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16 de nov. de 2016

RAUL SEIXAS - DOCUMENTOS INÉDITOS DA SOCIEDADE ALTERNATIVA

Agora tanto os fãs de Raul Seixas como os de Paulo Coelho podem acessar documentos até então inéditos do período em que ambos sonhavam juntos o sonho da Sociedade Alternativa. Paulo Coelho resolveu disponibilizar para download em seu site oficial um material precioso para pesquisadores, estudiosos, fãs e colecionadores. Lembro-me de ter visto parte desse material no apartamento de Paulo na Rua Raimundo Correia, em Copacabana, em 1982, quando Raulzito nos apresentou. Nessa minha primeira visita Paulo inclusive me presenteou com algumas peças repetidas que guardada numas caixas de papelão tipo arquivo morto, tudo muito bem organizado em estantes num quartinho em seu apartamento.


Os fãs mais radicais de Raulzito Rock Seixas que, por motivos escusos, detestam Paulo Coelho, irão se surpreender com o rico material disponibilizado no site do mago.



Fonte: https://raulsseixas.wordpress.com

30 de set. de 2016

Cinco Músicas Politicas Mais Significativas do Rock Nacional



O dia nacional da democracia é para grande maioria sinônimo de vergonha, os mais recentes acontecimentos envolvendo operações da Policia Federal, Impeachment e mais recentemente assassinatos de uma quantidade considerável de candidatos só faz confirmar a certeza que a famigerada politica do Brasil chegou a um estágio deplorável, com chances remotas de melhoria a curto prazo numa análise bem realista. Em face do escarcéu que vive a nação nos últimos meses resolvemos criar a lista das cinco músicas politicas mais significativas do rock nacional. O Rock sempre foi e sempre será um veiculo importantíssimo de elucidação das massas. Desde Bob Dylan com as primeiras canções de cunho político-social passando por Beatles com “Revolution” e logo depois o punk rock metendo o dedo na ferida sem nenhum pudor. O rock’n’roll sempre esteve ai chamando a atenção a quem quiser ouvir, a realidade ao nosso redor só será algo mais justo e igual, se profundas mudanças ocorrerem na forma e nos meios de se fazer politica no Brasil e no mundo.

05. Até Quando Esperar (Plebe Rude)

A Plebe Rude é uma banda de rock de Brasilia surgida no cenário do rock nacional no inicio dos anos 80. A música “Ate Quando Esperar” é um clássico da banda que possui outras tantas canções de rock de cunho politico. A música foi sucesso no Brasil inteiro chegando ao topo das paradas das rádios em meados dos anos 80, a letra fala de má distribuição de renda, uma alusão também as promessas inócuas de melhoria da qualidade de vida, um retrato de um país que como diz a letra vive a espera eterna de um momento melhor, momento esse que até hoje jamais chegou.

04.  Alvorada Voraz (RPM)

RPM banda paulista dos anos 80, advinda da safra de bandas da maior cidade do país. Na letra Paulo Ricardo mistura lirismo e critica político-social em versos criticando um país que ainda se via envolto na censura e alguns sintomas repressivos de uma ditadura que estava prestes a cair, crimes de corrupção e previsões não tão interessantes para a virada do século XXI.


03. Aluga-se (Raul Seixas)

O mestre Raul Seixas em 1980 lançou no disco Abre-te-Sésamo a música que talvez melhor sintetize o desejo de muitos brasileiros. Aluga-se é uma espécie de consultoria dada pela mente genial de Raul Seixas em cima da crise politico-social eterna que o país vive. Na visão do artista alugar o Brasil é a única solução, segundo ele tem a Amazônia como vista do nosso quintal nada mais propício para uma venda de sucesso, até porque o dólar deles paga o nosso mingau. Um clássico do nosso grande Raulzito e uma das criticas mais contundentes a classe politica do Brasil.

02. Brasil (Cazuza)

Cazuza assim como a maior parte dos músicos e letristas do rock nacional dos anos 80 era filho da classe média alta. Nada mais esquisito em termos de posicionamento politico, e de fato era, a conscientização artística desses jovens daquela geração legou a eles uma forte consciência politica também. Na letra de “Brasil” Cazuza fala dos bastidores do High Society, mas com um olhar de alguém da plebe. “O meu cartão de crédito é uma navalha, Brasil qual o téu negócio o nome do teu sócio confia em mim”. Um dos momentos altos do rock nacional quando o assunto é letra politica.

01.  Que Pais é Esse? (Legião Urbana)


A música do rock nacional que melhor sintetiza o estágio de decadência renovável da nossa classe politica é “Que País é Esse?” da Legião Urbana. Renato Russo escreveu a letra quando ainda vivíamos na ditadura militar em 1978, a letra que diz “Na Amazônia no Senado sujeira pra todo lado” é de uma atualidade repugnante. 

Por Natan Castro

4 de ago. de 2016

Raul Seixas – Cinco Canções Mais Polêmicas da Carreira






No inicio dos anos 70 Raul era produtor da CBS e certo dia um artigo sobre discos voadores lhe chamou a atenção ao lê-lo numa revista, Raul foi até a redação da tal revista no intuito de conhecer o autor do artigo, chegando lá conheceu quem havia escrito o artigo, era ninguém menos que Paulo Coelho a época metido com produção de teatro e a edição de uma revista sobre assuntos místicos. A amizade se consumou e logo depois os dois passaram a participar de uma sociedade esotérica. Essa sociedade esotérica tinha seus princípios baseados nas obras do bruxo e místico inglês Aleisteir Crowley, lá para as tantas a direção da sociedade resolveu presentear os dois com um grande terreno em Minas Gerais, onde supostamente seria construída a “Cidade das Estrelas” no local os dois iniciariam a disseminação dos preceitos de algo que ficou conhecido como a Sociedade Alternativa, uma sociedade onde todos os valores seriam invertidos, o advogado seria o não-advogado, o delegado o não-delegado e por vai. Uma canção foi composta pela dupla para sintetizar os ideais dessa nova ideologia, nos shows Raul Seixas tinha o papel de divulgar para seus fãs do país inteiro aqueles preceitos, a ditadura militar investigou sobre o assunto e resolveu prender e deportar os dois para fora do Brasil. A letra é bastante significativa, pois cita abertamente o nome do bruxo inglês que é conhecido como uma das personalidades mais execráveis da história de todo o Reino Unido, ainda assim influenciou e influência até hoje artistas e intelectuais de renome ao redor do mundo.



Ainda na Bahia Raul Seixas estudou e se formou em filosofia, durante toda a sua carreira ficou bastante visível a influência da filosofia em diversos sucessos de sua carreira. A música Rock do Diabo é tida como uma das músicas mais polêmicas do artista, por dentre outras coisas afirmar que o diabo é o pai do rock. A letra fala que enquanto Freud explica o diabo fica dando os toques, na verdade Raul havia se apropriado de ideias de filósofos como Platão que dizia que os seres humanos possuem em suma duas fortes influências em sua natureza, uma boa que representaria o bem e uma má que representava o lado mal de nossa natureza. Rock do Diabo é sem dúvidas uma das canções mais controversas do Maluco Beleza.



Por volta de 1978 Raul Seixas passou uma temporada no interior da Bahia com o intuito de se curar de uma pancreatite adquirida por conta de anos de abuso de álcool. Nesse período Raul conheceu sua terceira mulher Tania Mena Barreto, o disco Mata Virgem foi lançado nessa época e representa um momento atípico na discografia do cantor, com canções voltadas às raízes sonoras do sertão, como baião e o forró. A canção Mata Virgem é de uma beleza poética ímpar, nela Raul Seixas trata dela Tania Mena Barreto, diz a lenda que quando a conheceu ela era virgem, a letra trata do encontro através de um viés poético, a canção é tida como polêmica por conta dessa informação, segundo outra letra desse período chamada Baby a musa inspiradora tinha apenas 13 anos quando conheceu e passou a viver com Raulzito Seixas.



Um dos maiores sucessos da carreira do baiano Rock das Aranhas faz parte das canções polêmicas com certo teor de sarcasmo. Na letra Raul trata do assunto do homossexualismo, mais precisamente o lesbianismo, sempre oferecia a música nos shows para as cantoras brasileiras declaradamente homossexuais. Das varias vertentes musicais existentes no seu trabalho Rock das Aranhas aparece como uma das mais emblemáticas e polêmicas.



A Maçã é de longe a música mais instigante de todo o cancioneiro do Maluco Beleza. Apesar de passar despercebida por muitos a junção de poesia e melodia de nuance barroca, serve de estrutura para um formato que esconde um sentido muito mais amplo nas entrelinhas de seus versos. O titulo faz alusão aos relatos bíblicos do livro do Gênesis, a fruta da perdição do Jardim do Éden. Raul faz uma analogia a genitália feminina e todos os desejos, desejos esses diversas vezes incontroláveis da natureza humana. No trecho “Quando jurei meu amor eu traí a mim mesmo, hoje eu sei, que ninguém nesse mundo é feliz tendo amado uma vez”, o compositor se despe de todo e qualquer tradição machista ou similar para afirmar que o amor entre homem e mulher só é pleno, quando exercido de forma aberta pelos dois lados. Trazendo essa informação para a vida pessoal de Raul Seixas, fica bastante visível o quanto ele levava a sério. A Maçã ainda que a grande maioria não perceba é o texto mais instigante e polêmico da carreira desse grandessíssimo artista. 



10 de set. de 2015

FERREIRA GULLAR - 85 ANOS DO POETA E SUA RELAÇÃO COM A MÚSICA POPULAR



Ferreira Gullar – A incrível Trajetória do Poeta

Hoje é o aniversário de 85 anos de um dos senão, o maior poeta vivo do Brasil. Ferreira Gullar é maranhense, nascido na cidade de São Luís. Ainda muito jovem ganhou um concurso de poesia do jornal do Brasil e por conta desse premio foi convidado a morar no Rio de Janeiro, isso na década de 50. Logo depois Ferreira Gullar rompe com uma forma mais clássica de fazer poesia, e logo depois lança um dos seus livros mais importante chamado A Luta Corporal, nesse livro de poesia magistral Ferreira Gullar segundo ele mesmo passa por uma experiência limite quando ao escrever um poema chamado Roseiral, acredita ter implodido com a sintaxe e esse acontecido causou uma espécie de interrupção no seu processo de criação literária. Logo depois o poeta encontra na poesia de cordel a possibilidade de protestar contra as desigualdades sociais do país, nesse período passa a cuidar da UNE e se afilia ao partido comunista, com o golpe de 64, Ferreira Gullar passa a ser procurado pelo aparelho repressivo da ditadura e se vê obrigado a sair do Brasil, indo para União Soviética, Peru, Chile e Argentina, onde escreve em 1975 a sua obra prima o Poema Sujo, o poema seria uma espécie de despedida do poeta, depois de tantos anos na clandestinidade, a pedido de Vinicius de Moraes o poeta lê o poema aos amigos ainda em Buenos Aires e essa leitura é gravada por Vinicius e trazida ao Brasil. A repercussão do poema por aqui faz Ferreira Gullar retorna ao país no final da década de setenta no país vivendo os primeiros momentos da abertura politica.

Ferreira Gullar e a Canção Popular

É estreita a relação do poeta com a música popular, Ferreira foi o diretor artístico do show opinião na década de sessenta, show esse que revelou ao Brasil a cantora Maria Bethania, o compositor regional maranhense João do Vale, e o poeta do morro o sambista Zé Ketti.


Certa vez nos anos noventa Ferreira Gullar aceitou o convite para traduzir e transcrever para o português um bolero do cantor dominicano Juan Luiz Guerra, a música ficou conhecida em português como Borbulha de Amor cantada por Fagner. Essa mesma canção mudou a vida de Adriana Calcanhoto. A própria Adriana Calcanhoto musicou o poema de Ferreira Gullar chamado Traduzir-se e é descaradamente uma fã do poeta. O poeta tem ainda como parceiros musicais Caetano Veloso (“Onde Andarás”), Milton Nascimento (“Bela bela”), Paulinho da Viola (“Solução de vida”). Ferreira Gullar também é conhecido por colocar letra na peça Trenzinho Caipira de Villa Lobos.










17 de ago. de 2015

ROCK X A CLASSE POLITICA



Nenhum outro estilo musical esteve ligado ao descontentamento politico-econômico-social como rock desde seus primórdios. É bem verdade que sempre houve um embate entre rock e politica, que desde sempre se mostraram como coisas antagônicas, um dos primeiros exemplos disso foi o estardalhaço que as apresentações de Elvis Presley causaram na sociedade americana dos anos 50. A dança sensual do artista foi tida como altamente prejudicial para a juventude da época, a ponto de em algumas apresentações na televisão a câmera só filmar o cantor da cintura para cima.



Mas foi através de letras compostas para canções de protesto que se delineou de forma bastante clara essa guerra entre o rock e a politica. Assim como água e vinho, açúcar e sal, água e fogo, o rock desde seus primeiros anos nunca compactuou com as erradas praticas politicas, quase sempre representou uma pedra no caminho do poder estabelecido. Um dos primeiros artistas a atacar veemente através de suas composições o status-quo foi Mr. Bob Dylan, nos primeiros anos de sua carreira algumas canções tratam conscientemente do tema. E uma das mais conhecidas é o hino de toda uma geração Master Of War:


Os Beatles logo depois também entraram na briga, na sua segunda parte dos anos sessenta, a banda havia deixado para trás a temática adolescente das canções e mergulhado em temas mais existenciais, nesse período Lennon & McCartney compuseram uma canção que deixou Brian Epstein o empresário da banda de cabelos em pé, Revolution era descaradamente um recado dos dois para o absurdo que representava a guerra do Vietnã, segundo alguns biógrafos começava nesse momento uma briga que duraria anos entre o FBI e John Lennon.



Na virada dos anos sessenta para os anos setenta, uma banda americana chamada MC5 considerada uma das primeiras bandas punk da história, lançaram Kick Out the Jams, que foi um álbum gravado ao vivo recheado de palavrões e ideias revolucionárias. Mais tarde no ano de 1977 com o surgimento do Sex Pistols no Reino Unido e do Punk de Nova York diversas bandas abraçaram a causa e produziram diversos álbuns escancarando criticas ferozes aos regimes políticos e uma parcela da sociedade careta e conservadora.












NO BRASIL

No Brasil a classe artística também travou diversas brigas com a classe politica desde os anos sessenta iniciando com o pessoal da Tropicália de Gilberto Gil e Caetano Veloso, o movimento tropicalista no seu cerne sempre foi um movimento de reestruturações estéticas e politicas também, haja vista ter surgido nos anos de chumbo da ditadura, onde alguns de seus integrantes chegaram a serem exilados em outros países. Numa outra vertente Raul Seixas e Paulo Coelho sofreram na pele a truculência de uma ditadura que sempre desconfiava de toda e qualquer movimentação que envolvesse ideias novas, que parecessem aos olhos da máquina repressora algo subversivo e transgressivo. Os dois também foram deportados para fora do Brasil nos anos setenta por terem iniciado o projeto de uma Sociedade Alternativa, onde os valores seriam invertidos, seria uma comunidade no centro do Brasil onde o advogado seria o não advogado, o deputado seria o não deputado e por ai vai.






Ainda nesse período um pessoal de Minas Gerais que ficaram conhecidos como a turma do Clube da Esquina, iniciou um movimento musical que tinha nas entrelinhas de suas canções diversas criticas ao regime ditatorial que assolava a nação naqueles anos. E no final da década e inicio dos anos oitenta o chamado Rock de Brasília explodiu nas rádios do Brasil inteiro com letras que descaradamente faziam alusão ao descaso político-social que o país passava desde o golpe de 64, bandas como Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude tiveram suas composições cantadas por milhares de jovens no território nacional, essas canções imortalizaram um período onde a nação inteira ansiava pela abertura politica e eleições diretas. O Brasil diferente de algumas nações pouco evoluiu em relação as suas práticas politicas, e desse período para cá poucas foram as bandas do dito mainstream nacional que ousaram meter a boca no microfone e produzir canções de protesto, muitos dizem que isso se deu pelo motivo da esquerda que em décadas atrás estava com a classe artística ter chegado ao poder. Essa mesma esquerda que sofria com a máquina repressora da ditadura militar e hoje se encontra alçada ao poder, não reprime mais artistas e a juventude em geral, porém causam danos incalculáveis a sociedade disseminando um mar de corrupção e vários outras práticas execráveis advindas de um gene maquiavélico dos tempos coloniais.