Aos 25 anos, Spencer Elden. o famoso bebê que aparece nu mergulhando em uma piscina na capa do álbum "Nevermind", do Nirvana, repete imagem icônica para celebrar o aniversário do disco.
"Eu disse para o fotógrafo, 'Vamos fazer nu', mas ele pensou que ficaria estranho, então eu usei uma bermuda", disse Elden ao "The New York Post".
O álbum, que completou 25 anos de lançamento neste sábado (24), traz músicas como "Smells Like Teen Spirit" e "Come as You Are" e já vendeu mais de 30 milhões de cópias em todo o mundo.
"O aniversário significa algo para mim. É estranho que eu fiz isso por cinco minutos quando eu tinha quatro meses de idade e tornou-se realmente esta imagem icônica ", disse posou para o álbum com apenas quatro meses de vida.
"É legal, mas estranho fazer parte de algo tão importante que eu nem me lembro", comenta Elden, que admite preferir a banda punk The Clash a Nirvana.
A sessão de fotos de Elden para a capa do disco, feita em 1991 pelo fotógrafo Kirk Weddle durou apenas 15 segundos e o pai dele contou em 2008 que ganhou apenas US$ 200 pela imagem.
Um gancho de peixe com uma nota de um dólar foi adicionado digitalmente à imagem mais tarde.
Para repetir a imagem, Spencer Elden ganhou US$ 200 do fotógrafo John Chapple e pulou em uma piscina olímpica no The Rose Center Bacia de Aquatics em Pasadena.
Há 10 anos, Elden fez a mesma coisa em homenagem ao 15º aniversário do álbum. Fonte: Site Uol
O
lançamento de Nevermind em setembro de 1991, representou no showbizz algo
semelhante a queda do Muro de Berlim. Se na União Soviética esse muro dividia
um país uma nação. O segundo disco do Nirvana pôs abaixo um muro quase
instransponível que separava o rock alternativo dos ambientes estrelados do
mainstream. Kurt Cobain almejava no período que sua banda fosse um dia um pouco
mais que o Pixies, que tinham ido um pouco além do Sonic Youth. É bem verdade
que o disco foi muito mais além. 25 anos depois do seu lançamento álbum algum conseguiu
ser tão inovador e genial em termos musicais, o máximo que podemos dizer é que
Ok Computer é um puta disco, mas Nevermind é o álbum de rock definitivo dos
últimos trinta anos.
Dave
Grohl revelou anos depois que na semana de lançamento eles ainda estavam tocando
em clubes para 700 pessoas, e antes que essa série de shows terminasse, a conta
bancária deles já se encontrava abarrotada de alguns milhões de dólares.
Nevermind é a tradução perfeita de peso e melodia, poesia e depressão, humildade
e ousadia, desapego e genialidade. Desbancar Michael Jackson no apogeu de sua
estadia no topo do pop é uma dessas façanhas desse álbum. Pessoalmente o efeito
causado pelo Nevermind em minha vida é avassalador, o disco foi em determinado
momento da minha adolescência a quebra de um paradigma, a audição do disco numa
tarde deitado na cama do meu quarto, mudou tantas coisas, aquelas canções foram
responsáveis por um amadurecimento, aconteceu naquela tarde a passagem da fase adolescente
para a fase adulta. Eu não fui mais o mesmo depois de Nevermind, assim como a
música alternativa, assim como o rock’n’roll, o disco atingiu pessoas ao redor
do mundo, e o mundo da música, por conseguinte mudou bastante depois do
Nevermind.
01 – O nome da música Smell Like Teen The Spirit , veio do
nome de um desodorante chamado “Ten Spirit”.
02 – O primeiro grande
sucesso do Nirvana “Love Buzz” na verdade era um cover de uma banda alemã
chamada Schoking Blue.
03 – Kurt Cobain durante a adolescência
começou a apresentar problemas com depressão e bipolaridade seríssimos, por
conta desses problemas Kurt tomava um dos anti-depressivos mais fortes que se
tem ideia, o famoso Lithium que deu
nome a um dos grandes sucessos da banda.
04 – Kurt Cobain passou por
diversos traumas na sua infância e adolescência, dizem alguns que o primeiro
foi à separação dos seus pais. Na infância o roqueiro tinha um amigo imaginário
que era na verdade seu único amigo nas horas mais difíceis, ela o chamava de Boddah.
05 – Kurt Cobain foi
convidado por Quentin Tarantino a participar como ator do clássico cult Pulp Fiction. Mas o convite não foi
aceito pelo líder do Nirvana.
Um dos símbolos mais
marcantes do rock, talvez seja o poder de ter nas obras produzidas por seus
artistas e bandas essa atemporalidade, algo que é seminal para sua importância como
fenômeno cultural e artístico. Não há diferença alguma entre uma pincelada de um
pintor como Pablo Picasso e um acorde de Paul McCartney ambos lidam com o campo
das ideias, a arte surge primeiro no campo onírico das ideias para logo depois
vir a tona aos olhos de todos no caso de Picasso e no caso de McCartney aos
nossos ouvidos.
Mas a arte além de ser
atemporal, ela também não foi e nunca será estática. Assim como as escolas que
eternizaram a vanguarda artística, com estéticas como a do surrealismo que
acabou sendo apreendida e produzida no campo da poesia, o teatro, a pintura e a
própria música. O rock como gênero musical sempre necessitou dessa renovação,
em diversos momentos o rock que parecia já ultrapassado por uma nova geração,
foi renovado por ela mesma e assim sucessivamente. Esse fenômeno camaleônico de
sempre se renovar é uma das características que o sustentam como substrato sonoro-sociológico
nesses quase sessenta anos de existência.
A
década de 80 com seus Anjos e Demônios
Nos anos 80 diferente da
deflagração de novos sub-gêneros do rock por parte da critica especializada. Os
próprios músicos e bandas começaram a forjar as denominações e meio que
direcionarem o rumo de cada movimento. Então tivemos a New Wave do rock pop,
tivemos a New Wave do rock pesado, tivemos os góticos ingleses, tivemos os
hardcore americanos, o crossover, a new psicodelia do verão de 1988, correndo
por fora o inicio da dinastia de Michael Jackson e Madonna trazendo para si o
titulo de novo rei e nova rainha da música pop, que antes era centralizada toda
sobre a marca poderosa dos Beatles.
Por volta da segunda metade
da década até o final, começaram a aparecer bandas que numa primeira análise
representavam uma dissidência com toda a atitude do metal verdadeiro iniciadas
pelo Iron Maiden, Judas Priest, Motorhead. Isso pelo motivo da estética ter se
glamourizado demais, ficaram conhecidos como “Metal Farofa” e tinham como características
calças de couro coladíssimas, cabelos compridos e esvoaçados, letras de
qualidade duvidosa, muita maquiagem e finalizando eram conhecidos como “destruidores
de quartos de hotel”, as bandas mais conhecidas foram, Guns ’n’ Roses, Motley
Crue, Poison, Twisted Sister, Withesnake. O rock ficou meio que banalizado, chato,
empobrecido em estética e qualidade sonora abaixo da média.
Dos
porões da fria Seattle surgia uma luz brilhante no fim do túnel
O rock de garagem sempre
existiu desde os primórdios dos anos 50 e claro sempre vai existir, é lá que
todo moleque rebelde coloca a agitação de seus hormônios adolescentes em cima
de um instrumento, e muito das vezes quanto menos se espera nasce uma nova
mutação, dessas experiências sonoras que o rock tanto necessita para seu
misterioso processo de renovação.
No final dos anos 80, esse
processo silencioso acabou se dando na cidade de Seattle nos Estados Unidos. O ambiente
underground de Seattle existia tal que existia no restante dos Estados Unidos,
na Europa, na América Latina e em outros cantos do globo. Mas quiseram os
deuses do rock que ali naquela cidade frienta, que anos atrás tinha nos dado o
maior guitarrista de todos os tempos, nascesse exatamente no final da década a
maior banda de rock dos últimos tempos. O Nirvana de Kris Novoselic (Baixo),
Dave Grohl (Bateria) e Kurt Cobain (Guitarra).
Nirvana,
da garagem aos maiores palcos de música do planeta
Das bandas da cena
underground de Seattle o Nirvana era uma das melhores, como líder um cara
magro, cabelos loiros, viciados em drogas pesadíssimas e se não bastasse maníaco-depressivo.
O rock não escolhe seus heróis, nunca escolheu não existe nenhuma logica entre
sucesso e vida pessoal, quando o assunto são astros do rock. Kurt Cobain havia
sido tal qual John Lennon meio que desprezado por sua mãe desde muito cedo,
morou na rua, comeu o pão amassado pelo capetas e todos os seus asseclas. Mas teve
uma alma caridosa que não sabemos por que cargas d’água sempre acreditou no seu
talento, uma namorada que durante um tempo acolheu o músico em sua casa, dando
grana, comida, roupa lavada e o deixando livre para colocar suas ideias pra
frente.
Mas Kurt Cobain não era
somente uma doidão drogado de plantão, ele como poucos estudou a fundo tudo que
havia sido produzido de importante o rock nos anos que precederam a chegada de
Nirvana. Quando esteve no Brasil numa entrevista a MTV, falou com muito carinho
dos Mutantes, falando inclusive da importância da banda para a música
brasileira, chegando a deixar um bilhete de agradecimento a Arnaldo Baptista
pela sua genialidade musical.
Kurt Cobain diferente do que
muitos possam pensar estava certo de toda a revolução que ele podia causar no
rock, tanto ele sabia que depois que a banda explodiu mundialmente e ele se
apercebeu que seu nome já estava gravado no livro dourado do gênero musical,
ele mesmo o próprio Kurt Cobain como suicida que foi começou a deixar pistas do
que ia acontecer. Em diversas musicas, inclusive em clipes vemos citações a
armas de fogo, o próprio nome da banda numa análise mais profunda explica
melhor essa análise. No acústico de Nova York meses antes do seu suicídio, se
verificarmos no cenário da apresentação podemos observar velas brancas, lírios brancos,
sem que todos percebessem ele estava se despedindo e ele curtiu aquele momento
com toda a dor ou alegria possível, e quem somos nós hoje para julgar o gênio.
Nevermind,
o estopim de uma revolução
O nirvana a maior banda de
rock dos últimos tempos, escalou o muro quase intransponível do mainstream e
usou como escada um disco chamado Nevermind.
Com isso eles inovaram porque até então nenhuma banda do underground não havia
conseguido algo parecido, eles não só conseguiram chegar lá, como chegaram com
toda a propriedade possível, sem vender o que eles tinham de melhor sua qualidade
musical, o disco todo foi feito e produzido aos moldes do trio. Houve a
produção de um grande produtor o Butch Vig, mas depois de tanto tempo estudando
e construindo uma sonoridade totalmente autoral, só restava ao produtor enquadrar
as ideias deles ao mundo comercial do mainstream. O resultado todos nós
sabemos, se perfazia ali um mito que dura até hoje e vai durar durante muitos e
muitos anos. Até que certo dia os deuses do rock e da música resolva dar
noticias através de um cara ou uma garota ou uma banda de algum lugar qualquer desse
enorme planeta, que surja com a missão de revolucionar a nossa forma de
escutar, de nos comportar e até de nos vivermos.
Em 1991 quando do lançamento
do Nevermind eu era apenas um garoto
de 11 anos fá de Star Wars e livros estranhos, à época eu mal conseguia olhar
nos olhos de uma garota por mais de dois segundos, tamanha a timidez que sentia
toda vez que isso acontecia. Os anos se passaram e em 1994 soube da morte de um
tal Kurt Cobain líder e vocalista de uma banda de Seattle nos E.U.A que tinha
um nome muito interessante Nirvana.
No inicio de 1995 um amigo me emprestou uma revista que havia publicado naquela
edição a carta de despedida de Kurt Cobain, no outro dia por interesse e uma
latente curiosidade peguei com esse mesmo amigo emprestado, o falado Nevermind.
Lembro-me de ter passado uma
tarde inteira ouvindo aquele álbum, do inicio ao fim sempre iniciando da
primeira a última faixa. Deitado durante todo o tempo sempre apertava o play do
controle remoto com o intuito de iniciar sempre a audição da faixa inicial. No final
da tarde posso afirmar aqui com toda gama de certeza que eu não era mais o
adolescente que horas antes havia colocado o cd no deck do tocador. Antes eu
era apenas um pré-adolescente depois de Nevermind eu me tornei um adolescente
com poucas horas para adentrar a fase adulta. Essa passagem só se tornou possível
por causa desse álbum. O primeiro impacto sentido veio do vocal de Kurt Cobain,
era diferente de tudo, impressionante como o vocalista daquela banda ia do
timbre visceral de Territorial Pissings,
a um vocal mais singelo e lírico de
Something in The Way ou a própria
Polly. À época já havia escutado Cream
e outros Power-Trio, mas Nirvana era diferente a sonoridade pulsava na minha
corrente sanguínea, de olhos fechados ouvindo Nevermind sempre imaginava uma
travessia e no final um pulo de uma dessas quedas d’águas altíssimas.
Tudo era novo pra mim, a
sonoridade estupenda, por conta das guitarras distorcidas e melódicas de Kurt
Cobain, as linhas de baixo onipresentes de Kris Novoselic e a bateria animal de
Dave Groll. O visual da banda remetia ao punk, mas não era punk propriamente, o
som tinha uma verve pop, mas claro que não era pop propriamente, as letras eram
tristes, mas falavam o idioma de todo adolescente do inicio dos anos noventa no
planeta inteiro e no final a minha constatação era que aquilo era novo, muito
novo sim aquilo era grunge. No outro dia fui com meu amigo em uma das duas únicas
lojas de acessórios de rock de São Luis daquela época e comprei uma camisa
preta com a estampa gigante de Kurt Cobain na frente, junto de alguns
acessórios grunge. Dali pra frente eu não tinha dúvidas do que eu queria ser,
por mais que a vida mudasse em determinadas épocas dali pra frente, mas no
fundo bem no fundo mesmo eu gostava mesmo era de rock, eu fui dali pra frente
um rockeiro, isso que continuo sendo e sempre serei. Nevermind representou o
meu passaporte para a fase adulta da minha vida, disso eu nunca terei dúvidas
nenhuma.
CURIOSIDADES SOBRE O
NEVERMIND
Diz à lenda que a banda possuía
somente três músicas prontas ao entrar no estúdio para gravar Nevermind. Outra informação
é que Kurt Cobain nunca gostava de fazer mais de um take de uma gravação,
forçando o produtor Butch Vig (baterista Garbage) a fazer milagres nas
gravações das faixas. O pai do bebê que tirou a foto na piscina com a nota de um
dólar (capa do disco) ganhou duzentos dólares como cachê. Na época do
lançamento Nevermind ultrapassou Dangerous de Michael Jackson no top 10 da Billboard.
* você pode ouvir o álbum completo no nosso play, na parte superior do blog.