Mostrando postagens com marcador Música. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Música. Mostrar todas as postagens

6 de fev. de 2017

Quase dois meses depois, corpo de George Michael ainda não foi enterrado



A polícia britânica segue investigando a causa da morte de George Michael um mês e meio depois do ocorrido. O cantor foi encontrado morto pelo namorado no dia 25 de dezembro, em sua casa. 
Fadi Fawaz, que estava em um relacionamento com o cantor há quatro anos, já foi interrogado pelos investigadores, que voltaram a afirmar que a morte não é suspeita, apesar de ainda não ter sido esclarecida. Por isso, o corpo ainda não pode ser enterrado e novos testes toxicológicos devem ser feitos.
Fadi foi questionado se George temia morrer de overdose e as últimas horas do casal. Ele contou aos policiais ter dormido no carro na noite em que o cantor morreu.
O próximo passo da polícia será questionar vizinhos para esclarecer como foram os últimos sete dias de vida de George Michael e quem entrou e saiu da casa dele. As informações são do tabloide britânico "The Sun".
Divulgado no dia 30 de dezembro, o primeiro laudo sobre a causa da morte de George Michael teve resultado inconclusivo. O relatório da autópsia apontava que a morte é "inexplicável, mas não suspeita".
Fonte: Site Uol

13 de dez. de 2016

Bob Dylan - Discurso de agradecimento ao prêmio Nobel


Bob Dylan

Boa noite a todo mundo. Eu estendo minhas mais calorosas saudações aos membros da Academia Sueca e a todos os outros convidados e convidadas de distinção presentes na noite de hoje.
Sinto muito não poder estar pessoalmente com vocês, mas, por favor, saibam que absolutamente estou com vocês em espírito, e que fico honrado de receber um prêmio de tamanho prestígio. Receber o Prêmio Nobel de Literatura é algo que eu nunca teria podido imaginar, nem prever. Desde muito jovem me é familiar a experiência de ler e absorver as obras daqueles que foram considerados à altura desta distinção: Kipling, Shaw, Thomas Mann, Pearl Buck, Albert Camus, Hemingway. Sempre me causaram profunda impressão esses gigantes da literatura cuja obra é tema de aulas, fica abrigada em bibliotecas de todo o mundo e é mencionada com palavras de reverência. O fato de eu agora me juntar aos nomes dessa lista me deixa definitivamente sem palavras.
Não sei se esses homens e mulheres um dia pensaram na honra do Nobel como algo que pudesse lhes caber, mas imagino que qualquer um que escreva um livro, ou um poema, ou uma peça de teatro em qualquer lugar do mundo pode acalantar esse sonho secreto, bem no fundo. Provavelmente enterrado tão fundo que eles nem sabem que está ali.
Se um dia alguém me dissesse que eu tinha a mais remota chance de ganhar o Prêmio Nobel, eu seria obrigado a pensar que teria mais ou menos a mesma chance de pisar na lua. A bem da verdade, durante o ano em que eu nasci e por alguns anos ainda não houve ninguém no mundo que fosse considerado digno de receber este Prêmio Nobel. Então, reconheço que estou de fato na mais rara das companhias, para dizer o mínimo.
Eu estava em turnê quando recebi essa notícia surpreendente, e levei mais do que uns poucos minutos para assimilar adequadamente a ideia. Comecei a pensar em William Shakespeare, a grande figura literária. Imagino que ele se considerasse um dramaturgo. A ideia de que estivesse escrevendo literatura não podia ter lhe passado pela cabeça. Suas palavras eram escritas para o palco. Destinadas a ser pronunciadas, e não lidas. Quando estava escrevendo Hamlet, tenho certeza que ele estava pensando em muitas coisas diferentes: “Quem são os atores certos para esses papéis?” “Como isso aqui deveria ser encenado?” “Será que é a melhor ideia ambientar a peça na Dinamarca?” Sua visão criativa e suas ambições sem sombra de dúvida estavam no primeiro plano em sua mente, mas havia também questões mais prosaicas que ele devia considerar e resolver. “O financiamento está encaminhado?” “Vai haver poltronas boas para todos os mecenas?” “Onde é que eu vou arranjar uma caveira humana?” Eu seria capaz de apostar que a questão mais afastada da mente de Shakespeare era “Isso é literatura?”.
Quando comecei a escrever canções, na minha adolescência, e mesmo quando comecei a ter algum renome por causa da minha capacidade, minhas aspirações para essas canções só iam até aí. Eu achava que elas podiam ser ouvidas em cafés ou em bares, talvez em lugares como o Carnegie Hall, o London Palladium. Se estivesse sonhando bem alto, talvez pudesse imaginar que ia conseguir gravar um disco e aí ouvir minhas músicas no rádio. Era esse o grande prêmio que eu tinha mente. Gravar discos e ouvir suas próprias músicas no rádio queria dizer que você estava chegando a um grande público e que não precisava parar de fazer o que tinha decidido fazer.
Bom, eu venho fazendo o que decidi fazer já há bastante tempo. Gravei dezenas de discos e fiz milhares de shows no mundo todo. Mas as minhas canções é que são o centro vital de quase tudo que eu faço. Parece que elas encontraram um lugar na vida de muita gente de muitas culturas diferentes e sou grato por isso.
Mas tem uma coisa que eu preciso dizer. Como artista eu já toquei para 50.000 pessoas e já toquei para 50 pessoas e posso dizer a vocês que é mais difícil tocar para 50. Cinquenta mil pessoas têm uma só persona, o que não acontece com 50. Cada pessoa tem uma identidade separada, individual, um mundo todo seu. Elas podem perceber tudo com mais clareza. Sua honestidade e como ela se relaciona com a extensão do seu talento entram em julgamento. O fato de que o comitê do Nobel é tão pequeno não é algo que tenha passado despercebido para mim.
Mas, como Shakespeare, eu normalmente estou ocupado demais lidando com meus projetos criativos e tratando de todos os aspectos das questões prosaicas da vida. “Quem são os melhores músicos para essas canções?” “Será que estou gravando no estúdio certo?” “Será que essa música está no tom certo?” Certas coisas não mudam nunca, nem em 400 anos.
Nem uma única vez eu tive tempo de me perguntar, “Será que as minhas canções são literatura?”.
Então, agradeço realmente à Academia Sueca, tanto por ter parado para considerar precisamente essa questão quanto por oferecer, afinal, uma resposta tão maravilhosa.
Tudo de bom a cada um de vocês
Bob Dylan

9 de dez. de 2016

Osvaldo Pereira - O Primeiro DJ do Brasil


Dj Osvaldo Pereira

O tempo do seu Osvaldo não é o do iPod, do laptop com conexão sem fio, da música eletrônica, da Britney Spears grávida e sem calcinha, da "alta definição". O tempo do seu Osvaldo é o da "alta fidelidade", da Leila Diniz grávida e de biquíni, do foxtrote, da máquina de escrever, do radinho à pilha. Em 1958, a vitrola de seu Osvaldo movimentava passos de dança em São Paulo. Há cinco décadas, seu Osvaldo se transformava no primeiro DJ do Brasil.

Hoje com 73 anos, Osvaldo Pereira voltará a pilotar um toca-discos em um baile na semana que vem, dia 25 de janeiro, em evento gratuito no Sesc Ipiranga em comemoração do aniversário da capital paulista."O DJ deve ter sensibilidade para saber o que o pessoal quer dançar", conta -ensinamento que não anda muito respeitado por aí... Se a popularização da dance music faz com que figurões ganhem o equivalente a um carro 0 km por parcas duas horas de labuta, a situação vivida por seu Osvaldo era bem diferente. "Ih, não dava muito dinheiro. Era apenas um extra que eu complementava com o salário de outros trabalhos."

No currículo, constam 12 anos na Philco, na fabricação de televisores, período que desembocou na aposentadoria, em 1980. Mas o pioneirismo de seu Osvaldo já estava cristalizado e consolidado há tempos e foi recuperado pelo livro "Todo DJ Já Sambou" (ed. Conrad; esgotado), de Claudia Assef.

"Foi ele quem começou toda essa história. Ele fazia as pessoas felizes e assim tornou-se uma referência nos anos 60", conta o experiente Tony Hits, que há 35 de seus 53 anos é DJ de samba-rock em São Paulo.

Não queria dançar
A figura do DJ como alguém que utiliza toca-discos para embalar festas ganhou vida com Jimmy Saville, na Inglaterra, em 1947. Nos EUA, a idéia só tomou forma na década de 50. No Brasil, até 1958 os bailes eram animados ou por orquestras e grandes bandas ou amigos dos donos de salão, que se revezavam para colocar os discos que queriam ouvir, sem critério, ordem ou constância. Seu Osvaldo freqüentava esses bailes, mas "não me interessava em dançar.
Eu queria mesmo era ajudar a escolher as músicas que iriam tocar".

Aos 22 anos, em 1954, após completar um curso por correspondência de rádio e TV promovido pela National School, dos EUA, seu Osvaldo ganhou um emprego na Elétro Fluorescentes Arpaco Ltda., loja de equipamentos eletrônicos no nº 209 da r. Guaianazes, na esquina com a r. Vitória, em São Paulo. O dono do estabelecimento, um armênio simpático que falava cinco línguas e atendia por Sharom, foi com a cara do tímido Osvaldo e delegou-lhe uma importante tarefa: "Ele queria que montássemos amplificadores de alta fidelidade, que estavam chegando ao mercado".

A abastada clientela de Sharom voltava das viagens ao exterior com equipamentos de última geração e levava à loja para que Osvaldo montasse e construísse caixas de som adequadas. "Nós aproveitávamos para tirar cópias do diagrama [a estrutura do equipamento e suas peças]. Aí fazíamos nós mesmos aparelhos iguais e vendíamos na loja."

Apaixonado por música, seu Osvaldo aproveitou o conhecimento adquirido na loja para construir seu próprio equipamento de som: um toca-discos movido a válvula.

Orquestra Invisível
Com o potente aparelho, em meados de 1958 ele foi convidado a colaborar com o som de casamentos e de aniversários na região da Vila Guilherme (zona norte de SP). Ali passou a ficar como "efetivo" no manuseio das bolachas. Era ele quem comandava as músicas do início ao fim das festas.

No ano seguinte, foi chamado para tocar em um "piquenique" em Itapevi (Grande SP) -entre aspas porque esse piquenique não envolvia cesto de comida, toalha na grama e clima romântico. "Piquenique era uma espécie de rave da época."
A fama de seu Osvaldo crescia no circuito "clubber" da São Paulo do final dos anos 50. Ganhou o cargo de DJ oficial do Club 220, que rolava nas tardes de domingo no 17º andar do edifício Martinelli, centro de SP. Batizou suas performances de Orquestra Invisível Let's Dance -depois alterada para High Fidelity Let's Dance.
O passo seguinte foi uma residência aos sábados à noite no salão Ambassador (hoje Green Express), na av. Rio Branco.
"As festas ficavam cheias, e foi aí que perceberam que se podia ganhar dinheiro fazendo bailes à noite, sem orquestra."

Com intervalo
O custo para montar uma noite com orquestra era muito mais caro do que com o som mecânico do seu Osvaldo, que levava o próprio equipamento ao local do baile com a ajuda de um táxi e de três auxiliares.

Muitos clubes da cidade passaram a promover festas que varavam a madrugada: Devaneio, Ás de Ouro (na Casa Verde), Pérola Negra (Imirim). "O número de festas aumentou muito. Eu chegava a ter a agenda lotada por três meses", lembra, saudoso, dos tempos em que o DJ tinha que se apresentar vestindo terno e gravata.
Com apenas um toca-discos, era inevitável um intervalo entre as músicas, interrompendo a dança. Seu Osvaldo então construiu um mixer para "colar" uma canção na outra, sem paradas. Mas a recepção não foi a esperada. "O pessoal não gostou da música ininterrupta. Os rapazes queriam que tivesse intervalo, para poder trocar de damas." O mixer nunca mais foi usado por seu Osvaldo.

Sem tango
Foxtrote, samba-canção, chachachá, rumba, algum bolero. Da vitrola de seu Osvaldo, saía quase tudo. Apenas tango não entrava de jeito nenhum. "Tocava tango apenas nos casamentos do bairro. Nas festas na cidade, nunca." Frank Sinatra, Ray Charles, Glenn Miller, Benny Goodman e Ted Heath eram alguns dos hits do DJ. "Mas o que causava frisson era Ray Conniff", diz.

A carreira de DJ de seu Osvaldo durou dez anos. Em 1968, deixou os toca-discos em casa para o trabalho na Philco e o sustento da mulher e dos cinco filhos (depois, casou-se novamente e teve dois rebentos).
Após 1968, ele voltou a discotecar por duas vezes. No lançamento do livro "Todo DJ Já Sambou", em 2003, e em uma noite no extinto clube Soul Sister, no Itaim Bibi, em 2005.


Mas as lembranças de seu Osvaldo ainda permanecem fresquinhas. "Era comum os rapazes pedirem para eu "reprisar" alguma música, porque eles queriam tentar conquistar uma mulher. Até me traziam uma cuba libre para agradecer."

Fonte:SiteUol

27 de set. de 2016

Vinil HD - O Futuro dos LPs



Nos últimos anos assistimos o retorno dos vinis, porém seu retorno até então ao que se sabe não possuía inovação alguma. Foi pensando nisso que uma companhia austríaca chamada Rebeat Digital começou a desenvolver o chamado “High Definition Vinyl”, ou seja, um vinil HD. A ideia da nova tecnologia é, principalmente, diminuir os custos e o tempo que leva produzir um disco de vinil. Segundo a empresa, o produto, que já foi patenteado, deve estar disponível para a compra em no máximo três anos.

Os LPs em HD funcionarão normalmente nos aparelhos que já existem, a diferença é que o volume e a qualidade do áudio serão melhores, além da maior rapidez na leitura do disco e ainda uma possível consequente diminuição nos gastos de energia das vitrolas. Se o preço for relativamente semelhante aos dos discos de vinil do mercado, a novidade promete dar certo. 

22 de jun. de 2016

O MELHOR ACERVO DIGITAL COM A HISTÓRIA DO JAZZ




Por Natan Castro

O mundo da música costuma nos pegar de calça curta quando o assunto é raridades. Elas costumam surgir sempre por conta de um produtor ou pesquisador enfurnado nos arquivos das grandes gravadoras pesquisando raridades para alegria dos amantes da boa música. Porém dessa vez algo inusitado aconteceu, foi descoberto recentemente um dos maiores acervos de gravações de jazz de todos os tempos. David W. Niven foi um professor do ensino médio de Nova Jersey, Estados Unidos. Durante 70 anos ele gravou 650 fitas cassetes de jazz, totalizando mais de 1000 horas de música. O acervo traça um panorama de toda a história do Jazz, de 1921 a 1991, ressaltando a força do gênero musical e suas mutações ao longo de mais de meio século.

Em 2013 com autorização da família do professor o arquivista Kevin J. Powers digitalizou toda a coleção, intitulada “Early Jazz Legends”, e disponibilizou na internet. Estão no acervo digital todos os grandes nomes da história do jazz, gente como Louis Armstrong, Bix Beiderbecke, Duke Ellington, Benny Goodman, Miles Davis, John Coltrane, Charlie Parker, Ornette Coleman, Dizzy Gillespie, Charles Mingus, Django Reinhart, Frank Sinatra, Billie Holiday e outros.1000 HORAS DE GRAVAÇÕES COM OS MAIORES NOMES DO JAZZ


31 de mai. de 2016

Música e Negócios – A Infalível Fórmula do Sucesso Musical




 Por Natan Castro

“Nunca se vence uma guerra lutando sozinho”.  Já dizia o mestre Raul Seixas em um de seus sucessos. Nada mais verdadeiro por detrás de toda história de sucesso musical existe pitadas de talento musical e negócios envolvidos no processo. Como assim, quer dizer que o universo artístico reconhecidamente subjetivo e sensível às ideias, não é somente isso? Existem nacos de racionalidade a espreitar o sucesso artístico musical? Claro que sim. Artista ou banda alguma de grande sucesso em âmbito nacional ou internacional é somente sucesso por conta de ótimas ideias e inspirações. São muitos os casos, na verdade a grande maioria dos artistas e bandas que alcançaram o sucesso, obtiveram por conta dessa relação homogênea entre as duas coisas.

Elvis Presley e Coronel Parker

Elvis Presley Ao Vivo.
Muito se fala da estreita relação de Elvis Presley com seu empresário Coronel Parker, segundo disse o próprio Elvis “dificilmente eu faria tanto sucesso, se não fosse ele, Coronel é um homem muito inteligente”. Coronel Tom Parker foi o responsável pelo sucesso estrondoso de Elvis Presley , não é segredo para ninguém do imenso talento do cantor, mas não se chega ao topo das paradas somente sendo talentoso. Quando começou a cuidar da carreira de Elvis a figura de um sólido empresário já se espalhava no meio do showbizz americano, no inicio Coronel chegou a administrar shows em circo, a experiência com os espetáculos itinerantes o ajudaram a obter uma visão mais ampla da gestão empresarial no meio artístico. Ele alçou um jovem talento musical da Sun Records ao titulo de um dos maiores fenômenos da cultura pop de todos os tempos. Foi do Coronel duas jogadas de marketing fundamentais para o estrondoso sucesso de Elvis Presley, a entrada do cantor nos sets de filmagens de Hollywood atuando e cantando em diversos filmes de sucesso, e o Coronel foi responsável por trazer o grande público dos fãs do cantor para os Estados Unidos, durante toda sua carreira Elvis jamais se apresentou fora do território americano, tais jogadas segundo biógrafos e estudiosos da carreira do artista foram de suma importância para o mega sucesso do Rei do Rock.   

Os Beatles e Brian Epstein
Os Beatles já haviam saído de Liverpool algumas vezes rumo a cidade portuária de Hamburgo na Alemanha na virada dos 50 para os anos 60. Eles haviam crescido consideravelmente como músicos por conta dessa experiência, tocar durante horas a fio em prostíbulos em Hamburgo deixou os garotos de Liverpool afiados ao vivo. Todos já haviam iniciado a fase adulta da vida e estavam certos que desejavam ser como ou maiores que seus ídolos. Mas é fato que o ponta pé do imenso sucesso começou quando um dono de loja de discos chamado Brian Epstein os viu tocando no Cavern Club, o que o levou lá foi o burburinho nas dependências de sua loja em busca de algo sobre os The Silver Beatles. A modificação no visual rebelde, a chegada do quinto Beatle George Martin, os terninhos engomados da primeira fase, a assinatura de um primeiro contrato com uma gravadora e inevitavelmente o marketing por detrás de toda a Beatlemania era foi imaginado e administrado habilidosamente por Brian Epstein. Até sua morte em 1967 Brian foi o cérebro dos negócios pro detrás dos milhões de dólares que envolviam o sucesso dos Fab-Four. Depois do seu falecimento a banda foi obrigada a montar a Apple que funcionava como uma corporação responsável pelos direitos das músicas e dos discos dos quatro integrantes até depois do final do grupo. Apple também era um selo que lançou outras bandas e artistas apesar de movimentar os interesses artísticos dos músicos de Liverpool, porém ela jamais alcançou a primazia da gestão empresarial realizada por Brian Epstein.

Banda KISS
Os mascarados da banda de hard-rock KISS é outro exemplo de junção de genialidade artística com os negócios. Logo no inicio da carreira da banda os músicos perceberam que alguma jogada marqueteira seria necessário para chamar atenção de um público alvo. No inicio dos anos 70 vários grandes grupos de rock enchiam casas e estádios ao redor da Europa e Estados Unidos, os músicos do KISS não queriam ficar atrás. A genial ideia de se pintar foi preponderante para o inicio do mega sucesso, mas não eram somente as fantasias e pinturas, existia todo um significado por detrás dos personagens interpretados em palcos, programas de TV e shows ao redor do planeta. Isso os diferenciou das demais bandas que se pintavam, a junção das personas juntamente ao rock pesado e cheio de efeitos pirotécnicos abocanhou uma leva considerável de fãs. Com o passar dos anos eles até tentaram se desvencilhar das pinturas e fantasias por um determinado tempo, mas perceberam que a marca já estava definida no inconsciente dos fãs. Nos últimos anos os integrantes que podem ser considerados verdadeiros mestres do marketing musical, iniciaram shows de despedida em diversas partes do globo o que só aumentou a arrecadação dos milhares de dólares, os shows que foram marcados em grandes estádios visando a despedida da banda obtiveram sucesso estrondoso, tudo na verdade não passou de mais uma grande jogada de marketing de Gene Simmons e sua trupe.


Malcom Maclaren

Loja Let It Rock
Com o passar dos anos o Movimento Punk Inglês do final dos anos 70, ganhou livros, séries, filmes, documentários todos relatando a importância comportamental e politica que tornou o grupo um grande nome da vertente do rock voltada ao protesto social. É bem verdade é que o cerne do movimento encabeçado pela banda Sex Pistols possuía em sua intenções outro objetivo. O Sex Pistols como banda de rock foi uma ideia de um camarada chamado Malcom Maclaren. A principio Malcom estava bem mais preocupado em revolucionar no campo da moda, foi dele a ideia de vestir um grupo de rock com roupas deterioradas cheias de símbolos contrários ao status quo, Malcom era dono da Let It Rock loja de roupa voltada para um público mais alternativo. A ideia de fazer de uma banda rock modelos para seus modelitos revolucionários acabou por não revolucionar só a moda, mas também o mundo da música. Com o estrondoso sucesso musical do Sex Pistols toda uma estética delinquente, reacionária e jocosa por detrás do conceito da banda fez deles o primeiro grande nome do Punk Rock e principal banda do movimento.

Sex Pistols
Com o passar dos anos a moda em geral, aglutinou os conceitos aludidos por Malcom nos anos 70 e com isso tornou o que antes parecia ser grotesco e amoral como algo alinhado a tendência da moda em voga. Hoje é bastante comum verificarmos exemplos da moda punk sendo usados por atrizes, atores e demais personalidades em geral. Os Sex Pistols talvez não alcançassem tanto sucesso como alcançaram se não fosse a forma e os preceitos por detrás da estética visual definida por Malcom Mclaren.  


28 de mai. de 2016

05 EXCELENTES CANAIS DE MÚSICA DO YOUTUBE




O site youtube assim como a internet em geral está recheado de muita informação, porém nem toda informação contida na rede possui relevância. Quando o assunto é música o youtube possui uma avalanche de canais, alguns de qualidade duvidosa, demos uma navegada visando encontrar canais voltados para música de qualidade e conseguimos chegar a cinco canais que vale bastante a pena seguir, são eles:

REPÚBLICA DO KAZAGASTÃO


O canal República do Kazagastão capitaneado pelo jornalista musical Gastão Moreira lendário VJ dos tempos áureos da MTV Brasil, é sem duvidas um canal imprescindível para quem é fã de rock em geral. O canal possui um programa semanal chamado Heavy Lero onde Gastão e o Clemente ex- Inocentes e atual Plebe Rude contam história de grandes bandas da história do rock, o programa é colocado no canal todas as quintas feiras no horário da manhã, repetindo imperdível para quem é fascinado por história do rock.

HENRIQUEBEIRA


É um canal simples, porém com uma qualidade de registros sonoros muito acima da média. No canal você pode encontrar diversos discos raros de música popular brasileira, em especial para grandes mestres da música instrumental brasileira como Hermeto Paschoal e outros.

BRAZILIAN RARE GROVE



Brazilian Rare Grove merece estar entre os cinco melhores canais de música brasileira, a quantidade e qualidade de discos upados no canal chegam a assustar. Muita coisa rara discos que até então eram de conhecimentos de usuários de sebos e lojas afins, hoje estão a disponíveis em canais como esse criando uma nova leva de admiradores e colecionadores, canais como o Brazilian Rare Grove é também responsável pela divulgação da música brasileira em âmbito mundial, exatamente pelo alcance que a rede de computadores possui no público em geral.

THE BEST LIVE MUSIC PERFORMANCES EVER


O The Best Live Music Perfomances Ever é um canal sensacional pelo fato de dar ênfase nas apresentações ao vivo. Vídeos de grandes apresentações de grandes nomes da pop music de hoje e de ontem. Para os amantes dos velhos e bons tempos da música pop o canal é imperdível.

FODA-SE A INDÚSTRIA DO JABÁ



Quando o assunto rock alternativo e indie rock esse canal é um dos mais legais do Brasil. Lá você encontrará bastante coisa de bandas fundamentais dos anos 80 como The Cure, The Smiths, Echoo And The Bunnymen e outros, bem como discos fundamentais do lado B do rock nacional do período como o primeiro disco do Violeta de Outono banda de post-punk de São Paulo.

12 de mar. de 2016

Neil Gaiman e Amanda Palmer cantam David Bowie


Amanda Palmer e Neil Gaiman

Amanda Palmer uma das artistas independentes mais autênticas do momento e seu marido Neil Gaiman um dos mais respeitados contadores de histórias da literatura contemporânea, realizaram uma bela homenagem ao grande David Bowie, o casal canta o clássico Space Oddity a versão faz parte do EP Strung Out In Heaven: A Bowie String Quartet Tribute. Vale muito a pena conferir.

             

10 de fev. de 2016

Entrevista - Augusto Pellegrini (Radialista, Cantor e Escritor)



Augusto Pellegrini

Quais as primeiras lembranças de música na sua vida, e o que veio primeiro, a música ou a literatura?

As primeiras lembranças marcam muito, e o que eu ouvia quando criança com certeza me mostrou o caminho que eu iria trilhar. Felizmente, meus parentes tocavam muito jazz orquestrado, chorinho e a música popular brasileira da época, e também alguma coisa de clássico ligeiro. Na verdade, naquele tempo o radio proporcionava um tipo diferente de comunicação e a televisão, no seu começo, ainda não poluía como o faz nos dias de hoje.
Acredito que música e literatura chegaram juntas. Eu me lembro de algumas composições que fiz ainda adolescente – acho que a primeira se chamava “Passado tão Presente” e foi composta em 1956, ao mesmo tempo em que exercitava alguns textos que acabaram muito tempo depois se transformando no meu primeiro livro, chamado “Coisas”.
Como curiosidade – e esta informação nunca foi dada antes, posto que um pouco prolixa – o nome “Coisas” foi a consequência de uma série de anotações que eu fazia no diário de um clube de jovens, onde diziam que eu escrevia “coisas de doidos para doidos lerem”, daí originando “coisas de para com”, que seria o título do livro e foi simplificado para “Coisas”.   

Sabemos que você é paulista, como se deu a sua chegada a São Luís e o que mudou de lá para cá na capital do estado.

Sou paulista da capital, e vim para São Luís em julho de 1980. Na época eu trabalhava no Alcoa e fui transferido para cá para participar do projeto de construção da Alumar. Na verdade, fui um dos primeiros a chegar, e tive a meu encargo prover a empresa de toda infraestrutura necessário para o tiro de partida – organizar o escritório com móveis, materiais e equipamentos e estabelecer os primeiros contatos com os fornecedores. Deu tudo certo, o complexo industrial da Refinaria, Redução e Porto foi inaugurado em 1984 como previsto e eu continuei na empresa até 1987, quando saí para cuidar de outros interesses. Aí então já estava “em casa” e não quis mais voltar para São Paulo.
São Luís mudou muito, na época não era esta metrópole cheia de avenidas largas, de vida noturna excitante, de restaurantes diversos, shopping centers, de oportunidades de trabalho e coisa e tal, mas também era mais tranquila em termos de trânsito, violência e estresse.
Para se fazer uma ideia, em 1980 a maioria dos restaurantes aqui fechava para almoço! Fala sério!

     Fale um pouco de sua experiência com rádio em Nova York e como ela se deu.

Aqui há um mal-entendido. Não houve nenhuma participação minha em Nova York, mas sim num prêmio chamado 4th Annual Awards Competition Radio Festival of New York (4ª Edição do Prêmio Internacional de Radio de Nova York), aberto para programas de rádio de todo o mundo e que aconteceu em 1985. Na ocasião eu apresentava o programa Mirante jazz na Radio Mirante FM e fui convidado pelo então diretor da emissora José Aniesse Haickel para inscrever o programa. Fui premiado em segundo lugar, atrás apenas de um programa de Nova Zelândia na categoria “programa musical”, entre 75 inscritos.

 Muito se fala nos meios musicais sobre a influência do jazz na música brasileira através da bossa nova, há quem diga que logo depois  a bossa nova passou a contribuir com o jazz realizando uma retribuição, qual a sua opinião sobre esse tema?

Livro sobre Jazz escrito por Augusto
      As duas proposições estão corretas, mas há uma explicação para isso. O jazz nunca foi uma música fechada em si mesma e sempre aceitou a influência de ritmos e estilos que pudessem contribuir para o seu desenvolvimento. É preciso ter em mente que o jazz representa improviso, criação e técnica apurada, então os músicos de jazz sempre buscaram fórmulas inventivas para a execução e o desenvolvimento da música. Por outro lado, a música brasileira do final da década de 1950 e início da década de 1960 buscava também uma fórmula para modificar a mesmice do samba-exaltação e do samba-canção e procurava uma nova harmonia e um novo balanço, o que acabou acontecendo principalmente depois do aparecimento de João Gilberto. Ressalte-se se João Gilberto nunca admitiu que ele próprio cantasse samba-jazz ou bossa nova, ele sempre se disse intérprete de samba. A linha harmônica imposta pelos músicos da época – Tom Jobim, Roberto Menescal e outros, no entanto, remetia à harmonia jazzística, que foi prontamente absorvida pelos grupos instrumentais – Zimbo Trio, Tamba Trio e outros, de certa forma jazzificando a música brasileira e abrindo caminho para uma nova era de músicos e cantores, todos influenciados pela harmonia moderna então criada. O jazz, por ser uma música eclética e aberta e influências latinas, orientais e eruditas, também foi influenciado, e a partir da chegada da bossa nova incorporou esta característica brasileira na sua linha melódica e principalmente no seu “beat”.

     O Estado do Maranhão é um dos, senão o estado de maior ebulição rítmica da federação, possuímos mais de duzentos ritmos catalogados em nosso território, temos uma tradição literária que se espalha por diversos momentos da literatura nacional, somos um celeiro de artistas com nomes importantes nos mais diversos gêneros, em sua opinião por qual o motivo ainda não alcançamos o reconhecimento devido a nível nacional no campo das artes em geral? Ou não merecemos tal título?

A qualidade da música e do músico maranhense é inegável. Não conheço profundamente a música dos outros estados, mas a amostra que me tem sido oferecida me diz que o Maranhão se produz possivelmente a melhor música do país, livrando as devidas proporções do samba do Rio de Janeiro, da MPB de qualidade  e uma ou outra coisa isolada. No entanto, falta ao Maranhão três coisas essenciais para a divulgação do trabalho dos músicos, condição necessária para que a nossa música seja reproduzida em outras partes e possa ser apreciada: (a) a ousadia dos nossos músicos em sair para os grandes centros e dar a cara pra bater, como fizeram Alcione, Nonato Buzar, Papete, e mais recentemente Zeca Baleiro, Rita Beneditto, Glad Azevedo e em menor extensão Flavia Bittencourt; (b) a mídia, de um modo geral, que nos impõe culturas pífias de outros lugares, como lambada, axé, arrocha, sertanejo universitário e outras obscenidades e não reserva muito lugar para o que aqui é produzido; (c) a vontade política dos órgãos governamentais que deveriam deixar de pensar na música maranhense como a cultura de seu quintal eleitoral, apenas  fazendo concessões aqui e ali para mostrar simpatia pelo som da terra, e agir como foi feito na Bahia, como um investimento maciço na exportação das nossas coisas – música, culinária, turismo – atraindo divisas e valorizando os artistas do Maranhão.
Quero deixar claro, porém que apesar de ver com simpatia o problema do chamado “músico da terra”, eu tenho, como músico e apreciador de música, a preocupação voltada principalmente a outro nicho igualmente discriminado, do qual fazem parte o jazz e o rock. 

     Uma vez assisti uma entrevista de um regente de orquestra que citava o Sargeant Peppers dos Beatles, traçando um paralelo entre o disco e a Nona Sinfonia de Beethoven. Segundo o regente do clássico Sargeant Peppers os músicos dos Beatles teriam exaurido no conceito musical do álbum, tudo que uma banda de rock poderia alcançar de qualidade sonora, estética e conceitual tal qual o fez Beethoven. Existe a possibilidade de na música pop surgir uma obra tão genial quanto esse disco fabuloso?


     É muito difícil fazer qualquer afirmação ou previsão quando o assunto é genialidade na arte. Algumas composições de Mozart pareciam insuperáveis até que apareceu a Tocata e Fuga em Ré Menor de Bach, e esta, por sua vez, acabou questionada pela Nona Sinfonia por ocasião da estreia desta em 1824. Além do mais, o conceito musical dos Beatles não se limita às músicas do chamado ié-ié-ié, do Álbum Branco, rascante e pesado, do inteligente Abbey Road ou da genialidade – conforme diz o próprio maestro – do Sgt Peppers. Os Beatles impuseram um limite definitivo entre a sua música e os músicos de rock, qualquer que seja o estilo, isto é, Beatles tocam “Beatles”, os outros tocam rock. Talvez aí resida a dificuldade. Há que aparecer algum outro músico ou grupo de músicos tão especial que possa rivalizar com a obra dos Quatro de Liverpool e no momento atual isto não parece possível. 

     Sabemos que com a chegada da internet houve uma facilidade tremenda ao acesso dos grandes discos da música mundial. Na sua opinião quais os prós e os contras se houverem dessa revolução proporcionada pelos computadores em rede?

A grande virtude da facilidade em se encontrar praticamente todas as músicas algum dia gravadas e existentes no mundo é a chamada “democratização”. Antes que a tecnologia propiciasse a reprodução de músicas através do rádio ou da venda de discos, somente os poderosos tinham acesso à música mais elaborada, contando com audições ao vivo, restando à classe pobre a música mais popular limitada à região onde eles viviam. A tecnologia vem modificando este conceito de divulgação musical de uma maneira veloz e eficiente. Hoje podemos não apenas ouvir a citada Nona Sinfonia de Beethoven como assistir a sua execução nas melhores salas de espetáculo do mundo, com grande fidelidade visual e sonora, através dos melhores regentes via youtube. Por outro lado, a mercantilização da música de baixa qualidade também ficou mais acessível. Qualquer músico sem a menor qualidade também pode lançar sua produção na rede e isto, aliado a interesses comerciais de grupos de produtores ou de empresários, pode contaminar o universo da música, fazendo como vítimas aqueles incautos que são atraídos por esse chamariz nocivo.

É visível a queda de qualidade da música na atualidade a nível mundial, outros afirmam que o que acontece é que o livre acesso dos verdadeiros artistas às mídias tradicionais como o rádio e a TV nos dá essa sensação de esvaziamento artístico em relação a outros períodos. Dê-nos a sua opinião sobre o assunto.

Hoje em dia existe toda uma organização voltada a ganhar dinheiro fácil com música. Produtores e empresários descobriram a fórmula que utiliza músicos excelentes e uma excelente aparelhagem de som e luz para dar cobertura a cantores muitas vezes medíocres que interpretam músicas comuns explorando no máximo três acordes, um refrão repetitivo acompanhando gestos com laivos de obscenidade e todo um mis-en-scene produzido para fazer o público cantar e dançar. O radio e a TV divulgam maciçamente estas músicas de segunda qualidade e existe toda uma indústria por trás de todo o processo que geralmente culmina com shows ao vivo assegurando muito dinheiro na venda de ingressos, de CDs e DVDs. Trata-se se um processo de emburrecimento coletivo ao qual é submetida toda a faixa jovem da população brasileira.

Existe uma linha de pensamento na atualidade que afirma que tudo o que hoje escutamos em termos musicais são apenas ecos estruturais sonoros do período de ouro da música erudita. Seriam repetições de ideias de grandes compositores como Beethoven, Mozart, Schubert, Chopin, Wagner e outros. A seu ver houve de fato uma queda brusca de originalidade das obras? Ou vivemos um período de transição para um novo período da música em si?

É claro que toda a herança musical deixada pelos grandes compositores teve e tem uma influência profunda em tudo o que se produz de música no mundo, pois eles funcionam como professores que oferecem toda uma gama de possibilidades utilizando como base unicamente as notas e os acidentes musicais. A música erudita foi, a seu tempo, uma grande referência para os compositores. No entanto, assim como aconteceu – e acontece – com os próprios músicos eruditos, a música vive um eterno período de transição. O músico é um criador que tem suas referências no que já existe, mas apenas se satisfaz quando consegue exprimir seus sentimentos de uma forma própria e particular. Isto é particularmente visível no jazz, quando através de releituras e de improvisos o intérprete se torna um coautor do tema. A própria música erudita nada mais é do que um aprimoramento de temas populares, rurais e campestres como danças típicas e cantos folclóricos da cada região da Europa, seu berço.


A raça negra é sabido de todos, possui uma profunda contribuição para a música pop em geral, teríamos como imaginar essa música sem os temperos trazidos das terras da Mãe África? Como seria a música do século passado para cá sem o sentimento e a riqueza rítmica dos músicos de origem negra?

O negro adicionou dois elementos importantíssimos à musica ocidental europeia: o ritmo forte (não confundir com cadência) e a nota intermediária na escala cromática, que apenas dispunha dos bemóis e dos sustenidos (nota que o jazz chama de blue note e que segue a entonação da voz humana). A influência do negro se fez apenas a partir de meados do século 18 por causa do tráfico de escravos, e a América foi o primeiro continente beneficiado por estas duas inclusões. No sul, o Brasil assumiu o ritmo como fator preponderante, influenciando as modinhas, polcas e valsas que chegaram com a Corte Portuguesa e dando à música o devido tempero. No norte, os Estados Unidos assimilaram principalmente a linha harmônica, o que foi fundamental no surgimento do blues e do jazz. Quando os Estados Unidos começou a exportar o jazz para a Europa, lá se processou outra revolução, com a assimilação de um ritmo e de uma harmonia até então inexistente. O fenômeno se multiplicou e hoje, duzentos e cinquenta anos depois, o mundo fala a mesma linguagem musical. Assim, com exceção das músicas expressamente regionais ou folclóricas (no Brasil, o bumba-meu-boi, o maracatu, o samba autêntico, a chamarrita gaúcha, etc,) todo o universo musical adquiriu elementos desse processo histórico, em especial a música pop, que é uma novidade  com menos de quarenta anos de idade. A inclusão do negro na música possibilitou a existência do jazz, do samba, de todo tipo de tambor, do reggae, do funk, do hip-hop, além de incrementar todos os ritmos latino-americanos. É difícil imaginar como seria a música de hoje sem o aparecimento do negro com todo o seu tempero, mas possivelmente seria um bocado chata.           

27 de jan. de 2016

Story of music & memory - Doc sobre como a música ajuda a medicina no tratamento de idosos nos E.U.A


cartaz de divulgação no festival de Sundance

Nos últimos cinquenta anos a música passou a ser encarada por pesquisadores no mundo inteiro, como um artifício que vai muito mais além do prazer de audição, com o passar do tempo tais pesquisadores perceberam que poderiam usá-la como forma terapêutica em diversos problemas de saúde. O documentário A Story Of Music & Memory chama a atenção para o uso da música no tratamento de idosos nos E.U.A, muitos deles com sintomas de demência por conta de doenças como Alzheimer, Esquizofrenia, Bipolaridade e algumas outras doenças neurológicas.

cena do documentário


O documentário mostra a luta emocionante de um desses pesquisadores buscando apoio e recursos financeiros em todo o território americano para a compra de IPOD`S para esses pacientes. Em diversos exemplos mostrados no documentário pode-se ver como a música se mostra um remédio muito mais eficaz que as drogas em busca do despertar desses pacientes, ao começarem ouvir certas canções eles recuperam lembranças adormecidas no fundo do inconsciente, esboçam alguns movimentos por conta do ritmo e o mais importante voltam a sorrir numa espécie de ressurreição em vida por conta dos estímulos advindos do ato de escutar música. Infelizmente o documentário não está disponível na integra no youtube, somente em streaming no Netflix.


21 de jan. de 2016

Streaming e agora?



O Streaming é a nova onda tecnológica quando o assunto é a reprodução de áudio e vídeo em tempo real pela internet. A indústria do audiovisual em tempos surge com uma novidade, já tivemos o MP3, logo depois o youtube, agora vivemos a hora e a vez do Streaming. A possibilidade de ouvir e assistir ilimitadas horas de músicas e vídeos vem crescendo numa velocidade assustadora nos últimos anos, gigantes como Spotify, Deezer, Apple Music, Netflix e outros não tem o que reclamar, a quantidade de pessoas aderindo aos diversos planos a cada dia cresce substancialmente.

A comodidade trazida para o público consumidor dessa novidade tecnológica, tem do outro lado os autores das obras, são eles compositores, interpretes, diretores, em suma as pessoas por detrás das obras reproduzidas. Segundo muito deles a porcentagem repassada através dos direitos autorais é pequena em relação ao que de fato deveria ser repassado. Há quem diga que o que fica com as empresas detentoras das assinaturas é de assustar. No Brasil a instituição Procure Saber encabeçada pela atriz Paula Lavigne é uma das que buscam lutar por um repasse mais justo dos direitos autorais.

Streaming trocando em miúdos seria uma permissão que consumidores de músicas e vídeos obtêm através de assinaturas com empresas (multinacionais) para em um determinado período ter acesso as obras. Existem hoje diversos planos alguns inclusive que aceitam a reprodução dessas obras no off-line. Um dos pontos de maiores discussão seria a parceria que essas empresas estão realizando com as gravadoras, a quantidade de musicas que elas possuem em catálogos é de suma importância para essas empresas, ou seja, elas ganham na quantidade de músicas, enquanto a parcela que cabe aos autores tende a ser mais baixa que o normal.


Recentemente uma das gigantes do serviço a Spotify começou a reproduzir o catalogo inteiro dos Beatles em sua plataforma, de forma assustadora em três dias o numero de audições das músicas dos Beatles chegou aos 70 milhões e só tende a crescer nos próximos anos.

23 de dez. de 2015

Os três melhores discos lançados em 2015 por aqui e por lá



Por Natan Castro

Tava faltando mesmo alguém da nova safra, revisitar as formas e fórmulas que deram tão certo nos anos 70 e 80. Ouvindo o disco novo de Pélico denominado Euforia, dá uma certa euforia por nos fazer lembrar de Rita Lee, Lulu Santos, Guilherme Arantes e tanta coisa boa, dá uma saudade dos tempos que as rádios tocavam músicas boas de verdade.
Os arranjos são pop igual àqueles feitos aos moldes de antigamente, mas com timbragens advindas dessas novas tecnologias, o cara já teve música gravada por Filipe Catto e participou de importantes projetos de homenagens a grandes nomes que já se foram. Euforia nos traz música desencanada sem esforço, daquelas que surgiram deixando as coisas rolarem, disso surgiram grandes canções com menções honrosas a Sobrenatural e Olha Só.


Johnny Hooker surgiu na música brasileira em 2015, demonstrando descaradamente referencias que são visíveis em seu visual e em sua música. Dentre elas David Bowie, Madonna, Caetano Veloso, Cazuza e Ney Matogrosso, esse último infesta o visual e a postura de palco do cantor, ator e diretor de Recife. Apesar dessas tantas citações, Johnny Hooker consegue ser ele mesmo quando assume as personas trágicas que moram nos versos de suas canções.


Por certo é bem cedo pra dizer que o cara é um artista completo. Esse é apenas o primeiro disco de sua carreira, mas já surge com pelo menos três grandes músicas todas elas de apelo radiofônico, Alma Sebosa, Volta e Amor Marginal essa inclusive foi tema de novela da Globo.

Bem, mas ele cita em seu trabalho ícones da música pop, se própria de alegorias de personas alheias para compor seu visual, escreve canções de amores mal resolvidos e ainda por cima já surge tendo uma música sua como tema de novela, quanta coisa clichê! Não há duvidas, porém ele é sim um grande intérprete de suas dores e talvez o que o faça fugir das coincidências é o seu timbre vocal, que vem fazendo suas performances cheias de um Mise en scène que talvez ninguém mais fosse capaz de encenar, merece ta na lista com um dos melhores discos lançados por aqui em 2015.


                                                                                                                            
Quando o assunto é rock nacional, não existe meio termo o mais recente disco da banda Goiana Boogarins é o disco. Os caras lançaram em formato Lo-fi em 2013 o primeiro disco As Plantas Que Curam e para surpresa de todos, conseguiram um contrato com o selo de fora e logo saíram numa turnê na gringa como forma de divulgação do disco.



Apesar de uma banda novata, o primeiro trabalho da banda é um disco muito acima da média, é claro que o formato Lo-fi acaba deixando o disco bastante limitado em alguns pontos. Nesse novo disco que foi gravado numa cidade balneária da Espanha, a turma teve possibilidade de brincar com as tecnologias e gravar um disco excelente. O Boogarins com esse disco não deixa a desejar a nenhuma banda que tenha embarcado no revival da lisergia dos anos 60 tanto em voga na atualidade.  Chamo atenção para duas músicas que por sinal são de uma beleza incrível, Mário de Andrade/ Selvagem que é composta de três partes distintas e Benzin música de uma beleza poética e sonora ímpar. Disco do ano por aqui e merece não temos dúvidas de estar entre os melhores de rock por lá também.


Quem poderia achar que aquela cantora branquela de visual ultra-nerd-esquisitóide integrante da banda Sugar Cubes advinda da Islândia pudesse em pleno 2015 ainda estar no cenário da música pop? Bjork a cada ano que passava após o lançamento de cada disco novo surpreendia-nos cada vez mais, hoje seu nome já é simbólico quando o assunto é música cabeça de apelo pop. Ela já ganhou prêmios atuando em filmes e compondo trilhas sonoras, antes desse lançou discos que por sua sonoridade avançada a fez ganhar por incrível que pareça respeito de diversos fãs ao redor do mundo, além é claro de uma visível admiração por parte da critica.


Com esse seu novo disco Vulnicura a fórmula continua a mesma, o mesmo vocal estranhíssimo para uma estrela da pop music, a mesma cama sonora recheada de sintetizadores e instrumentos de cordas, e nas letras a mesma ressonância magnética das dores sentimentais da cantora, nesse em especial composto por conta de um recente término de relacionamento amoroso. Apesar desse turbilhão de estranheza é um disco bem acima da média, valendo muito a pena ouvi-lo do inicio ao fim. As vezes é bom agente trocar um pouco o calor dos trópicos por um pouco de correntes de ar frio advindas do velho continente.


O som seco de uma batida percussiva no fundo, uma parede de guitarras distorcidas e colocado no meio dessas duas coisas um vocal meio abafado. Esse é outro grande disco de 2015 de difícil enquadramento, a banda Viet Cong faz diversas citações, post-punk com David Bowie debaixo dos braços, com rock alternativo da cena americana de coisas como Sonic Youth da fase Daydream Nation juntamente de coisas do Art Rock. Eles são canadenses e meio que criaram nesse debut um mosaico de citações sonoras das boas.


O disco anda sendo citado com propriedade de caso em boas listas de melhores do ano. É uma de nossas opções por parecer que nos próximos movimentos teremos coisas mais originais de cunho revolucionário, vamos comemorar timidamente, deixando uma festa maior para os novos intentos do grupo.




Young Fathers vem de terras Escocesas, mas seus integrantes são originários de países do continente africano, um vem da Libéria, outro de Gana e o último tem pais Nigerianos, porém foi criado em Maryland nos E.U.A, em 2014 a banda ganhou o cultuadíssimo prêmio Mercury de melhor álbum com DEAD. Tava meio na cara que nesse 2015 os caras lançariam um discaço e não foi diferente White Men Are Black Men Too, acertou em cheio, embora mais pop, a pegada discursiva cheias de observações sobre a xenofobia sofrida por imigrantes no território europeu persiste, e é muito bom que persista depois dos últimos acontecimentos em Paris.


A banda surgiu na cena musical da Europa desafiando todos em sentido amplo, não somente através do discurso urgente das letras, a sonoridade proposta por eles é instigantemente desafiadora. Fica difícil encaixar, classificar ou ajustar o som da banda em algum estilo, é bem mais fácil dizer que é música pop com diversas referências que trafegam entre o hip-hop de terceiro mundo com pitadas de soul e R&B, acabando não sendo nenhum desses estilos fica mais fácil dizer que a banda genericamente é World Music.

White Men Are Black Men Too já tem lugar cativo na lista dos melhores de 2015. É musica nova, sem fácil assimilação, feita para intrigar ouvidos menos preparados, apesar de tanta originalidade tem uma pista que são as filigranas de vocalizações pop contidas nas músicas, isso aos poucos acaba nos demonstrando que música pop é sempre música pop, seja ela feita em Londres ou em São José de Ribamar no Estado do Maranhão.