançado oficialmente em 1963, pela holandesa Philips, o K7 viveu seu auge nos anos 1980 e atravessou as últimas décadas no modo zumbi.

Sucateado pelas novas tecnologias, sobreviveu se agarrando a rincões do mercado —fitas com mensagens religiosas, por exemplo, continuaram populares, sobretudo no interior.

O livro “Retromania”, sobre cultura pop, tem uma tese para explicar por que os cassetes voltaram à moda: se nos anos 2000 o barato era revisitar gêneros musicais, o fetiche atual é por mídias antiquadas.

“Todo o mundo quer bancar o arqueólogo”, diz Marcelo Conter, autor de “Lo-Fi - Música Pop em Baixa Definição”.

Para Conter, dois motivos justificam o retorno da fita: 1) Elas são mais baratas —na Urban Outfitters, um LP custa em média duas vezes mais; 2) Em termos de qualidade, há quem veja diferencial.

“Ela tem textura sonora diferente, mais quente, e o fato de dificultar pular as faixas privilegia a audição contínua, o que favorece álbuns conceituais”, afirma Conter.
Enquanto continuar apostando num nicho, o cassete deve passar bem. No mercado desde 1969, a americana National Audio Company fabrica anualmente cerca de 20 milhões de fitas, virgens (sem nenhum áudio) ou pré-gravadas.

Após anos de sufoco, as vendas da companhia aumentaram 31% em 2015. Até junho deste ano, “estão muito além da primeira metade do ano passado”, diz Steve Stepp, presidente da empresa (que não divulga o lucro).


Lado A, Lado B

É possível gravar dos dois lados da fita. Dependendo do comprimento, permite diversas durações de gravação. A mais comum é de 60 minutos, sendo 30 minutos de cada lado.

Fita Virgem

É possível comprar a fita virgem, em branco (que não tem nenhum áudio gravado), ou com música gravada. Além disso, também é possível regravar em cima da gravação anterior.

POR QUE SAIU DE MODA

·         Nos anos 1980, as fitas foram consideradas ameaça à indústria musical pelo seu potencial de gravação simplificada e de pirataria
·         Com a difusão dos CDs, seguida pela ampliação do acesso à internet, as fitas perderam popularidade.
POR QUE ESTÁ VOLTANDO

·         A novidade acompanha a onda retrô que recuperou o prestígio dos discos de vinil
·         Nos últimos anos, as fitas ganharam status de cult e voltaram a conquistar espaço
·         O principal público vem do mercado independente, como bandas de punk e metal.

Mídia traz peculiaridades, diz colecionador

DE SÃO PAULO

Para um colecionador, a fita cassete não é apenas um fetiche e muitas delas trazem peculiaridades únicas.

O colecionador Ezio Zoyd tem cerca de mil fitas cassetes e uns 30 tipos de toca-fitas em seu apartamento. As fitas estão carregadas de histórias que ele conta com muito entusiamo.

“Algumas bandas lançam material exclusivo só em cassete. Na 'Record Store Day' [evento mundial que reúne selos e gravadoras], por exemplo, os artistas fazem questão de lançar um produto específico. Uma banda que sou fã, a Goldfrapp, lançou esse ano cem fitas cassetes com músicas exclusivas”, conta Zoyd.

Segundo o colecionador, os cassetes também são envolventes devido aos encartes específicos, como uma versão do álbum Axis: Bold as Love, segundo The Jimi Hendrix Experience, lançado em 1967 e relançado recentemente.

“Essa fita do Hendrix vem com uma observação polêmica na capa, um adesivo que informa que a remasterização foi autorizada pela família dele, que detém os direitos autorais. Na época, eles haviam processado uma gravadora que relançou gravações inéditas sem autorização”, afirma Zoyd.

Fonte: Site Uol